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Kátia Abreu foi bastante aplaudida durante uma reunião da cúpula do PT, onde criticou a primeira-dama, Janja

A atuação da primeira-dama Janja da Silva foi alvo de críticas durante uma reunião da cúpula do PT realizada na terça-feira, 6 de outubro, para avaliar o resultado do primeiro turno das eleições de 2026 e discutir os próximos passos da campanha de Lula. O episódio ganhou destaque depois que a ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu, coordenadora da campanha presidencial no Tocantins, defendeu mudanças na comunicação e na participação de integrantes do grupo político. Durante sua fala, ela também pediu maior presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e afirmou, em uma frase que recebeu aplausos dos participantes, “menos Janja, mais Alckmin”.

Kátia Abreu está filiada ao PT desde este ano e teve atuação no governo de Dilma Rousseff, quando ocupou o Ministério da Agricultura, além de ter exercido mandato de senadora. Na reunião, segundo relatos publicados pelo Estado de Minas a partir de informações atribuídas à jornalista Bela Megale, de O Globo, a ex-ministra criticou a coordenação nacional da campanha, a comunicação adotada durante o primeiro turno e a participação de Janja nos eventos eleitorais. A manifestação ocorreu diante de cerca de cem pessoas e foi descrita como uma das falas mais aplaudidas do encontro.

As críticas direcionadas à primeira-dama estiveram relacionadas principalmente à maneira como ela participou dos atos de campanha e à tentativa de aproximação com o eleitorado evangélico. Kátia Abreu classificou como um erro a participação de Janja cantando a música gospel Tapete Vermelho nos comícios de Lula, enquanto outros dirigentes também questionaram a estratégia utilizada para dialogar com esse segmento religioso. A discussão ocorreu após o primeiro turno, quando a campanha passou a analisar mudanças na comunicação e na distribuição de espaços entre as principais figuras da chapa.

Críticas a Janja entram no debate interno da campanha

A frase “menos Janja, mais Alckmin” sintetizou uma das principais reivindicações apresentadas durante a reunião: reduzir a exposição da primeira-dama e ampliar a participação do vice-presidente nas atividades eleitorais do segundo turno. O pedido não partiu apenas de Kátia Abreu, já que outros integrantes da campanha também defenderam maior utilização de Alckmin na comunicação e nos eventos políticos. O próprio coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, reconheceu posteriormente que o vice-presidente deveria estar mais próximo da campanha para ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade.

A presença de Janja na campanha havia aumentado significativamente durante o primeiro turno, com participação em comícios, caminhadas e decisões relacionadas à organização dos eventos. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada antes da votação mostrou que a primeira-dama passou a ter atuação mais visível nos palanques, na propaganda eleitoral e na definição de agendas, além de participar de discussões relacionadas à estratégia da campanha. A assessoria de Janja afirmou à publicação que ela não fazia parte da coordenação, mas participava da campanha desde o início e que suas intervenções eram validadas pelo próprio presidente Lula.

O questionamento sobre a atuação de Janja também apareceu em outras avaliações feitas depois do primeiro turno, especialmente em relação à tentativa de aproximação com os evangélicos. O Estado de Minas informou que integrantes da campanha passaram a defender uma revisão dessa estratégia, enquanto lideranças religiosas foram mobilizadas para tentar ampliar o diálogo com esse eleitorado no segundo turno. A discussão mostra que a participação da primeira-dama passou a fazer parte do debate interno sobre comunicação, presença nos palanques e definição dos interlocutores da campanha.

Alckmin é citado como alternativa para ampliar o diálogo

A defesa de uma presença maior de Geraldo Alckmin ocorre em um momento no qual a campanha de Lula busca reorganizar sua estratégia para o segundo turno. O vice-presidente foi mencionado durante a reunião como uma figura que poderia ter participação mais ampla nos atos e na comunicação, especialmente na tentativa de estabelecer conversas com setores que não estão tradicionalmente próximos do PT. Edinho Silva confirmou que a participação de Alckmin deveria ser ampliada na nova etapa da disputa eleitoral.

A discussão também envolveu críticas à coordenação da campanha e à escolha das agendas realizadas durante o primeiro turno. Segundo os relatos publicados pelo Estado de Minas, Kátia Abreu classificou o comando da campanha como formado por “paulistas sem voto”, citando resultados eleitorais adversos obtidos por integrantes da equipe e aliados em São Paulo. A ex-ministra também afirmou que a comunicação havia seguido um caminho equivocado e relacionou essa avaliação ao resultado obtido por Lula no primeiro turno.

Outro ponto debatido foi a necessidade de modificar a forma como a campanha apresenta Lula aos eleitores. Participantes defenderam que a comunicação passasse a concentrar mais atenção no futuro do país, em vez de priorizar o legado dos governos anteriores, além de reivindicarem mudanças na escolha das regiões visitadas pelo candidato. Entre as áreas mencionadas estavam o Centro-Oeste e o Sul de Minas, apontados na reunião como regiões onde o bolsonarismo possui presença política relevante.

Participação de Janja passa por revisão no segundo turno

A reunião da campanha de Lula terminou com a sinalização de mudanças na estratégia de comunicação e com a confirmação de que a presença de Alckmin deverá ser ampliada. A atuação de Janja, por sua vez, passou a ser questionada internamente por integrantes que consideraram necessário rever sua exposição nos eventos e a maneira como sua participação vem sendo utilizada eleitoralmente. As críticas registradas no encontro, contudo, representam manifestações de participantes da reunião e não uma decisão formal anunciada pelo presidente Lula sobre a atuação da primeira-dama.

O debate ocorre em meio à reorganização da campanha para o segundo turno e depois de uma primeira etapa marcada por mudanças na estratégia de comunicação. Nesse contexto, a expressão “menos Janja, mais Alckmin” passou a representar uma cobrança feita por integrantes da própria campanha para que o vice-presidente tenha maior espaço na disputa, enquanto a participação da primeira-dama é submetida a novas avaliações internas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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