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Neste segundo turno, o PT já tem uma estratégia para tentar desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro

O PT passou a concentrar parte da estratégia para o segundo turno das eleições de 2026 em associar o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ao crime organizado e às milícias do Rio de Janeiro. A estratégia foi exposta pelo presidente nacional da legenda, Edinho Silva, que fez críticas ao senador depois de uma reunião com Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília. Segundo o Poder360, durante entrevista concedida nesta terça-feira (6), Edinho associou Flávio às milícias pelo menos dez vezes e mencionou o crime organizado em outras sete ocasiões.

A ofensiva ocorreu depois de Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula na disputa presidencial. O candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o petista alcançou 45,16%, e os dois avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Nesse cenário, a campanha de Lula passou a buscar uma mudança de estratégia para tentar ampliar sua votação e recuperar a diferença registrada na primeira etapa.

Edinho também relacionou Flávio ao assassinato de Marielle Franco ao mencionar a condecoração concedida pelo então deputado estadual a Adriano da Nóbrega, em 2005. Adriano havia sido investigado no caso que apurou as mortes de Marielle e do motorista Anderson Gomes, ocorridas em 2018, e morreu em 2020 durante uma troca de tiros com policiais na Bahia. A associação apresentada pelo dirigente petista, entretanto, foi uma afirmação política feita durante a campanha e não equivale, por si só, a uma conclusão judicial sobre a participação de Flávio no crime.

PT investe em ligar Flávio ao crime organizado

Durante a entrevista, Edinho afirmou que o segundo turno deveria ser marcado pela comparação entre os projetos apresentados por Lula e Flávio Bolsonaro. O presidente do PT também pediu que os eleitores levassem em consideração as trajetórias dos dois candidatos ao decidir o voto. Dessa maneira, a segurança pública passou a ocupar posição central na estratégia de comunicação adotada pela legenda após o resultado do primeiro turno.

O dirigente petista declarou que Flávio não teria condições de discutir segurança pública porque, segundo sua acusação, havia condecorado um miliciano relacionado ao caso Marielle. Edinho afirmou ainda que Lula seria quem teria condições de apresentar um programa para a área, contrapondo as propostas dos dois candidatos. As declarações foram feitas em meio à preparação da campanha petista para a nova fase da disputa presidencial.

A estratégia não surgiu apenas depois do primeiro turno, pois Lula já havia utilizado o tema contra Flávio durante a campanha. Em setembro, o presidente publicou um vídeo nas redes sociais questionando se seria possível confiar em alguém que, segundo sua acusação, estaria ligado ao crime organizado, após reportagens sobre uma emenda parlamentar destinada a um projeto em uma área do Rio sob influência de milícias. A campanha também levou a associação para a propaganda eleitoral na televisão, mencionando reportagens sobre uma assessora de Flávio e negociações relacionadas a emendas.

PT investe em segurança pública contra Flávio

O tema da segurança pública passou a ser explorado pelo PT em um momento no qual Flávio também vinha apresentando propostas e discursos sobre o combate às facções criminosas. Em junho, o candidato havia afirmado que integrantes do PCC e do Comando Vermelho deveriam deixar o país ou seriam presos a partir de 2027. Flávio também havia criticado a atuação do governo Lula no enfrentamento ao crime organizado e defendido medidas mais duras contra as organizações criminosas.

As acusações relacionadas a Flávio e ao crime organizado já haviam provocado disputas judiciais durante a campanha. Em junho, o Tribunal Superior Eleitoral determinou a retirada de publicações que associavam o senador a uma operação da Polícia Federal e ao Comando Vermelho, após pedido apresentado pelo PL. A decisão foi tomada em caráter liminar e ocorreu em meio à troca de acusações entre as campanhas de Lula e Flávio.

Também em junho, o ministro André Mendonça, do TSE, havia determinado medidas envolvendo conteúdos que associavam Lula ao PCC e Flávio a milícias e ao crime organizado. As decisões foram tomadas a partir de pedidos apresentados tanto pelo PT quanto pelo PL, mostrando que as acusações sobre vínculos com organizações criminosas haviam se tornado um dos temas recorrentes da disputa eleitoral. O assunto voltou a ganhar força imediatamente após a definição do segundo turno.

PT amplia ofensiva contra Flávio

A nova estratégia do PT foi apresentada depois de uma reunião de Edinho Silva com Lula em Brasília, na qual os dois discutiram os próximos passos da campanha. O dirigente afirmou que os eleitores deveriam comparar os projetos e as biografias dos candidatos que permaneceram na disputa. Ao mesmo tempo, o partido passou a reforçar a segurança pública como uma das áreas usadas para estabelecer diferenças entre Lula e Flávio.

Edinho também utilizou o governo de Jair Bolsonaro como referência para criticar a gestão anterior e estabelecer comparações com uma eventual administração de Flávio. Segundo o Poder360, o presidente do PT afirmou que a disputa do segundo turno seria um confronto entre projetos e apresentou ao eleitorado uma escolha entre Lula e aquilo que classificou como proximidade de Flávio com as milícias do Rio. Essas declarações passaram a integrar a comunicação política do partido nos primeiros dias após o primeiro turno.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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