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PF e Abin emitem alerta para tentativa de golpe após EUA fecharem embaixada no Brasil

A decisão do governo dos Estados Unidos de suspender o atendimento presencial na Embaixada em Brasília e nos consulados brasileiros, anunciada nesta sexta-feira (2), foi classificada por órgãos de inteligência brasileiros como uma operação psicológica coordenada com o objetivo de influenciar o clima eleitoral a poucos dias do primeiro turno. A informação foi obtida pela revista Fórum junto à Polícia Federal e confirmada por um diplomata de alto escalão do governo brasileiro. Os alertas já foram distribuídos ao Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), rede que reúne os órgãos federais de segurança e contrainteligência do país.

A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, sob a justificativa de questões de segurança. Para as autoridades brasileiras, porém, o fechamento temporário das unidades diplomáticas faz parte de estratégia mais ampla, batizada internamente de “Operação Brother Sam II”, em referência à ação de apoio externo ocorrida em 1964. Conforme explicou uma fonte da Polícia Federal, a intenção não seria provocar eventos concretos de risco, mas sim instalar um clima de apreensão e insegurança que possa levar eleitores a permanecer em casa ou a associar o governo a um quadro de instabilidade.

“O objetivo é criar medo. A pessoa pensa: se até a embaixada dos Estados Unidos está fechando, algo grave pode acontecer. E aí hesita em sair para votar”, detalhou a fonte. A estratégia seria estruturada para atribuir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pelo suposto ambiente de tensão, de forma a desestabilizar sua imagem e favorecer o outro lado da disputa. A operação contaria ainda com ampla difusão nas redes sociais, em articulação com atores alinhados à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), segundo os informes que circulam no Sisbin.

Os agentes de inteligência apontam que a execução segue princípios clássicos de operações psicológicas: credibilidade, ao usar fatos reais como o fechamento da embaixada; oportunidade, ao ser deflagrada na véspera da eleição; progressividade, com desdobramentos escalonados ao longo dos dias; e unidade de comando, com direção centralizada. Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do candidato, é citado como um dos principais canais de interlocução com autoridades em Washington, e espera-se que a campanha utilize o episódio para ampliar críticas ao governo e ao Judiciário.

Ainda segundo a reportagem, informações do jornal britânico The Guardian reforçam a preocupação com interferência externa. O veículo revelou que o governo dos Estados Unidos destinou US$ 1 milhão do Fundo de Direitos Humanos e Democracia a iniciativas no Brasil intituladas “Combatendo a Guerra Jurídica e a Censura”, voltadas a questionar a atuação do Supremo Tribunal Federal. O recurso faz parte de um pacote global de US$ 176,9 milhões e tem sido direcionado a grupos e projetos alinhados a pautas conservadoras em diversos países.

A convergência entre o anúncio do fechamento das unidades diplomáticas e a divulgação de financiamentos externos eleva a preocupação nas instâncias de segurança nacional. O Itamaraty e os ministérios relacionados já receberam os alertas e acompanham a evolução do quadro. O que se busca, segundo as fontes, é desvincular a percepção de risco dos fatos reais e assegurar que o processo eleitoral transcorra com tranquilidade, sem que influências externas ou artificialmente criadas alterem a decisão dos eleitores.

A três dias da votação, o eleitorado convive com um cenário de intensa movimentação de informações. Cabe a cada cidadão avaliar com cuidado o que lhe chega, buscar fontes confiáveis e formar sua convicção com base em fatos verificáveis. A soberania do voto é o bem mais precioso da democracia, e a presença nas urnas, sem medo e sem indução, é a melhor resposta a qualquer tentativa de interferência. O domingo pertence ao povo brasileiro, e a decisão será, como sempre, exclusivamente dele.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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