Deputado Otoni de Paula disse que a reeleição do presidente Lula é fundamental para o país

O deputado federal Otoni de Paula, do PSD do Rio de Janeiro, ex-bolsonarista e antigo aliado da família Bolsonaro, declarou nesta sexta-feira, 2 de outubro, voto em Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições de 2026. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que nunca havia votado no petista e disse ter mudado sua avaliação depois de um processo que descreveu como um encontro com a verdade. A declaração foi publicada pelo Metrópoles em reportagem assinada pela jornalista Evellyn Paola.
Otoni afirmou que anteriormente havia feito uma oposição considerada por ele mesmo como ferrenha a Lula. Segundo o deputado, a decisão de votar no presidente foi tomada mesmo com a possibilidade de haver consequências políticas decorrentes da mudança de posicionamento. Ele declarou ainda que considera a reeleição de Lula uma questão fundamental para o país.
Na mesma mensagem, o ex-bolsonarista direcionou um apelo aos evangélicos e afirmou que divergências eleitorais não deveriam provocar conflitos dentro das igrejas. O parlamentar criticou situações em que, segundo seu relato, pessoas que votam de maneira diferente de outros integrantes da comunidade religiosa são tratadas como se estivessem rompendo com a própria fé. A manifestação ocorreu dois dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Ex-bolsonarista explica mudança de posição
A trajetória recente de Otoni de Paula inclui uma mudança em relação ao grupo político de Jair Bolsonaro. Em 2022, quando ainda estava alinhado ao bolsonarismo, o deputado fez ataques contra Lula e declarou que enfrentaria o então candidato de forma violenta. Em 2025, porém, Otoni afirmou ter se arrependido da maneira como havia se referido ao petista e disse que poderia ter feito críticas sem utilizar aquele tipo de linguagem.
Ao anunciar o voto em Lula, Otoni afirmou que havia feito oposição ao presidente com base em narrativas sobre quem ele seria e que posteriormente teve um “encontro com a verdade”. A expressão foi utilizada pelo deputado para explicar a mudança de sua posição política. O parlamentar também apresentou sua decisão como uma forma de se colocar contra a candidatura de Flávio Bolsonaro.
A mudança ocorreu depois de Otoni ter se aproximado de diferentes grupos políticos ao longo de 2026. No início do ano, ele havia se filiado ao PSD e assumido a interlocução da campanha de Ronaldo Caiado com o segmento evangélico, mas, na reta final do primeiro turno, deixou de apoiar o candidato de seu partido e declarou voto em Lula.
Otoni direciona mensagem ao eleitorado evangélico
O deputado também afirmou que pretende ampliar o diálogo entre Lula e integrantes das igrejas evangélicas. Em outra manifestação, Otoni sugeriu que o presidente deveria conversar diretamente com esse público e disse que pretendia percorrer o país para falar com outros evangélicos sobre a eleição. A declaração ocorreu dentro do movimento de aproximação política que o parlamentar passou a defender depois de romper com o grupo bolsonarista.
Em sua publicação de 2 de outubro, Otoni afirmou que o fato de um evangélico votar em um candidato diferente de seus irmãos não deveria ser tratado como motivo para exclusão religiosa. A fala foi acompanhada de uma crítica à utilização da Bíblia em disputas políticas e de um pedido para que diferenças eleitorais não fossem transformadas em hostilidade entre integrantes das igrejas. O conteúdo foi apresentado pelo deputado como parte de sua justificativa para declarar o voto em Lula.
Otoni também passou a destacar medidas do governo Lula relacionadas ao segmento evangélico. Em junho, por exemplo, o parlamentar havia reconhecido ações do presidente relacionadas à comunidade religiosa, embora ainda dissesse que mantinha posições críticas ao governo. Posteriormente, a aproximação se intensificou, incluindo manifestações públicas do deputado ao lado de Lula.
Ex-bolsonarista agradece escolha de Benedita da Silva
Em uma publicação feita neste sábado, 3 de outubro, Otoni agradeceu a Lula pela escolha da deputada federal Benedita da Silva, do PT do Rio de Janeiro, para disputar uma vaga no Senado. O parlamentar destacou que Benedita é evangélica e afirmou que sua escolha representaria, em sua avaliação, a presença de uma integrante desse segmento na disputa pelo Senado. Ele também relacionou a indicação de Benedita à escolha de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
Lula respondeu à declaração de Otoni afirmando que está ao lado dos evangélicos e que pretende se reunir com representantes do segmento depois das eleições para discutir prioridades. A manifestação ocorreu após o deputado anunciar publicamente seu voto no primeiro turno e fazer o apelo para que as diferenças políticas não sejam transformadas em conflitos religiosos. Assim, o posicionamento de Otoni marcou a etapa mais recente de sua trajetória de afastamento do bolsonarismo e aproximação com Lula.





