Pesquisa Datafolha testa disputa Lula x Flávio após resultado do primeiro turno

A primeira pesquisa exclusiva do segundo turno da corrida presidencial começa a ser realizada nesta terça-feira (6), com divulgação marcada para a quinta-feira (8). Trata-se do levantamento do Datafolha, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que vai medir pela primeira vez após o fechamento das urnas o confronto direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O trabalho chega em momento de grande expectativa, já que o resultado do primeiro turno apresentou diferenças em relação às previsões, e o eleitorado acompanha com atenção a consolidação das preferências para a etapa decisiva.
O questionário foi desenhado para captar não apenas a intenção de voto, mas também a firmeza das escolhas. Os entrevistados serão confrontados com os dois candidatos em simulação de segundo turno e também poderão manifestar livremente, de forma espontânea, em quem pretendem votar no dia 25 de outubro. Quem declarar apoio a um dos nomes será questionado se está totalmente decidido ou se ainda pode mudar de opinião, permitindo avaliar quão sólida está a base de cada candidato e quantos eleitores permanecem abertos a convencer.
Além dos números de preferência, o levantamento vai investigar a rejeição a cada postulante. O eleitor responderá se votaria com certeza, se talvez votaria ou se não votaria de forma alguma em cada um dos candidatos. Outro ponto central busca compreender a natureza do voto: se a escolha ocorre principalmente por considerar o candidato a melhor opção para conduzir o país ou, sobretudo, pelo desejo de impedir que o adversário vença. Essa distinção ajuda a entender se a campanha será pautada por propostas ou pela comparação entre os dois nomes.
O Datafolha também vai medir as expectativas da população em relação ao futuro mandato. Para cada candidato, o eleitor avaliará se acredita que sua vida poderá ficar melhor, igual ou pior caso ele seja eleito. O levantamento ainda resgata o comportamento eleitoral do eleitor: perguntará se a pessoa compareceu às urnas no domingo, em quem votou para presidente e em que momento definiu sua escolha — desde um mês antes até o próprio dia da votação. Quem não votou também terá espaço para indicar os motivos da ausência.
A pesquisa trará ainda elementos sobre a importância dos debates e a avaliação do governo atual. Os entrevistados dirão se consideram relevante a participação dos candidatos nos encontros transmitidos e qual a chance de esses eventos alterarem seu voto. Já sobre a gestão presidencial, o levantamento traz duas perguntas: uma sobre a avaliação geral do governo, com notas que vão de ótimo a péssimo, e outra sobre a aprovação ou desaprovação do trabalho de Lula à frente da Presidência. Esses dados ajudam a compreender o cenário que molda as escolhas do eleitorado.
Serão realizadas 2.520 entrevistas presenciais entre os dias 6 e 8 de outubro, em pontos de fluxo populacional distribuídos pelas cinco regiões do país. A amostra é estratificada por região, tipo de município, gênero, faixa etária e escolaridade, garantindo que o retrato traçado reflita a diversidade do eleitorado brasileiro. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Empresa Folha da Manhã e pela Globo Comunicação e Participações, com divulgação prevista para a noite de quinta-feira.
A proximidade da data de publicação torna o levantamento um dos mais aguardados desta fase. Após um primeiro turno marcado por resultados que surpreenderam analistas e institutos, os números que surgirem nesta semana servirão como primeiro termômetro oficial da nova etapa. A disputa está aberta, e cada dado revelado ajudará a compreender os rumos de uma campanha que promete ser definida nos detalhes, na capacidade de diálogo com o eleitor e na confiança que cada candidato consegue transmitir ao povo brasileiro.





