Flávio Bolsonaro e Lula estarão participando de atos em São Paulo neste sábado (3)

As estratégias de Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao momento decisivo da campanha presidencial de 2026 com os dois candidatos concentrando esforços no Sudeste, especialmente em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Neste sábado, 3 de outubro, véspera do primeiro turno, os dois participarão de atos destinados a mobilizar seus apoiadores e ampliar a votação antes do início da votação no domingo. A movimentação ocorre em um cenário de disputa apertada, no qual pesquisas recentes mostram diferenças relevantes entre os principais candidatos em diferentes regiões brasileiras.
Lula encerra sua campanha com uma caminhada em São Paulo, enquanto Flávio Bolsonaro terá compromissos tanto no interior paulista quanto no Rio de Janeiro. A escolha das agendas reflete estratégias diferentes para o último dia: o presidente concentra a atividade no maior colégio eleitoral, enquanto o senador combina uma passagem por São Paulo com um encerramento no estado que é o principal reduto político da família Bolsonaro. Dessa forma, os dois candidatos buscam transformar seus últimos eventos públicos em momentos de mobilização eleitoral antes do fechamento das urnas.
O Datafolha divulgado na sexta-feira, 2 de outubro, mostrou que São Paulo apresentava uma disputa tecnicamente empatada entre Lula e Flávio no primeiro turno, considerando os votos válidos. Flávio aparecia com 41%, enquanto Lula registrava 40%, diferença que estava dentro da margem de erro da pesquisa. No cenário nacional divulgado anteriormente pelo instituto, Lula tinha 45% dos votos válidos e Flávio aparecia com 40%, enquanto um eventual segundo turno entre os dois também permanecia dentro de uma situação de empate técnico.
Lula aposta em São Paulo e na mobilização de eleitores
A estratégia de Lula para o último dia inclui uma caminhada na capital paulista, região considerada prioritária por sua campanha durante a disputa. O presidente também vinha reforçando a necessidade de ampliar sua votação entre eleitores com 70 anos ou mais, segmento para o qual o voto é facultativo e que apresentou elevada abstenção nas eleições de 2022. Segundo o Datafolha, Lula cresceu de 42% para 49% entre os eleitores dessa faixa etária na comparação entre os levantamentos mais recentes.
A mobilização desse eleitorado foi mencionada diretamente por Lula durante um ato em Belo Horizonte na sexta-feira, quando pediu aos apoiadores que conversassem com pessoas acima de 70 anos para incentivá-las a votar. O grupo representa mais de 10% do eleitorado brasileiro, segundo os dados citados pelo Metrópoles, e registrou uma das maiores taxas de abstenção no último pleito geral. Portanto, a campanha passou a tratar a presença desse público nas urnas como uma das frentes de mobilização na reta final.
Outro componente da estratégia de Lula foi a tentativa de atrair eleitores ainda indecisos e reforçar a diferenciação em relação a Flávio Bolsonaro. O presidente exaltou ações de seu terceiro mandato e referências aos governos anteriores, enquanto também intensificou críticas ao adversário durante os últimos dias de campanha. Essas críticas incluíram acusações e associações feitas por Lula sobre Flávio, que devem ser tratadas como declarações do candidato e não como fatos comprovados apenas pela existência das falas.
Flávio concentra voto da direita e retorna ao Rio
Flávio Bolsonaro, por sua vez, encerra a campanha tentando concentrar em sua candidatura votos de eleitores de direita que ainda demonstravam preferência por outros candidatos. A estratégia apresentada por sua equipe é baseada no chamado voto útil, com o objetivo de reduzir a dispersão dos votos entre candidaturas como as de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Em uma transmissão ao vivo, o senador chegou a pedir um “voto de revolta” e defendeu que o eleitor concentrasse sua escolha já no primeiro turno.
A agenda de sábado começa no interior de São Paulo, onde Flávio participa de uma moto-carreata entre Santa Bárbara d’Oeste e Americana ao lado do governador Tarcísio de Freitas. Depois, o candidato segue para o Rio de Janeiro, onde participa de outro ato entre Campo Grande e Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense. O encerramento no estado tem também um caráter simbólico, já que foi no Rio que Flávio iniciou oficialmente sua campanha presidencial em agosto, antes de percorrer outras regiões do país.
São Paulo também foi tratado como prioridade pela campanha de Flávio porque o estado concentra um dos maiores contingentes eleitorais do país e apresentava uma disputa muito próxima entre os dois principais candidatos. No levantamento Datafolha divulgado em 2 de outubro, Flávio tinha 41% dos votos válidos no estado, contra 40% de Lula, enquanto uma rodada anterior mostrava uma diferença maior entre os dois. A evolução registrada no levantamento foi acompanhada pela campanha como parte do esforço para ampliar a votação no Sudeste e fortalecer a candidatura antes da abertura das urnas.
Últimas horas de campanha serão marcadas por mobilização
As estratégias de Flávio Bolsonaro e Lula, portanto, chegam ao último dia com focos distintos, embora ambos tenham concentrado suas agendas no Sudeste. Lula utiliza São Paulo para tentar ampliar sua votação e mobilizar segmentos específicos do eleitorado, enquanto Flávio combina a busca pelo voto útil com atos em São Paulo e um encerramento no Rio de Janeiro. O cenário regionalizado das pesquisas ajuda a explicar a escolha dos locais, já que os três maiores colégios eleitorais apresentam diferenças importantes entre os dois candidatos.
No levantamento Datafolha divulgado às vésperas do primeiro turno, Lula liderava em Minas Gerais, enquanto Flávio aparecia à frente no Rio de Janeiro e os dois estavam tecnicamente empatados em São Paulo. Nacionalmente, Lula registrava 45% dos votos válidos, contra 40% de Flávio, mas a pesquisa também apontava que 17% dos eleitores ainda poderiam mudar de voto até a eleição. Assim, o último sábado de campanha será dedicado pelas duas campanhas à tentativa de consolidar apoios, reduzir a dispersão de votos e estimular a participação dos eleitores antes da votação de domingo.





