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Senadora Damares Alves disse que o ex-presidente é um preso político e criticou as decisões relacionadas à condenação dele

A senadora Damares Alves (PL-DF) afirmou nesta sexta-feira, 2 de outubro, que o ex-presidente Jair Bolsonaro poderia morrer na prisão caso o grupo político ao qual pertence não obtenha vitória nas eleições de 2026. A declaração foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais, no mesmo dia em que Damares relatou que Bolsonaro teria passado mal e que, por esse motivo, Michelle Bolsonaro não participou presencialmente de um compromisso de campanha em Brasília. O episódio ocorreu a dois dias do primeiro turno e levou a campanha para o Senado a incorporar também referências à situação judicial e pessoal do ex-presidente.

Segundo Damares, Michelle estava prevista para participar de um evento marcado para as 13h, mas acabou entrando por chamada de vídeo e, conforme o relato da senadora, aparentava estar abatida. Damares disse ter considerado aquele um dos momentos mais tristes em que havia visto a ex-primeira-dama e relacionou a ausência dela ao estado de Bolsonaro. Entretanto, posteriormente, a própria Michelle apresentou uma versão diferente sobre o episódio e afirmou que o marido não havia exatamente passado mal, mas enfrentava dias mais difíceis.

A declaração sobre a possibilidade de Bolsonaro morrer na cadeia foi apresentada por Damares dentro de um discurso político sobre a eleição. A senadora afirmou que o ex-presidente seria um preso político e também criticou decisões judiciais relacionadas à condenação dele, enquanto questionou os efeitos da situação sobre Michelle. Essas afirmações representam a posição política de Damares e não devem ser confundidas com uma conclusão judicial sobre os fatos, especialmente porque Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à trama golpista.

Damares relaciona eleição à situação de Bolsonaro

Ao fazer o apelo eleitoral, Damares associou diretamente o resultado das urnas ao futuro de Bolsonaro. A senadora questionou se seria justo que o ex-presidente permanecesse preso e afirmou que, na avaliação dela, uma eventual derrota eleitoral do grupo político poderia fazer com que ele morresse na prisão. Dessa maneira, a situação judicial de Bolsonaro foi colocada no centro de uma manifestação feita durante a reta final da campanha.

Damares também direcionou parte de sua fala à situação de Michelle, que é candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Segundo a senadora, a ex-primeira-dama teria sido afetada indiretamente pelas restrições impostas ao marido, chegando a descrevê-la como a “carcereira” de Bolsonaro. A declaração foi acompanhada de críticas ao ministro Alexandre de Moraes e ao Supremo Tribunal Federal, em uma manifestação que misturou o episódio familiar, a situação jurídica do ex-presidente e a disputa eleitoral.

O relato sobre o estado de Bolsonaro, porém, recebeu esclarecimentos posteriores da própria Michelle. Em declaração divulgada na sexta-feira, ela afirmou que o marido apresentava um quadro de ansiedade e oscilações, mas que estava bem, acrescentando que havia realizado atividade física naquele dia. Assim, a descrição de que Bolsonaro teria passado mal, feita inicialmente por Damares, foi posteriormente relativizada pela mulher que estava acompanhando o ex-presidente em casa.

Michelle explica situação de Bolsonaro antes da eleição

Michelle também afirmou que a reta final da campanha vinha contribuindo para aumentar a ansiedade do marido e que a família estava buscando apoio de líderes religiosos e pastores. De acordo com o relato dela, a rotina de cuidados com Bolsonaro precisava ser conciliada com as atividades eleitorais, o que dificultava sua presença em compromissos públicos. A situação foi apresentada pela candidata ao Senado como uma circunstância pessoal que interferiu diretamente em sua agenda de campanha.

No mesmo dia, informações sobre o acompanhamento médico de Bolsonaro também foram divulgadas. Um relatório semanal citado pela imprensa apontou que o ex-presidente permanecia sob acompanhamento médico domiciliar e apresentava quadro clínico estável, além de registrar pressão arterial controlada e avaliação cardíaca considerada normal. O documento também mencionou cuidados relacionados a medicamentos, equilíbrio corporal, sonolência e prevenção de quedas, enquanto medidas de atividade física e alimentação continuavam sendo recomendadas.

A situação ocorre em um momento de elevada disputa política, quando faltavam apenas dois dias para o primeiro turno das eleições de 2026. Damares é candidata à reeleição ao Senado pelo Distrito Federal, enquanto Michelle também disputa uma vaga na mesma Casa, e Bolsonaro permanece no centro das discussões políticas do grupo que o apoia. Nesse cenário, declarações sobre a prisão do ex-presidente passaram a ocupar espaço relevante no discurso eleitoral dos aliados, especialmente na reta final da campanha.

Prisão de Bolsonaro entra no debate eleitoral

A prisão domiciliar de Bolsonaro é consequência de uma decisão judicial relacionada ao processo que investigou a tentativa de ruptura da ordem democrática após as eleições de 2022. O ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão, e atualmente cumpre a pena em regime domiciliar, conforme as condições determinadas pela Justiça. Por outro lado, Damares e outros aliados sustentam uma interpretação política diferente sobre o processo e classificam Bolsonaro como vítima de perseguição, posição que é contestada por aqueles que defendem a decisão judicial.

A declaração de Damares, portanto, reuniu três acontecimentos ocorridos no mesmo período: a ausência de Michelle em um ato de campanha, o relato inicial sobre o estado de Bolsonaro e a utilização da situação judicial do ex-presidente como argumento político. Enquanto Damares afirmou que Bolsonaro poderia morrer na prisão caso seu grupo não vencesse a eleição, Michelle posteriormente esclareceu que o marido enfrentava dias difíceis e ansiedade, mas estava bem. O episódio mostra como a condição pessoal e judicial de Bolsonaro continua sendo incorporada ao discurso eleitoral de seus aliados nos últimos dias antes da votação.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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