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Flávio diz que Bolsonaro levou água ao Nordeste; obra começou com Lula

Durante carreata realizada em Natal, capital do Rio Grande do Norte, nesta segunda-feira, 21, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) destacou a atuação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na chegada das águas do Rio São Francisco ao Nordeste. Segundo o senador, governos anteriores, do Partido dos Trabalhadores, fizeram promessas, mas não concretizaram a obra. “O Lula prometeu em 2009, não entregou. Em 2014, a Dilma prometeu que ia entregar, também não entregou. Precisou chegar o presidente Bolsonaro para que a água finalmente chegasse ao Nordeste”, afirmou, ao citar investimentos superiores a R$ 1,4 bilhão no estado.

A afirmação, no entanto, apresenta versão que simplifica a longa trajetória da transposição do Rio São Francisco. O projeto, na verdade, teve sua execução iniciada 12 anos antes do governo de Jair Bolsonaro. Quando o ex-presidente assumiu o cargo, em janeiro de 2019, a maior parte da estrutura principal já estava construída. A história da iniciativa remete ainda mais ao passado: a intenção de levar águas do rio à região semiárida é discutida desde o período imperial, e o marco de projeto mais recente foi apresentado no governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1998.

A implementação de fato começou no fim do primeiro mandato do presidente Lula, em 2007, quando foi lançada a licitação e apresentado o projeto básico. As obras tiveram início efetivo no ano seguinte, com previsão inicial de conclusão em 2012. O cronograma, porém, enfrentou sucessivos atrasos e a construção avançou em etapas ao longo de mais de uma década, atravessando as gestões de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e, posteriormente, de Jair Bolsonaro. Trata-se, portanto, de um empreendimento que envolveu diferentes administrações.

No governo Jair Bolsonaro, foram concluídos trechos remanescentes e implementados dois ramais que não integravam o núcleo original do projeto: o Ramal do Agreste, com 71 quilômetros de extensão, e o Ramal do Apodi, com 115 quilômetros, responsável por levar água ao Rio Grande do Norte — justamente o trecho citado por Flávio Bolsonaro em seu discurso. Esses complementos ampliaram o alcance da obra, mas não representam a totalidade da transposição, cujos canais principais já haviam sido construídos nas gestões anteriores.

A transposição do Rio São Francisco, em seu conjunto, ainda não foi totalmente entregue à população. O presidente Lula, em seu mandato atual, prometeu concluir a obra integralmente ainda neste ano. A divergência sobre quem fez o quê reflete o tom da disputa eleitoral, em que realizações de cada administração são destacadas por seus aliados e questionadas pelos opositores. É comum que projetos de grande porte, que ultrapassam mandatos sucessivos, tenham autoria reivindicada por diferentes grupos políticos.

Cabe à população compreender a dimensão real de um empreendimento que é fruto de decisões tomadas ao longo de décadas. A transposição é obra de Estado, não apenas de um ou outro governo. Cada etapa teve seus responsáveis, seus avanços e suas dificuldades. O importante é que a água chegue às torneiras de quem precisa, de forma contínua e garantida, e que o progresso não seja interrompido por disputas que nada têm a ver com o bem-estar do povo nordestino. A verdade sobre cada passo dado ficará registrada para a história, independente de quem fale sobre ela.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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