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Pesquisa Atlas entrevistou mais de 5 mil pessoas e mostra como está a corrida à Presidência da República

A pesquisa Atlas/Bloomberg mostra Luiz Inácio Lula da Silva com 43,4% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 33,7%, enquanto Augusto Cury registra 7,8% e Renan Santos chega a 7,6%, configurando uma disputa mais acirrada pela terceira posição. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira, 31 de agosto, e apresenta um cenário no qual Lula mantém vantagem importante sobre o principal adversário, embora também sejam observadas mudanças relevantes entre os demais candidatos.

O levantamento Atlas/Bloomberg ouviu 5.014 pessoas entre os dias 25 e 30 de agosto, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, e a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-07972/2026. Portanto, a diferença entre Augusto Cury e Renan Santos, de apenas 0,2 ponto percentual, está dentro da margem de erro e caracteriza um empate técnico entre os dois candidatos.

O resultado também revela uma alteração importante em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, divulgado em julho. Naquela pesquisa, Lula tinha 44,9%, Flávio Bolsonaro registrava 35,8%, Renan Santos aparecia com 7,8% e Augusto Cury tinha apenas 1,6%, enquanto agora Cury avançou para 7,8% e passou a disputar diretamente a terceira colocação. Dessa maneira, embora Lula e Flávio continuem concentrando a maior parte das intenções de voto, a movimentação entre os candidatos que vêm atrás pode ganhar importância durante a campanha.

Atlas mostra Lula na liderança da eleição de 2026

A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno é de 9,7 pontos percentuais, uma diferença que permanece significativa mesmo considerando a margem de erro do levantamento. O presidente aparece com 43,4%, enquanto o senador do PL registra 33,7%, deixando os dois principais candidatos em uma faixa muito superior à dos demais concorrentes. Assim, a pesquisa mantém a polarização entre petistas e bolsonaristas como o principal eixo da disputa presidencial, apesar do crescimento observado entre nomes da chamada terceira via.

Na sequência aparecem Augusto Cury, com 7,8%, e Renan Santos, com 7,6%, enquanto Ronaldo Caiado registra 3,3%. Pablo Marçal alcança 1,9%, Romeu Zema fica com 1%, Samara registra 0,9%, e Rui Costa Pimenta e Wilson Grassi aparecem com 0,1% cada, segundo o cenário divulgado pela Atlas. Brancos e nulos somam 0,1%, enquanto 0,2% dos entrevistados disseram não saber em quem votar, indicando uma parcela muito pequena de indecisos nessa simulação estimulada.

O crescimento de Augusto Cury é um dos pontos que mais chamam atenção no levantamento, principalmente porque o candidato havia registrado somente 1,6% na pesquisa anterior da Atlas/Bloomberg. Em pouco mais de um mês, portanto, Cury avançou 6,2 pontos percentuais e alcançou uma posição próxima à de Renan Santos, que anteriormente aparecia isolado na terceira colocação. Esse movimento precisa ser acompanhado nas próximas pesquisas, pois a manutenção desse patamar poderá alterar a disputa pelo espaço ocupado pelos candidatos que não pertencem aos dois principais polos eleitorais.

Lula e Flávio Bolsonaro continuam à frente

A pesquisa Atlas também avaliou cenários de segundo turno, nos quais Lula aparece à frente de seus principais adversários. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente registra 47,1% das intenções de voto, contra 42,6% do senador, uma diferença de 4,5 pontos percentuais. O resultado mostra uma vantagem numérica do petista, mas também revela uma disputa competitiva, especialmente porque pesquisas de outros institutos realizadas em agosto apresentaram cenários de empate técnico entre os dois nomes.

A comparação com levantamentos recentes ajuda a dimensionar essa diferença metodológica entre as pesquisas eleitorais. No Datafolha divulgado em agosto, por exemplo, Lula aparecia com 47% e Flávio com 43% em uma simulação de segundo turno, enquanto o PoderData apontava 45% para o presidente e 44% para o senador. Portanto, embora diferentes institutos mostrem Lula numericamente à frente em determinados cenários, a intensidade dessa vantagem varia conforme a metodologia, o período de coleta e a composição da amostra.

No primeiro turno, por sua vez, o levantamento da Atlas apresenta um quadro diferente daquele observado na pesquisa BTG/Nexus divulgada no mesmo período. Na sondagem da Atlas, Lula tem 43,4%, Flávio aparece com 33,7%, Cury registra 7,8% e Renan Santos fica com 7,6%, enquanto a pesquisa BTG/Nexus aponta Lula com 39%, Flávio com 33% e Cury com 9%. As diferenças reforçam que os números de uma pesquisa não devem ser interpretados isoladamente, mas comparados com cuidado e sempre levando em consideração a metodologia utilizada por cada instituto.

Pesquisa Atlas muda disputa pela terceira via

O avanço de Augusto Cury representa uma das principais novidades do levantamento porque reduz a distância entre os candidatos que disputam a terceira colocação. Renan Santos havia aparecido com 7,8% na pesquisa Atlas de julho, enquanto Cury tinha 1,6%, mas agora os dois estão praticamente empatados, respectivamente com 7,6% e 7,8%. Consequentemente, a disputa por esse espaço do eleitorado tende a ganhar maior relevância à medida que a campanha presidencial avançar e os candidatos ampliarem sua exposição nacional.

O resultado também mostra que a corrida presidencial continua aberta em vários aspectos, apesar da liderança de Lula no primeiro turno. A diferença entre os dois primeiros colocados permanece ampla na primeira etapa, enquanto a aproximação de Cury e Renan Santos pode provocar mudanças na estratégia dos partidos que tentam conquistar eleitores fora da polarização tradicional. Por isso, os próximos levantamentos serão importantes para verificar se o crescimento de Cury será consolidado ou se os números voltarão a apresentar uma distribuição semelhante à registrada anteriormente.

A pesquisa Atlas/Bloomberg deve ser entendida, portanto, como uma fotografia do cenário eleitoral entre 25 e 30 de agosto, e não como uma previsão do resultado das urnas. Lula aparece na liderança, Flávio Bolsonaro permanece como principal adversário e Augusto Cury surge como um dos nomes que mais avançaram recentemente, enquanto Renan Santos continua próximo na disputa pela terceira posição. Com a campanha ainda em andamento, novas pesquisas poderão mostrar se essas tendências serão mantidas e se a distância entre os principais candidatos permanecerá nos atuais níveis até a eleição.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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