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Várias pessoas foram presas pelo Brasil neste domingo (4), sendo que a maioria foi por compra de votos

Ao menos 29 pessoas foram levadas à delegacia pela Polícia Federal neste domingo, 4 de outubro, por suspeita de envolvimento em crimes eleitorais durante o primeiro turno das eleições de 2026. O balanço, divulgado pela PF e publicado pelo UOL, apontou ocorrências em diferentes estados brasileiros, com a maior parte dos casos relacionados à suspeita de compra de votos. Também foram registrados episódios envolvendo propaganda eleitoral no dia da votação, prática proibida pela legislação eleitoral.

As ocorrências foram registradas principalmente na Bahia, onde quatro pessoas haviam sido detidas antes das 9h, mas também alcançaram Minas Gerais, Roraima, Acre, Amapá, Distrito Federal, Rondônia, Maranhão e Paraíba. Segundo as informações divulgadas pela Polícia Federal, quatro inquéritos policiais foram instaurados durante a manhã e seis termos circunstanciados de ocorrência foram lavrados. O levantamento era preliminar e refletia as ações realizadas até aquele momento do dia da eleição.

A compra de votos apareceu como a principal ocorrência entre os casos registrados pela PF. A legislação eleitoral considera crime oferecer, prometer ou entregar vantagem para obter o voto de alguém, enquanto outras condutas, como a realização de propaganda eleitoral no dia da votação, também estão sujeitas às regras previstas para o período eleitoral. A Justiça Eleitoral mantém mecanismos específicos para receber denúncias e encaminhar possíveis irregularidades às autoridades competentes.

Compra de votos concentra ocorrências

Um dos casos de maior repercussão ocorreu em Teresina, no Piauí, onde uma operação resultou na prisão em flagrante de 18 pessoas por suspeita de compra de votos. De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Federal, duas delas foram autuadas por corrupção eleitoral e associação criminosa, enquanto outras 16 foram autuadas por corrupção eleitoral e liberadas depois do pagamento de fiança. As investigações deverão apurar as circunstâncias de cada caso e a eventual responsabilidade individual dos envolvidos.

Também houve uma ocorrência em Alagoas no dia anterior à votação, quando um homem foi preso durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal na BR-101, no município de Rio Largo. Segundo o balanço divulgado, foram encontrados quase R$ 1 milhão em dinheiro e material de campanha dentro de um veículo. A apreensão passou a integrar as ações de investigação relacionadas a possíveis crimes eleitorais durante o período que antecedeu o primeiro turno.

Em Roraima, cinco pessoas foram presas em Boa Vista por suspeita de compra de votos. Com o grupo, segundo a Polícia Federal, foram encontrados uma lista com nomes e CPFs de eleitores e R$ 1.200 em dinheiro. O material apreendido deverá ser analisado no decorrer das investigações para verificar sua relação com a suspeita registrada pelas autoridades.

Fiscalização ocorre durante a votação

O balanço deste domingo também levou em consideração ocorrências registradas no sábado, 3 de outubro, quando 55 pessoas foram conduzidas à delegacia por suspeita de crimes eleitorais. Entre elas estava um político detido em Teresina, mas a Polícia Federal não havia divulgado o nome do suspeito. As ações realizadas na véspera fizeram parte da mobilização das forças de segurança para prevenir e investigar irregularidades relacionadas ao processo eleitoral.

A fiscalização das eleições conta com a participação da Polícia Federal, da Justiça Eleitoral, do Ministério Público e de forças de segurança estaduais e federais. O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que operações integradas foram coordenadas para o primeiro turno, em parceria com a Justiça Eleitoral e outros órgãos, com atuação voltada à manutenção da ordem pública. A estrutura foi organizada para permitir o acompanhamento das ocorrências e o encaminhamento dos casos às autoridades responsáveis.

Entre as condutas proibidas no dia da votação está a boca de urna, que envolve ações destinadas a convencer eleitores a votar em determinado candidato, partido, federação ou coligação. O Tribunal Superior Eleitoral também aponta como proibidas práticas como distribuição de santinhos, pedidos de votos, arregimentação de eleitores, uso de alto-falantes e outras formas de propaganda durante o período de votação. Por outro lado, a manifestação individual e silenciosa da preferência política é permitida, desde que não caracterize uma ação coletiva de propaganda.

Crimes eleitorais são investigados

Além da compra de votos e da propaganda irregular, o Ministério Público Federal lista entre os ilícitos eleitorais situações como abuso de poder, arrecadação e gastos ilícitos de campanha, fraude, corrupção e condutas vedadas a agentes públicos. A caracterização de cada ocorrência depende da análise das circunstâncias e das provas reunidas pelas autoridades responsáveis pela investigação. Por isso, a condução de uma pessoa à delegacia ou a abertura de um procedimento não significa, por si só, uma condenação.

Para receber denúncias, a Justiça Eleitoral disponibiliza o aplicativo Pardal, ferramenta criada pelo TSE para registrar informações sobre compra de votos, uso indevido da máquina pública, crimes eleitorais e propaganda irregular. As denúncias podem ser encaminhadas para análise dos órgãos responsáveis, que avaliam os fatos relatados e adotam as providências cabíveis. O mecanismo faz parte das ferramentas de participação e fiscalização disponíveis durante o processo eleitoral.

O primeiro turno das eleições de 2026 ocorre neste domingo em todo o país, com votação das 8h às 17h pelo horário de Brasília. Ao todo, 158.765.543 eleitoras e eleitores estão aptos a votar para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Enquanto a votação avança, as ocorrências registradas pelas forças de segurança continuam sendo apuradas, e os procedimentos instaurados poderão resultar em novas investigações e decisões das autoridades competentes.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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