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Candidato ao Senado pelo Mato Grosso, José Medeiros criticou seus eleitores

O deputado federal José Medeiros (PL-MT), candidato ao Senado por Mato Grosso, afirmou em um áudio vazado que seu eleitor seria alguém que “ora para alienígena e bebe detergente”. A gravação teria sido enviada ao prefeito de Diamantino, Francisco Mendes, conhecido como Chico Mendes, que é irmão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo passou a circular nas redes sociais e foi divulgado por veículos de imprensa em meio à campanha eleitoral de 2026.

Na mensagem, Medeiros descreveu dessa maneira o perfil de parte de seu próprio eleitorado durante uma conversa privada com o prefeito mato-grossense. O áudio tem aproximadamente 11 segundos e integra uma sequência de mensagens trocadas entre os dois sobre o cenário político e eleitoral do estado. A autenticidade do material não foi negada pelo deputado, que posteriormente reagiu à repercussão nas redes sociais.

As expressões utilizadas na gravação foram associadas a episódios que haviam ganhado repercussão entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A referência a pessoas que “oram para alienígenas” remete a imagens de manifestantes que, depois da eleição presidencial de 2022, foram filmados apontando celulares para o céu durante protestos realizados em frente a instalações militares. Já a menção ao detergente foi relacionada a um episódio ocorrido em 2026 e que também circulou amplamente nas redes sociais.

Áudio de José Medeiros repercute durante campanha

O episódio ocorreu enquanto José Medeiros participa da disputa por uma das vagas de Mato Grosso no Senado Federal. O parlamentar, que atualmente exerce mandato de deputado federal pelo PL, é identificado como um dos nomes ligados ao bolsonarismo no estado e declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Segundo informações divulgadas pelo próprio Medeiros, ele também teria sido escolhido por Jair Bolsonaro para disputar a vaga ao Senado.

Após a divulgação do áudio, a fala passou a ser comentada por integrantes do próprio campo político do candidato. O deputado estadual Gilberto Cattani (PL-MT), que também havia aparecido em conteúdo relacionado ao episódio do detergente, publicou uma manifestação em tom de ironia sobre a declaração. Medeiros respondeu nas redes sociais com outra brincadeira envolvendo a palavra “deter”.

A repercussão também foi acompanhada por uma manifestação do próprio candidato sobre o ambiente eleitoral em Mato Grosso. Em uma publicação nas redes sociais, Medeiros afirmou que o estado estaria vivendo uma eleição que classificou como “suja” e disse que sua reputação estaria sendo alvo de uma tentativa de destruição. O deputado ainda afirmou que havia procurado pessoalmente o ministro Gilmar Mendes após receber informações sobre uma possível investigação relacionada ao seu nome.

Outro áudio envolve críticas ao STF

O áudio sobre os eleitores foi divulgado depois que outro trecho de uma conversa entre Medeiros e Chico Mendes já havia circulado publicamente. Nesse primeiro material, o candidato afirmou que não costumava atacar o Supremo Tribunal Federal e relatou que havia determinado à sua equipe de marketing a retirada de referências à Corte dos textos preparados para suas gravações. A declaração, contudo, foi acompanhada de uma ressalva em relação ao ministro Alexandre de Moraes.

Na gravação, Medeiros disse que não queria ler textos de campanha que mencionassem o STF e que havia orientado sua equipe a retirar esse tipo de conteúdo. Ao mesmo tempo, afirmou que poderia ser procurado a qualquer momento caso a intenção fosse fazer críticas especificamente a Alexandre de Moraes. O trecho também passou a circular nas redes sociais e foi incorporado à repercussão dos áudios atribuídos ao candidato.

A sequência de mensagens, portanto, passou a ser analisada em conjunto por causa das diferentes declarações atribuídas ao deputado. Em uma gravação, ele comenta a estratégia de comunicação de sua campanha em relação ao STF, enquanto em outra descreve, com as expressões mencionadas, o perfil que atribui a seus eleitores. As mensagens foram divulgadas durante o período de preparação para as eleições de 2026 e geraram manifestações públicas de aliados e adversários.

Candidato afirma que fala foi descontextualizada

Interlocutores de José Medeiros afirmaram que a declaração sobre “beber detergente” teria sido retirada de contexto. Segundo essa versão, a expressão seria uma analogia para caracterizar eleitores considerados muito convictos e que não mudariam de posição política, e não uma afirmação literal sobre o comportamento do eleitorado. Essa explicação foi apresentada após a divulgação da gravação e passou a integrar as manifestações em defesa do candidato.

O próprio Medeiros não desmentiu o conteúdo do áudio divulgado e preferiu responder à repercussão por meio de ironias nas redes sociais. A declaração, entretanto, continuou sendo discutida em reportagens sobre a campanha para o Senado em Mato Grosso. O episódio também colocou em evidência as mensagens privadas atribuídas ao parlamentar e a maneira como elas passaram a ser utilizadas no debate eleitoral.

As gravações foram divulgadas inicialmente pela imprensa local e posteriormente reproduzidas por veículos de circulação nacional. O material divulgado inclui conversas com Chico Mendes, prefeito de Diamantino, que aparece como interlocutor dos áudios atribuídos ao candidato. Até a publicação das reportagens consultadas, o conteúdo permanecia no centro da repercussão política em Mato Grosso, enquanto Medeiros mantinha sua candidatura ao Senado.

A declaração sobre os eleitores passou, assim, a fazer parte da cobertura da campanha de José Medeiros para o Senado em 2026. O candidato apresentou sua própria explicação para a expressão utilizada, enquanto seus interlocutores afirmaram que a fala teria sido interpretada fora do contexto original. As gravações e as reações posteriores permanecem como elementos do debate eleitoral no estado, sem que o conteúdo do áudio, por si só, estabeleça qualquer irregularidade jurídica.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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