A primeira-dama, Janja, continua sendo duramente criticada pelos aliados de Lula

Críticas à primeira-dama Janja cresceram nos bastidores do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado do primeiro turno das eleições de 2026. Segundo reportagem de Diego Amorim, do Estado de Minas, aliados do presidente passaram a fazer avaliações reservadas sobre a atuação de Janja durante o mandato e, principalmente, na campanha eleitoral. O assunto é tratado como delicado dentro do Palácio do Planalto, onde integrantes do grupo de Lula evitariam abordar publicamente a influência da primeira-dama.
De acordo com relatos ouvidos pela reportagem, parte dos aliados considera que Janja passou a exercer influência significativa sobre decisões políticas e sobre a rotina do presidente. Uma liderança próxima de Lula afirmou, sob reserva, que haveria dificuldade entre os aliados para apresentar críticas diretamente ao presidente por causa da reação que o assunto provoca. A reportagem também relata que um integrante que tentou alertar Lula sobre a insatisfação nos bastidores teria sido repreendido e prometido não voltar a mencionar o nome da primeira-dama em conversas com o presidente.
A atuação de Janja também passou a ser relacionada às discussões internas sobre a condução da campanha no primeiro turno. O resultado eleitoral abriu espaço para uma avaliação sobre decisões tomadas durante a disputa, incluindo a participação da primeira-dama em atos públicos e sua influência sobre a agenda do presidente. Nesse contexto, aliados passaram a discutir reservadamente se o espaço ocupado por Janja na campanha teria sido maior do que o considerado adequado por parte da equipe.
Influência de Janja sobre Lula entra no debate
Um dos pontos mencionados pelo Estado de Minas é a relação de Janja com Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República e responsável pela comunicação do governo. Segundo a reportagem, os dois não teriam uma relação considerada das melhores nos bastidores. O texto também cita como exemplo uma sugestão feita por Janja para que Lula usasse um chapéu depois de uma cirurgia na cabeça, ideia que teria prevalecido apesar da resistência de integrantes da equipe mais próxima do presidente.
Outro motivo de reclamação envolve a distância de Lula em relação ao público durante atos de campanha no primeiro turno. Governadores e candidatos petistas teriam reclamado que o presidente manteve pouco contato direto com eleitores durante algumas agendas nos estados, enquanto a justificativa apresentada pela primeira-dama estaria relacionada a questões de segurança. A reportagem afirma que alguns aliados resumiram internamente a situação dizendo que a redução desse contato teria ocorrido por orientação de Janja.
A primeira-dama também é descrita na reportagem como uma das principais conselheiras políticas de Lula. Um parlamentar petista ouvido sob reserva afirmou que Janja teria assumido um papel relevante ao transmitir informações ao presidente e participar das decisões, embora tenha ressaltado que sua influência não estaria relacionada ao fato de ela ser mulher, mas à posição que passou a ocupar no círculo político mais próximo de Lula. Para esse aliado, essa dinâmica teria contribuído para uma visão considerada mais restrita sobre determinados acontecimentos políticos.
Participação na campanha também é questionada
A postura de Janja contra o deputado Nikolas Ferreira também aparece entre os episódios citados nas críticas internas. Durante um ato de campanha em Minas Gerais, a primeira-dama chamou o parlamentar de “piá de bosta”, depois de uma série de provocações públicas feitas por ele. Segundo a reportagem, aliados passaram a avaliar o episódio dentro de uma discussão mais ampla sobre a exposição de Janja na campanha e seus efeitos políticos.
A participação da primeira-dama nos palanques também gerou questionamentos entre integrantes da campanha. O Estado de Minas relata que não houve consenso dentro da equipe sobre a transformação de Janja em uma espécie de participante artística dos atos, com aparições no palco, canto e interpretação de músicas em apresentações feitas em playback. Uma das fontes ouvidas pela coluna afirmou que Janja teria aparecido mais do que o vice-presidente Geraldo Alckmin durante a campanha.
Outro ponto mencionado envolve a relação de Janja com artistas alinhados ao PT. Segundo relatos apresentados pelo Estado de Minas, a primeira-dama avaliaria que manifestações públicas de artistas favoráveis a Lula ainda teriam importância eleitoral e, por isso, buscaria manter proximidade com esses nomes. Parte da equipe do presidente, entretanto, teria uma avaliação diferente e consideraria que esse tipo de apoio é relevante, mas estaria sendo superestimado dentro da estratégia política.
Críticas aumentam após resultado do primeiro turno
O crescimento das críticas ocorre justamente durante o processo de autocrítica iniciado no entorno de Lula depois do primeiro turno. Outros relatos publicados nesta semana também apontaram insatisfação dentro do PT com o espaço ocupado por Janja e com decisões tomadas durante a campanha, enquanto a primeira-dama continua participando das atividades eleitorais com o respaldo do presidente. A assessoria de Janja afirmou que sua participação na campanha é legítima e conta com o apoio de Lula.
A discussão sobre o papel de Janja, portanto, passou a integrar o conjunto de questões avaliadas nos bastidores da campanha para o segundo turno. Ao mesmo tempo, os relatos são baseados em avaliações reservadas de aliados e integrantes do grupo político de Lula, enquanto a primeira-dama mantém presença nas atividades eleitorais. O tema permanece sensível dentro do Planalto justamente pela proximidade de Janja com o presidente e pela dificuldade relatada por interlocutores em apresentar críticas diretamente a Lula.





