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Ministro Flávio Dino determinou a volta de chefe da Polícia Federal nesta quarta-feira (9)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou em sua decisão que determinou o retorno de Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal um encontro entre o ministro André Mendonça e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Para Dino, a informação sobre a reunião tornou ainda mais grave a decisão de Mendonça que havia afastado a cúpula da Polícia Federal. O episódio acrescentou um novo elemento à crise que envolve ministros do STF, a PF e as investigações relacionadas ao Banco Master.

Na decisão divulgada nesta quarta-feira (9), Dino classificou a atuação de Mendonça como uma interferência na esfera de competência de outros ministros e do próprio plenário do Supremo. O ministro argumentou que medidas com esse alcance deveriam ser submetidas ao colegiado da Corte, principalmente diante da existência de divergências entre os integrantes do tribunal. A decisão resultou na reintegração imediata de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada, que havia sido afastado da Diretoria de Inteligência da PF.

Dino também mencionou que a reunião entre Mendonça e Vorcaro teria ocorrido antes de o ministro se tornar relator do caso envolvendo o Banco Master no STF. Segundo informações divulgadas sobre o encontro, Mendonça recebeu Vorcaro em março de 2025, quando ainda não era responsável pela relatoria do processo que posteriormente passou a conduzir. O gabinete do ministro confirmou a reunião e afirmou que Mendonça apenas ouviu o empresário durante o encontro.

Dino questiona interferência de Mendonça na Polícia Federal

Ao justificar sua decisão, Dino afirmou que a informação sobre o encontro aumentava a complexidade do cenário envolvendo Mendonça e Vorcaro. O ministro destacou que o empresário era investigado em processos que estavam sob competência de Mendonça e observou que, segundo as informações divulgadas, a reunião teria sido articulada por pessoas que também aparecem em investigações em andamento. Dino, contudo, registrou que não estava fazendo um juízo definitivo sobre a reunião, mas apontando sua relevância dentro do contexto institucional.

A referência ao encontro apareceu justamente quando Dino analisava a decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Polícia Federal. Para Dino, a medida interferiu no funcionamento da corporação e atingiu investigações que estavam em andamento sob a responsabilidade de outros ministros. A avaliação reforçou a justificativa para que os dois delegados fossem imediatamente reconduzidos aos cargos que ocupavam.

O embate entre os ministros ocorre depois de uma sequência de decisões relacionadas aos relatórios de inteligência da Polícia Federal e às mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Mendonça havia retirado o sigilo de documentos que apresentavam conversas envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, enquanto Moraes reagiu solicitando investigação sobre a atuação de Mendonça. A disputa acabou alcançando diretamente a direção da Polícia Federal, aumentando a tensão dentro do Supremo.

Encontro entre Mendonça e Vorcaro foi confirmado

As informações sobre a reunião entre Mendonça e Vorcaro foram divulgadas inicialmente pelo portal ICL e posteriormente repercutidas por outros veículos. Mensagens atribuídas ao advogado Ciro Rocha Soares indicam que ele teria tratado com Vorcaro sobre uma possível reunião com o ministro do STF. Outro conjunto de mensagens também mencionou uma reunião organizada pelo deputado Cezinha de Madureira, segundo os relatos divulgados sobre o caso.

O gabinete de André Mendonça confirmou que o ministro recebeu Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025. Segundo a explicação apresentada, o encontro ocorreu no Iter, instituto ligado ao ministro, e tratou de uma ação relacionada a créditos de precatórios de interesse do banco. O gabinete afirmou ainda que, na data da reunião, o processo estava com pedido de vista de outro ministro e que Mendonça se limitou a ouvir Vorcaro.

A reunião aconteceu aproximadamente um ano antes de Mendonça assumir a relatoria do caso Banco Master no STF, o que ocorreu em fevereiro de 2026. Em nota, o gabinete informou que o ministro também recebeu, no mesmo mês, o advogado do empresário e manteve nos registros do gabinete os memoriais escritos apresentados naquela ocasião. A confirmação do encontro passou a ser citada por Dino como um elemento relevante para avaliar a decisão que retirou a cúpula da PF de suas funções.

Crise no STF aumenta pressão por decisão do plenário

A decisão de Dino colocou novamente em evidência a disputa interna do Supremo sobre os limites das decisões individuais dos ministros. Segundo o ministro, uma intervenção dessa dimensão sobre a Polícia Federal não deveria produzir efeitos sem que o plenário da Corte pudesse avaliar o caso, principalmente diante da existência de conflitos entre diferentes investigações. O entendimento também reforçou a defesa de que questões institucionais relevantes sejam submetidas ao colegiado do tribunal.

Com a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, o conflito passou a envolver diretamente as competências dos ministros e o funcionamento da Polícia Federal. O caso ainda deverá produzir novos desdobramentos no Supremo, enquanto outras decisões relacionadas às investigações sobre o Banco Master permanecem sob análise. A crise também ganhou repercussão política porque ocorre durante a campanha eleitoral de 2026 e envolve nomes que estão no centro da disputa presidencial.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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