Alê Silva foi até a BR381, trecho de Belo Horizonte a Governador Valadares, para mostrar a situação da estrada

A candidata a deputada estadual por Minas Gerais Alê Silva voltou a colocar a BR-381 no centro do debate político ao publicar um vídeo nas redes sociais sobre as condições da rodovia entre Belo Horizonte e Governador Valadares. Nas imagens divulgadas em seu perfil no Instagram, ela mostrou trechos da estrada e argumentou que ainda existe um conjunto de intervenções que precisa ser realizado, especialmente em relação à duplicação. Ao comentar o assunto, a candidata resumiu sua posição com a frase “Pedágio sem duplicação é crime!”, utilizada como crítica política ao modelo de cobrança adotado no trecho concedido.
Na legenda da publicação, Alê Silva afirmou que, durante uma gestão da qual participou, havia sido elaborada uma proposta de concessão segundo a qual a cobrança de pedágio começaria depois da realização de intervenções consideradas prioritárias nos pontos mais críticos da BR-381. A candidata também declarou que os valores inicialmente previstos naquela proposta seriam inferiores aos atualmente praticados e criticou a autorização de reajustes das tarifas antes da conclusão das obras que considera necessárias. Dessa forma, a publicação relacionou diretamente o preço pago pelos usuários, o cronograma de obras e as condições de segurança e capacidade da rodovia.
O trecho da BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares é atualmente administrado pela concessionária Nova 381, em contrato de 30 anos assinado em janeiro de 2025. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o trecho concedido possui aproximadamente 303 quilômetros e prevê melhorias como duplicações, faixas adicionais, vias marginais, passarelas e outras intervenções. Atualmente, entretanto, parte significativa da rodovia ainda permanece em pista simples, o que ajuda a explicar por que a duplicação continua sendo uma das principais reivindicações relacionadas ao corredor rodoviário.
Alê Silva critica pedágio e cobra duplicação da BR-381
A crítica apresentada por Alê Silva ocorre em um momento em que o sistema de concessão da BR-381 já possui cobrança de pedágio em cinco pontos do trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares. As praças estão localizadas em Caeté, João Monlevade, Jaguaraçu, Belo Oriente e Governador Valadares, sendo que parte da cobrança é realizada pelo sistema eletrônico de livre passagem, conhecido como free flow.
Em julho de 2026, a ANTT aprovou a primeira revisão ordinária e o reajuste da tarifa básica de pedágio da Nova 381, com os novos valores entrando em vigor em 6 de agosto. Para automóveis, caminhonetes e furgões, as tarifas passaram a R$ 16,20 em Caeté, R$ 13,40 em João Monlevade, R$ 15,70 em Jaguaraçu, R$ 12,60 em Belo Oriente e R$ 13,20 em Governador Valadares. Segundo a agência, o cálculo considerou a inflação acumulada de 4,37% entre julho de 2025 e junho de 2026, além dos mecanismos de revisão e reequilíbrio previstos no contrato.
A questão levantada pela candidata, portanto, envolve uma discussão que vai além do valor pago em cada praça de pedágio. O contrato de concessão prevê um conjunto de obras e melhorias que deverá ser executado ao longo da vigência da concessão, incluindo 134,27 quilômetros de duplicações, dos quais 27,83 quilômetros correspondem a obras remanescentes e 106,44 quilômetros a novos trechos previstos no programa de exploração da rodovia. Além disso, estão previstas quase 83 quilômetros de faixas adicionais, o que demonstra que a ampliação da capacidade não depende exclusivamente da construção de uma segunda pista em toda a extensão.
BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares ainda tem obras pela frente
A situação da duplicação possui ainda um ponto específico que ganhou importância em 2026: a possibilidade de ampliar a obra para o trecho entre Belo Oriente e Governador Valadares. Em julho, a ANTT informou ter recebido da concessionária Nova 381 um estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental para a possível duplicação de 74 quilômetros nesse segmento. O documento passou a ser analisado pela agência, portanto, a inclusão dessa intervenção no contrato ainda dependia das avaliações técnica e regulatória.
A necessidade de avançar com as obras também aparece em registros anteriores sobre a rodovia, cuja duplicação entre Belo Horizonte e Governador Valadares é discutida há anos. Em 2025, a ANTT informou que os primeiros meses da nova concessão haviam sido marcados por ações de recuperação da pista, modernização de túneis, melhorias em iluminação, passarelas, pontes e viadutos, além do início efetivo das obras de duplicação na região de Antônio Dias. Também foi anunciada a duplicação da ponte sobre o Rio Doce, em Governador Valadares, como parte das intervenções previstas para a região.
Apesar dessas intervenções, a duplicação completa da ligação entre Belo Horizonte e Governador Valadares continua sendo um processo de longo prazo. A própria ANTT informa que, na configuração atual apresentada para a concessão, existem 223,83 quilômetros de pista simples e 79,624 quilômetros de pista dupla no trecho considerado. Assim, quando Alê Silva afirma que “há muito para ser feito”, a declaração se relaciona a uma situação concreta: uma parcela expressiva da rodovia ainda não conta com pista duplicada, enquanto obras de ampliação estão previstas ou em diferentes etapas de desenvolvimento.
Alê Silva diz que pretende cobrar redução dos valores
Na publicação, Alê Silva também apresentou uma proposta política para sua eventual atuação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Embora reconheça que a BR-381 seja uma rodovia federal, a candidata afirmou que, caso assuma o mandato de deputada estadual, pretende utilizar sua atuação política para pressionar por intervenções, duplicações e revisão dos valores cobrados dos usuários. A proposta apresentada por ela está baseada, portanto, na tentativa de transformar a situação da rodovia em uma pauta de atuação junto aos órgãos responsáveis pela infraestrutura federal.
A declaração também estabelece uma comparação entre o modelo de concessão defendido pela candidata no passado e o contrato atualmente em vigor. Alê Silva afirmou que a proposta anterior previa que a cobrança começasse somente depois de intervenções consideradas prioritárias e que os valores seriam inferiores aos atuais, enquanto o modelo vigente estabeleceu a cobrança conforme as condições e etapas previstas no contrato de concessão. A diferença entre esses modelos passou a ser utilizada por ela como argumento para defender uma mudança na forma como os usuários são cobrados enquanto as obras ainda estão sendo executadas.
O debate sobre a BR-381 envolve, desse modo, três questões diretamente relacionadas: o valor das tarifas, o cumprimento do cronograma de obras e a ampliação da capacidade da rodovia. De um lado, a concessão prevê investimentos e melhorias que deverão ser executados ao longo do contrato, enquanto, de outro, usuários e representantes políticos podem questionar a relação entre o serviço já entregue e os valores pagos atualmente. Nesse contexto, a manifestação de Alê Silva acrescenta uma posição política ao debate sobre uma das principais ligações rodoviárias de Minas Gerais, especialmente para quem utiliza o trecho entre a Região Metropolitana de Belo Horizonte e o Vale do Rio Doce.
A discussão deverá continuar à medida que novas etapas da concessão forem executadas e os projetos de duplicação avançarem. Para os usuários, o ponto central permanece relacionado à evolução das obras, à segurança da rodovia e ao custo efetivamente pago para percorrer o trecho, enquanto a ANTT continuará responsável pela fiscalização do contrato e pela análise das intervenções previstas. A crítica de Alê Silva, por sua vez, coloca a relação entre pedágio e duplicação como uma das questões que ela pretende levar para o debate político em Minas Gerais.





