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Durante uma conversa reservada com um ministro do STF, Flávio Bolsonaro teria criticado Alexandre de Moraes

Flávio Bolsonaro teria criticado o ministro Alexandre de Moraes durante uma conversa reservada com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, realizada cerca de um mês atrás. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 7 de outubro, pela colunista Bela Megale, de O Globo, e repercutida pelo Estado de Minas. Segundo o relato, o candidato do PL também teria demonstrado confiança em relação à disputa presidencial durante o encontro.

De acordo com a informação publicada pela colunista, Flávio dedicou parte da conversa a questionamentos sobre decisões tomadas por Moraes. Entre os assuntos mencionados estaria a determinação que restringiu o encontro do senador com seu pai, Jair Bolsonaro, que cumpre pena após ser condenado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. A restrição foi determinada em julho, depois que Flávio divulgou uma carta atribuída ao ex-presidente.

A conversa ocorreu em um momento de tensão envolvendo integrantes do Supremo e temas relacionados à eleição presidencial. Flávio e Lula disputam o segundo turno, marcado para 25 de outubro, depois de o candidato do PL terminar a primeira etapa da votação à frente do atual presidente. Nesse cenário, questões envolvendo o STF e Alexandre de Moraes passaram a fazer parte das discussões políticas que cercam a campanha.

Flávio Bolsonaro questionou decisões de Alexandre de Moraes

Segundo o relato divulgado por Bela Megale, Flávio demonstrou durante a conversa com Gilmar Mendes sua insatisfação com decisões tomadas por Moraes. O principal episódio citado foi a restrição que impediu o senador de visitar Jair Bolsonaro, medida que tinha prazo inicialmente previsto até 11 de outubro. Depois do primeiro turno, a defesa do ex-presidente pediu autorização para que Flávio pudesse visitá-lo na prisão.

O pedido apresentado pela defesa foi encaminhado por Moraes à Procuradoria-Geral da República para análise. A PGR se manifestou favoravelmente à realização do encontro entre pai e filho, segundo as informações publicadas pelo Estado de Minas. A questão passou a ser acompanhada também no contexto da campanha presidencial, já que Flávio disputa a Presidência e Jair Bolsonaro permanece como uma das principais referências políticas do grupo.

A relação entre Flávio e Moraes já havia sido marcada por divergências públicas antes da conversa reservada com Gilmar Mendes. O ministro é relator de processos envolvendo Jair Bolsonaro e outros integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente, enquanto Flávio defende mudanças na estrutura e no funcionamento do Supremo. Entre as propostas apresentadas pelo candidato estão mandatos para ministros da Corte, restrições às decisões monocráticas e o impeachment de Moraes, cuja tramitação depende do Senado.

Rogério Marinho também conversou com Gilmar Mendes

Além de Flávio, o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial do PL, também se reuniu com Gilmar Mendes. Segundo a informação publicada pelo Estado de Minas com base no relato da colunista, a conversa tratou de como poderia ser a relação entre um eventual governo de Flávio e o Supremo Tribunal Federal. A reunião ocorreu dentro das articulações políticas realizadas durante a campanha presidencial.

Marinho teria procurado transmitir a ideia de que um eventual governo de Flávio não adotaria um espírito de revanchismo contra o Supremo. Ainda conforme o relato, o coordenador da campanha afirmou que uma eventual ampliação do número de ministros do STF não estaria nos planos do candidato. A sinalização apresentada na conversa buscaria diferenciar a relação institucional pretendida pelo grupo de possíveis medidas de confronto com a Corte.

A posição relatada por Marinho, contudo, teria uma ressalva relacionada especificamente a Alexandre de Moraes. Conforme a coluna de Bela Megale, o coordenador considerou improvável que o ministro fosse preservado de eventuais investigações relacionadas ao caso envolvendo Daniel Vorcaro ou de um processo de impeachment. Trata-se, portanto, de uma informação atribuída à conversa relatada pela colunista, e não de uma decisão formal de um eventual governo.

Relação com o STF entra no debate eleitoral

As declarações atribuídas a Flávio e Rogério Marinho ocorrem em uma campanha na qual o funcionamento do Supremo passou a ocupar espaço entre os temas discutidos pelos candidatos. O programa apresentado por Flávio prevê mudanças relacionadas aos ministros da Corte, enquanto o programa de Lula não estabelece alterações institucionais semelhantes para o STF. Lula, porém, também declarou recentemente ser favorável à criação de mandatos com prazo determinado para ministros e afirmou que Moraes deveria explicações ao povo brasileiro.

A disputa presidencial terá continuidade até o segundo turno de 25 de outubro, quando os eleitores escolherão entre Flávio Bolsonaro e Lula. Até lá, temas relacionados ao Supremo, à situação de Jair Bolsonaro e à relação entre os Poderes deverão continuar presentes nos discursos e nas negociações políticas das duas campanhas. A conversa reservada relatada pela colunista acrescenta mais um episódio às discussões sobre a relação que um eventual governo de Flávio teria com o STF.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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