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Candidatos à Presidência da República tiveram reações diferentes em relação ao cancelamento do debate na Globo

O cancelamento do debate presidencial da TV Globo, previsto para a noite de quinta-feira, 1º de outubro, provocou reações diferentes nas campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A reportagem do UOL destacou o episódio com o título Lula celebra debate cancelado e Flávio acusa ação do Judiciário pró-petista, resumindo a disputa de narrativas que surgiu após a suspensão do encontro. O programa foi cancelado a três dias do primeiro turno, depois de decisões judiciais alterarem regras previamente acordadas e de Flávio desistir da participação.

Lula já havia informado que não compareceria ao debate e escolheu participar de uma entrevista no Flow Podcast no mesmo horário. Durante a conversa com Igor Coelho, o presidente disse que preferia o formato do podcast e classificou os debates eleitorais como pouco produtivos, segundo relato publicado pelo UOL. Enquanto isso, Flávio confirmou inicialmente sua presença, mas mudou de posição depois da decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A decisão da ministra impediu a TV Globo de exibir o púlpito vazio destinado a Lula para representar sua ausência. Também foi proibida a realização de perguntas direcionadas ao candidato que não estivesse presente, alteração que atingiu diretamente uma das regras previstas para o programa. Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou ainda a inclusão de Renan Santos, candidato do Missão, no debate.

Lula celebra debate cancelado e escolha pelo Flow

Durante a entrevista, Lula explicou os motivos que o levaram a não participar do debate da Globo e afirmou que considerava mais adequado conversar diretamente com o público por meio do podcast. O presidente também criticou a presença conjunta de candidatos que apresentavam desempenhos muito diferentes nas pesquisas eleitorais. Segundo ele, poderia ser criado um modelo que separasse os concorrentes de acordo com seus percentuais, comparação que fez com diferentes categorias do futebol.

A entrevista acabou ganhando grande audiência nas plataformas digitais na mesma noite em que o debate deveria ter sido transmitido. Segundo os dados citados pelo UOL, a participação de Lula no Flow ultrapassou 1,6 milhão de espectadores simultâneos. A transmissão de Flávio Bolsonaro realizada no mesmo período não chegou a 600 mil espectadores simultâneos, números que foram destacados pelos aliados do petista.

Nos bastidores da campanha de Lula, o cancelamento acabou sendo interpretado como favorável ao presidente. A desistência de Flávio e a audiência alcançada pelo Flow foram utilizadas por integrantes do grupo político para defender que a escolha de Lula havia produzido repercussão. Entretanto, essa avaliação pertence aos aliados do candidato e não representa uma conclusão independente sobre os efeitos eleitorais do episódio.

Flávio acusa ação do Judiciário pró-petista

Depois do cancelamento, Flávio realizou uma transmissão ao vivo e acusou Lula de recorrer a integrantes do Judiciário para interferir no debate. O candidato do PL afirmou que o presidente utilizaria pessoas próximas no Judiciário e classificou como censura a decisão que impediu a Globo de mostrar o púlpito vazio. As declarações foram feitas por Flávio em sua manifestação após a desistência, sem que o UOL apresentasse evidências de uma atuação coordenada do Judiciário para beneficiar Lula.

Flávio havia anunciado sua desistência pouco antes de Gilmar Mendes determinar a inclusão de Renan Santos no programa. Em sua manifestação, o candidato afirmou que não iria ao debate por causa da decisão atribuída à ministra Estela Aranha e defendeu a liberdade de imprensa e a realização de eleições limpas. A decisão posterior do ministro do STF acrescentou mais uma mudança ao formato do encontro que já havia sido alterado pela decisão do TSE.

Com a ausência previamente anunciada de Lula, a desistência de Flávio e as novas determinações judiciais, a Globo decidiu cancelar o programa. A emissora afirmou que as notificações recebidas interferiam nas regras que haviam sido previamente acordadas com os partidos e provocavam uma situação de insegurança jurídica. Na ocasião, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema já estavam nos estúdios da emissora aguardando o início do debate.

Lula celebra debate cancelado enquanto aliados de Flávio reagem

A reação ao episódio não ficou restrita às duas principais campanhas presidenciais. Na transmissão de Flávio, participaram aliados como Pablo Marçal, Nikolas Ferreira, Carlos Bolsonaro, Tereza Cristina e Deltan Dallagnol, que também fizeram críticas às decisões judiciais relacionadas ao debate. Outros candidatos presentes ou envolvidos no episódio, entre eles Zema, Caiado, Cury e Renan Santos, igualmente se manifestaram sobre o cancelamento, com avaliações diferentes sobre as consequências das decisões.

Entidades do setor de comunicação também reagiram às decisões que modificaram as regras do programa. Abert, ANJ e Aner divulgaram uma nota conjunta na qual criticaram as medidas judiciais e apontaram preocupação com possíveis impactos sobre a liberdade de imprensa. O episódio, portanto, passou a ocupar o centro das discussões políticas na reta final da campanha, envolvendo candidatos, partidos, Justiça Eleitoral, Supremo Tribunal Federal e emissora de televisão.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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