Janja envia mensagem a Kátia Abreu e diz que manterá presença na campanha de Lula

A polêmica em torno da atuação pública da primeira-dama Janja Lula da Silva ganhou novos desdobramentos nesta semana. Após críticas levantadas em reunião interna do PT, a imprensa noticiou que Janja teria enviado uma mensagem direta à ex-senadora Kátia Abreu, recém-filiada ao partido, deixando claro que não pretende reduzir sua participação na campanha rumo ao segundo turno. Na mensagem atribuída a ela, a primeira-dama explica que suas aparições são fruto de decisão do presidente Lula, a quem se refere como “meu marido”, reafirmando que continuará ao lado dele nas agendas de campanha.
Contato pelo jornal O Globo, Kátia Abreu negou ter recebido a mensagem. A assessoria da primeira-dama, por sua vez, emitiu nota oficial em que reforça a continuidade da presença de Janja nos eventos. “Independente do que falem, Janja seguirá na campanha. Sua participação é legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula”, registra o comunicado. A postura sinaliza que não haverá recuo quanto à exposição pública da primeira-dama, mesmo diante de avaliações internas que apontam a necessidade de ajustes na estratégia de comunicação.
As críticas surgiram durante encontro de militantes e dirigentes para definir os rumos da disputa presidencial. Kátia Abreu foi a primeira a levantar o tema, recebendo aplausos de parte dos presentes. Segundo relatos, ao menos três coordenadores da campanha manifestaram preocupação com o perfil de exposição da primeira-dama e defenderam maior protagonismo do vice-presidente Geraldo Alckmin nos palanques e nas peças de comunicação. A avaliação é de que a imagem de Alckmin pode ressoar de forma mais ampla junto a eleitores de centro e a parcelas do eleitorado que ainda buscam se decidir.
Em entrevista ao UOL News, Kátia Abreu explicou que não esperava que suas palavras fossem divulgadas externamente. Ela reafirmou, no entanto, o sentido de suas observações: acredita que a campanha precisa corrigir rumos para ampliar a base de apoio. “O que eu quero, o que todos os progressistas querem e muita gente do centro, como eu, queremos é ganhar a eleição. E só se ganha corrigindo o que precisa ser ajustado. Isso não significa que minha palavra é lei, é apenas uma contribuição para que não percamos”, destacou. A fala reforça que as observações partem de preocupação com o resultado e não de oposição pessoal.
A questão coloca em debate a composição da imagem pública da chapa no segundo turno. Alckmin, que representa a aliança com setores moderados, tem sido apontado como um ativo a ser mais explorado, especialmente em estados e regiões onde a disputa é mais acirrada. Já a presença de Janja é vista por seus apoiadores como elemento de aproximação com parcelas importantes do eleitorado, em especial mulheres, jovens e lideranças comunitárias. O desafio da campanha, portanto, é conciliar diferentes visões para construir uma mensagem que alcance o maior número possível de brasileiros.
O debate interno revela a vitalidade do partido em buscar caminhos que levem à vitória. A divergência de pontos de vista não é sinal de fragilidade, mas de que diferentes olhares estão sendo levados em conta. Cada sugestão, cada avaliação e cada posicionamento buscam o mesmo objetivo: apresentar ao país um projeto coeso e atraente. O que se espera agora é que essas discussões resultem em ações claras, em comunicação eficaz e em agendas que aproximem o candidato de todos os que podem fazer a diferença no dia 25 de outubro.
A reta final da campanha exige unidade, clareza e foco no que realmente importa para o eleitor. As pessoas buscam propostas concretas, respeito entre os candidatos e a certeza de que o futuro do país está em boas mãos. Que os ajustes necessários sejam feitos com serenidade, que as diferenças se transformem em força e que a mensagem que chegue ao cidadão seja a de um projeto que valoriza cada brasileiro. A decisão final pertence ao povo, e é para ele que todo o esforço deve estar direcionado.





