Fim da escala 6×1 avança no Senado e discussão já tem data marcada

Alcolumbre pauta análise do fim da escala 6×1 para próxima semana
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para a próxima semana o início das discussões em Plenário sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. As três primeiras sessões de discussão foram agendadas para terça-feira (6), quarta-feira (7) e quinta-feira (8) de outubro, dois dias depois do primeiro turno das eleições. Com isso, a proposta, que vinha sendo analisada pelas comissões do Senado, avança para uma nova etapa de sua tramitação. Além disso, a decisão coloca novamente no centro do debate nacional a organização da jornada de trabalho, especialmente para trabalhadores submetidos a seis dias consecutivos de atividade e apenas um dia de descanso. A PEC 221/2019, relatada no Senado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), estabelece mudanças na duração semanal do trabalho e na quantidade de dias de repouso. Portanto, embora a pauta tenha sido definida, ainda será necessário cumprir as etapas previstas para uma proposta de alteração constitucional antes que qualquer mudança passe a valer.
Alcolumbre pauta fim da escala 6×1 no Senado
A decisão de Alcolumbre representa o avanço de uma matéria que, desde o início de sua tramitação no Senado, foi colocada entre as prioridades da Casa. Em agosto, o presidente do Senado havia anunciado que o fim da escala 6×1 estaria entre os temas considerados prioritários para análise parlamentar. Naquele momento, porém, também foi ressaltado que a PEC deveria seguir o rito previsto pelo Regimento e passar pelas comissões antes de chegar ao Plenário. Posteriormente, em 2 de setembro, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o texto e autorizou sua continuidade na Casa. A votação na comissão ocorreu de forma simbólica, com registro de 27 senadores presentes e quatro votos contrários identificados: Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS). Assim, depois da análise de constitucionalidade na CCJ, a proposta foi encaminhada para o Plenário, onde deverá ser discutida pelos senadores. É importante destacar, entretanto, que a inclusão na pauta não representa aprovação definitiva, mas apenas o início de uma nova fase legislativa.
O que prevê a PEC do fim da escala 6×1
O texto em discussão estabelece uma mudança importante na jornada máxima de trabalho dos empregados abrangidos pela proposta. Atualmente, a referência constitucional permite jornada de até 44 horas semanais, enquanto a PEC prevê a redução desse limite para 40 horas. Além disso, o modelo de descanso semanal deverá ser alterado, passando a ser assegurados dois dias de repouso remunerado por semana, preferencialmente um deles aos domingos. Na prática, a proposta busca substituir a lógica tradicional de seis dias trabalhados para um de descanso por uma organização que contemple cinco dias de trabalho e dois dias de folga, conhecida como escala 5×2. Ainda conforme o texto aprovado na CCJ, poderá haver compensação de horários e redução da jornada por meio de acordo ou convenção coletiva, respeitados os limites estabelecidos. Dessa forma, a mudança não se resume à troca de um dia de folga, mas envolve também a quantidade máxima de horas trabalhadas durante a semana. Consequentemente, setores que atualmente funcionam com jornadas distribuídas em seis dias precisarão avaliar como suas escalas seriam reorganizadas caso a PEC seja aprovada e promulgada.
Discussão sobre a escala 6×1 ganha novo capítulo
A discussão sobre a escala 6×1 chegou ao Senado depois de a proposta ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio de 2026. O texto tem como primeiro signatário o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e foi posteriormente encaminhado para análise dos senadores. No Senado, Omar Aziz foi designado relator na CCJ e apresentou o parecer que permitiu a continuidade da matéria. Durante os debates, diferentes posições foram apresentadas. Parlamentares favoráveis à mudança destacaram aspectos relacionados ao descanso semanal e à organização da vida familiar, enquanto críticos apontaram preocupações sobre os efeitos da redução da jornada e sobre a margem de negociação entre empregadores e trabalhadores. O senador Rogério Marinho, por exemplo, questionou a limitação da possibilidade de negociação, segundo registros da Agência Senado. Portanto, o debate não envolve apenas a quantidade de dias trabalhados, mas também questões econômicas, relações trabalhistas, produtividade e funcionamento de setores que dependem de atividades durante todos os dias da semana. Por isso, novas discussões poderão ocorrer antes da votação definitiva do texto.
Como funciona a tramitação de uma PEC
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, o fim da escala 6×1 possui um processo de aprovação diferente do de um projeto de lei comum. Depois de passar pela comissão responsável pela análise de constitucionalidade e mérito, a PEC precisa ser discutida e votada em dois turnos no Plenário do Senado. Para ser aprovada em cada turno, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis, número equivalente a três quintos dos 81 senadores. Caso o Senado altere o conteúdo recebido da Câmara, a proposta poderá precisar retornar à outra Casa para nova análise. Somente depois da aprovação pelas duas Casas legislativas, conforme o texto final, a mudança constitucional poderá ser promulgada. Portanto, as sessões marcadas para os dias 6, 7 e 8 de outubro não significam que a escala 6×1 será automaticamente encerrada na próxima semana. Inicialmente, os senadores deverão discutir a matéria e, posteriormente, será necessário cumprir as demais etapas regimentais e as votações exigidas. Além disso, mudanças no texto podem ser apresentadas durante a tramitação, o que torna o conteúdo atualmente aprovado na CCJ sujeito ao debate parlamentar.
Impactos do fim da escala 6×1 no trabalho
Caso o texto seja aprovado sem alterações substanciais, a mudança poderá afetar a forma como empresas e trabalhadores organizam suas jornadas. A redução do limite semanal de 44 para 40 horas representa uma diminuição de quatro horas na jornada máxima prevista, enquanto a adoção de dois dias de descanso semanal exigirá reorganização das escalas em atividades que funcionam de maneira contínua. Ao mesmo tempo, os efeitos concretos dependerão do setor econômico, dos acordos coletivos e da maneira como as empresas distribuírem os horários. Por exemplo, estabelecimentos comerciais, serviços de atendimento, indústria e atividades que funcionam aos fins de semana poderão precisar de novas combinações de turnos para manter suas operações. De outro lado, defensores da proposta argumentam que o aumento do período de descanso pode favorecer a recuperação física, a convivência familiar e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Já críticos apontam possíveis desafios relacionados aos custos e à organização da produção. Essas são posições presentes no debate legislativo e não devem ser confundidas com resultados já comprovados para todos os setores. Assim, uma avaliação definitiva dependerá do texto que eventualmente for aprovado e das regras de implementação que venham a ser estabelecidas.
O que acontece depois da pauta de Alcolumbre
Com a definição das três primeiras sessões de discussão para a próxima semana, a PEC do fim da escala 6×1 passa a ter um calendário mais concreto dentro do Senado. A partir de terça-feira (6), os parlamentares poderão discutir oficialmente o conteúdo da proposta em Plenário, enquanto eventuais alterações e encaminhamentos deverão ser avaliados conforme as regras legislativas. Ao mesmo tempo, a proximidade com o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, coloca a discussão em um período de elevada movimentação política, embora a decisão sobre a proposta continue dependendo dos votos necessários no Congresso. Davi Alcolumbre, como presidente do Senado, é responsável por organizar a pauta e conduzir os trabalhos da Casa, enquanto o conteúdo da PEC será submetido à análise dos senadores. Portanto, o próximo passo não é a entrada imediata de uma nova regra trabalhista em vigor, mas o avanço da discussão parlamentar sobre uma mudança constitucional. Caso a proposta avance, ainda serão necessárias votações em dois turnos e o cumprimento das demais etapas previstas para uma PEC. Dessa maneira, o debate sobre o fim da escala 6×1 entra em uma fase decisiva, mas o resultado legislativo ainda dependerá das discussões e das votações que serão realizadas no Senado.





