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Cleitinho Azevedo pediu ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro, para não dar ouvidos a Rogério Marinho

A discussão sobre a escala 6×1 ganhou um novo capítulo no cenário político brasileiro após uma declaração do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos). Em meio à disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o mineiro pediu que Flávio não siga as posições defendidas pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) sobre a jornada de trabalho. A manifestação colocou em evidência uma divergência dentro do campo político que apoia a candidatura de Flávio e reacendeu o debate sobre os efeitos econômicos e sociais de uma eventual mudança nas regras trabalhistas.

A declaração foi dada em entrevista à CNN e ocorreu depois de Cleitinho defender que Flávio Bolsonaro escute lideranças de Minas Gerais em assuntos relacionados ao estado e às demandas dos trabalhadores. Segundo o governador eleito, sua posição sobre o fim da escala 6×1 está relacionada à defesa de uma jornada com mais tempo de descanso e sem redução salarial, tema que ele já vinha levando ao Senado antes da eleição estadual. Além disso, registros oficiais do Senado mostram que Cleitinho defendeu a redução da jornada em diferentes pronunciamentos realizados ao longo de 2026, inclusive durante debates específicos sobre a proposta.

Nesse contexto, Rogério Marinho passou a ocupar uma posição central na discussão porque é coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e se manifesta contra uma redução obrigatória da jornada acompanhada da manutenção dos salários. O senador defende outro modelo, baseado na possibilidade de negociação da jornada entre empregador e trabalhador, com remuneração proporcional às horas trabalhadas, conforme proposta apresentada por ele. Dessa maneira, o debate sobre a escala 6×1 deixou de ser apenas uma discussão trabalhista e passou a fazer parte também da disputa política entre diferentes propostas para o mercado de trabalho.

Escala 6×1 divide posições entre aliados de Flávio Bolsonaro

A crítica de Cleitinho a Rogério Marinho foi direcionada principalmente à influência exercida pelo senador potiguar sobre assuntos relacionados a Minas Gerais e à campanha presidencial. O governador eleito afirmou que Flávio deveria ouvir pessoas que conhecem diretamente a realidade mineira e, ao mesmo tempo, pediu que Marinho concentre sua atuação política no Rio Grande do Norte. A declaração, portanto, evidenciou uma divergência específica sobre a jornada de trabalho, embora Cleitinho tenha mantido seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

A posição de Cleitinho sobre a escala 6×1 não surgiu apenas durante a campanha eleitoral, pois já havia sido registrada oficialmente em pronunciamentos feitos no Senado. Em maio, por exemplo, ele defendeu o fim desse modelo e melhores condições para os trabalhadores, enquanto em julho voltou a tratar da necessidade de reduzir a jornada de trabalho no país. Em agosto, ao abordar diretamente a PEC 221/2019, Cleitinho voltou a defender a redução da duração máxima semanal e a adoção de dois dias de repouso semanal remunerado sem diminuição salarial.

A PEC 221/2019 é uma das propostas que estão no centro da discussão sobre o fim da escala 6×1 e prevê alteração do artigo 7º da Constituição para reduzir a jornada máxima semanal e estabelecer dois dias de descanso remunerado. Paralelamente, a discussão ganhou força no Congresso após a Câmara aprovar uma proposta que prevê redução da jornada para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial, cabendo ao Senado analisar o tema. Segundo informações divulgadas durante a semana, a proposta passou a ser tratada como uma das principais pautas políticas no segundo turno das eleições presidenciais.

Rogério Marinho defende negociação da jornada de trabalho

Rogério Marinho apresenta uma alternativa diferente para a discussão sobre a escala 6×1, sustentando que mudanças na jornada deveriam considerar a negociação entre empresas e empregados. Na proposta defendida pelo senador, o trabalhador poderia escolher entre o regime previsto atualmente pela legislação trabalhista e uma modalidade de jornada flexível baseada nas horas efetivamente trabalhadas. Nesse formato, a remuneração seria proporcional ao número de horas cumpridas, enquanto direitos como FGTS, férias e décimo terceiro salário também seriam calculados proporcionalmente à jornada.

O argumento apresentado por Marinho está relacionado principalmente aos possíveis efeitos econômicos de uma redução obrigatória da jornada sem diminuição dos salários. De acordo com o senador, uma redução das horas trabalhadas elevaria os custos de produção de bens e serviços, e parte desse aumento poderia ser repassada aos preços cobrados dos consumidores. Assim, a divergência entre as duas posições envolve não apenas a quantidade de dias trabalhados e de descanso, mas também a forma como os custos de uma eventual mudança seriam distribuídos entre empresas, trabalhadores e consumidores.

Flávio Bolsonaro também se posicionou contra a proposta defendida pelo governo Lula e classificou a discussão sobre o fim da escala 6×1 como uma iniciativa oportunista em razão do período eleitoral. O candidato defende uma alternativa baseada na remuneração por hora e argumenta que o trabalhador deveria ter maior liberdade para definir sua carga de trabalho, ainda que isso possa resultar em remuneração proporcionalmente menor. Ao mesmo tempo, a proposta apoiada pelo governo federal prevê redução da jornada sem corte salarial, criando uma diferença clara entre os dois modelos que estão sendo debatidos no Congresso.

Debate sobre escala 6×1 entra na disputa presidencial

A discussão sobre a escala 6×1 ganhou ainda mais relevância depois do primeiro turno das eleições de 2026, quando o tema passou a ser associado diretamente às diferenças entre os projetos apresentados pelos candidatos à Presidência. O presidente Lula defende uma jornada máxima de 40 horas semanais, com dois dias de descanso e manutenção dos salários, enquanto Flávio Bolsonaro se opõe ao formato obrigatório e defende maior possibilidade de negociação individual da jornada. Com isso, uma questão tradicionalmente relacionada às relações de trabalho passou a ocupar espaço importante na disputa política nacional.

No Congresso, o andamento da proposta também passou a ser influenciado pelo novo cenário político formado após as eleições de 2026. A discussão no Senado precisa cumprir etapas regimentais antes de chegar à votação em plenário, e informações divulgadas nesta semana indicaram que o avanço da pauta passou a enfrentar obstáculos diante da nova composição parlamentar. Enquanto o governo federal busca acelerar a tramitação, setores da oposição questionam os efeitos econômicos da medida e defendem que alterações na jornada sejam realizadas por meio de negociação entre as partes.

A posição de Cleitinho acrescenta um elemento específico a esse cenário porque o governador eleito de Minas Gerais mantém apoio político a Flávio Bolsonaro, mas diverge de uma das principais figuras de sua campanha justamente em uma pauta trabalhista. Essa situação mostra que o apoio eleitoral a uma candidatura não significa necessariamente concordância integral com todas as propostas defendidas por seus aliados e coordenadores. Portanto, a declaração do mineiro deve ser compreendida dentro de uma disputa mais ampla sobre jornada de trabalho, custos empresariais, descanso dos empregados e liberdade de negociação.

A partir desse cenário, o debate sobre a escala 6×1 deverá continuar sendo acompanhado tanto no Congresso quanto na campanha presidencial, especialmente porque qualquer mudança constitucional dependerá de votação parlamentar e do cumprimento das etapas previstas no processo legislativo. De um lado, Cleitinho defende o fim do modelo atual com preservação dos salários e tem registrado essa posição oficialmente desde antes da eleição para o governo de Minas Gerais; de outro, Rogério Marinho e Flávio Bolsonaro sustentam uma alternativa baseada em maior flexibilidade e negociação da jornada.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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