Kátia Abreu pede ‘menos Janja e mais Alckmin’ e é aplaudida durante evento do PT

A recém-filiada ao PT, ex-senadora Kátia Abreu, fez pronunciamento nesta quarta-feira (7) que foi recebido com calorosos aplausos pelos presentes à reunião da legenda. Em discurso direto e franco, ela levantou questionamentos sobre a condução da campanha presidencial no Tocantins, criticou a coordenação nacional e também a atuação pública da primeira-dama, Janja Lula da Silva. As declarações ocorreram diante da Executiva Nacional do partido, de deputados e de coordenadores estaduais, em momento de avaliação dos resultados do primeiro turno e de definição de rumos para a etapa decisiva.
Entre as observações que mais chamaram atenção está a análise sobre o desempenho em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Para Kátia, o estado foi tratado de forma equivocada, como se fosse formado por “paulistas sem voto”. A derrota expressiva do candidato Fernando Haddad ao governo, que obteve quase 70% dos votos válidos para o adversário Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a não eleição das candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) foram apontadas como sinais de que a estratégia adotada não atingiu o eleitorado da forma esperada.
A ex-senadora defendeu também que a comunicação do partido precisa ser revista. Em sua avaliação, a mensagem deveria voltar-se mais para o futuro e para o que pode ser construído adiante, em vez de centrar-se apenas no reconhecimento de conquistas passadas. Ela sugeriu, ainda, que a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin deveria ser ampliada nas ações de campanha, em detrimento da exposição de Janja. Nos bastidores, dirigentes têm avaliado que o perfil da primeira-dama pode não ressoar de forma positiva junto a parcelas do eleitorado, especialmente nas comunidades evangélicas, onde a aproximação requer sensibilidade e sintonia com valores específicos.
A própria escolha dos destinos das agendas foi objeto de análise. Kátia e outros integrantes defendem que o presidente Lula deveria visitar com mais frequência regiões onde a oposição tem demonstrado maior força, como a região Centro-Oeste e o Sul de Minas Gerais. A presença física nesses territórios, segundo a avaliação, permitiria ao candidato apresentar diretamente suas propostas, ouvir demandas e construir pontes com eleitores que ainda não se identificam com o projeto de governo. O contato direto é visto como caminho fundamental para ampliar a base de sustentação.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, respondeu às críticas com serenidade, reforçando que a estratégia para o segundo turno está sendo construída com clareza de propósitos. “Neste momento, a disputa se dá entre dois projetos distintos para o Brasil. No primeiro turno, com múltiplos candidatos, não era possível fazer esse confronto de forma tão nítida. Agora, é essencial que o eleitor compreenda exatamente o que cada lado propõe, para fazer a escolha com consciência”, explicou. A linha de comunicação, segundo ele, priorizará a comparação entre as propostas de governo, permitindo que a população avalie com clareza os caminhos possíveis.
O debate interno reflete a busca por sintonia entre a direção do partido e as diferentes visões que compõem a base governista. A liberdade com que questões estão sendo colocadas demonstra a vitalidade do processo democrático dentro da legenda, mesmo em meio à pressa da reta final. Cada sugestão, cada avaliação e cada ponderação buscam o mesmo objetivo: fortalecer a candidatura e apresentar ao país um projeto coeso, acessível e capaz de reunir apoio amplo. A divergência de pontos de vista não é sinal de fragilidade, mas de disposição para ouvir e ajustar o rumo.
A campanha avança rumo ao dia 25 de outubro, e cada movimento é acompanhado com atenção. O eleitorado espera clareza, respeito e propostas que façam sentido para sua vida. O PT segue construindo sua mensagem, ouvindo seus quadros e buscando aproximar-se de cada cidadão. Que as diferenças se transformem em força, que os debates resultem em acerto e que o que prevaleça, acima de tudo, seja o bem do Brasil.





