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Lula aciona o MPF por suspeita de criptoativos em propaganda para Flávio Bolsonaro

Lula pede para MPF apurar pagamento de criptoativos para favorecer Flávio Bolsonaro

Lula pede para MPF apurar pagamentos em criptoativos ligados à propaganda eleitoral

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Ministério Público Federal (MPF) para solicitar a investigação de possíveis pagamentos em criptoativos relacionados à divulgação de conteúdo favorável à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa foi apresentada pelos advogados da campanha em 8 de outubro de 2026, após a divulgação de informações sobre um site que ofereceria ativos digitais em troca de publicidade política. O caso levanta questionamentos sobre o financiamento de propaganda eleitoral na internet, a identificação de responsáveis por publicações patrocinadas e o cumprimento das regras que disciplinam a disputa por votos no Brasil. Segundo os representantes jurídicos do PT, a movimentação envolveria a criação de um ativo virtual e sua transferência para uma carteira digital associada, conforme alegado, a um grupo estrangeiro. Entretanto, as informações apresentadas constituem suspeitas que precisam ser verificadas pelas autoridades, e não uma comprovação de participação direta da campanha de Flávio no episódio.

Como teria funcionado o suposto pagamento com criptomoedas?

De acordo com a representação apresentada pelo PT, um site registrado nos Estados Unidos começou a funcionar em 6 de outubro e se descrevia como uma iniciativa de apoio ao voto no número 22, associado ao PL nas eleições. Os advogados afirmam que, na noite seguinte, uma carteira digital abastecida por meio da corretora Binance teria sido utilizada em operações envolvendo a criação do ativo virtual identificado como B22. Conforme a cronologia relatada na petição, 120 milhões de unidades desse ativo foram transferidas para uma carteira que o próprio site apresentaria como pertencente ao grupo infantil de dança ugandense HypersKids. A sequência das operações financeiras é um dos pontos que a campanha de Lula pede para serem examinados. Contudo, a existência de transações digitais, por si só, não esclarece quem controlava as carteiras, qual era a finalidade econômica dos ativos ou se houve efetivamente um acordo para remunerar propaganda eleitoral. Esses elementos dependem de investigação técnica e documental.

Vídeo de perfil estrangeiro entra no centro da denúncia

A representação também destaca uma publicação feita no Instagram por um perfil de crianças africanas que, segundo os dados citados pelos advogados, contava com aproximadamente 12,9 milhões de seguidores. De acordo com a versão apresentada pelo PT, o vídeo foi divulgado cerca de 11 minutos depois da transferência dos criptoativos e mostrava participantes usando camisetas com a marca B22 Token, além de uma mensagem de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Para os representantes da campanha petista, a proximidade temporal entre a operação digital e a publicação justificaria a apuração de uma possível relação entre os acontecimentos. Ainda assim, a sequência dos horários não demonstra automaticamente que o vídeo tenha sido pago com os ativos mencionados. Será necessário verificar a autenticidade dos registros, a titularidade das carteiras, a origem dos recursos e a existência de comunicação entre os responsáveis pelas operações e os administradores do perfil. Até que esses pontos sejam esclarecidos, a ligação entre o pagamento e a propaganda permanece sob suspeita.

O que Lula e o PT pedem ao Ministério Público Federal?

A campanha de Lula solicita que o Ministério Público Federal examine os fatos e adote medidas para preservar os registros digitais relacionados ao site, às carteiras de criptoativos e aos perfis que publicaram conteúdo político. A intenção é evitar que informações potencialmente relevantes sejam apagadas antes de uma eventual análise pelas autoridades competentes. Além disso, os advogados pedem a cooperação internacional com órgãos dos Estados Unidos para tentar identificar os responsáveis pelas contas e pelas atividades associadas à página. Esse pedido ganha relevância porque operações com ativos digitais e serviços hospedados em diferentes países podem envolver empresas, plataformas e titulares sujeitos a jurisdições distintas. Dessa maneira, a apuração poderá exigir procedimentos formais para obtenção de dados, análise de transações e preservação de evidências eletrônicas. A apresentação da representação, entretanto, não significa que o MPF já tenha confirmado a ocorrência de crime ou concluído que os responsáveis pelo site atuaram em nome de qualquer candidatura.

Propaganda eleitoral na internet e legislação brasileira

Pagamentos em criptoativos podem levantar questões sobre a lei eleitoral

Outro ponto levantado pelos advogados do PT é a divulgação de propaganda em inglês por meio de um perfil estrangeiro, aparentemente direcionada ao eleitorado brasileiro. A representação menciona o artigo 335 do Código Eleitoral e pede que essa circunstância seja examinada pelas autoridades. A análise jurídica, contudo, depende de elementos como a natureza da publicação, sua finalidade, a eventual existência de remuneração e a identificação de quem organizou ou financiou a ação. Além disso, a utilização de criptomoedas pode dificultar a identificação imediata dos envolvidos, embora as transações registradas em determinadas redes de blockchain possam ser examinadas tecnicamente. É importante observar que o registro de uma movimentação digital não revela necessariamente, por si só, a identidade civil de quem controla uma carteira. Por isso, a investigação poderá precisar de dados de plataformas, registros de acesso e cooperação com autoridades estrangeiras. A eventual responsabilização dependerá da comprovação dos fatos e do enquadramento jurídico adequado, com respeito ao direito de defesa dos envolvidos.

Campanha de Flávio Bolsonaro nega relação com o site

Procurada sobre o caso, a assessoria de Flávio Bolsonaro negou que a campanha tenha relação com o site que ofereceria criptomoedas em troca de divulgação política. Segundo a manifestação, a equipe afirma desconhecer os responsáveis pela página e seu conteúdo, além de declarar que pretende adotar medidas judiciais para retirar o endereço do ar. A assessoria também negou a contratação de perfis para promover produtos ou conteúdos em favor do candidato e informou que os canais oficiais da campanha foram comunicados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme as regras aplicáveis. Essa resposta constitui a posição apresentada pela campanha diante das acusações e deve ser considerada na cobertura do episódio. Portanto, não é possível atribuir diretamente à candidatura a autoria do site ou das supostas transferências sem evidências que sustentem essa ligação. A investigação solicitada pelo PT poderá ajudar a esclarecer se houve atuação coordenada, quem administrava a iniciativa e se existia algum vínculo com estruturas eleitorais oficiais ou paralelas.

O que pode acontecer após a denúncia sobre o B22 Token?

O pedido apresentado ao MPF abre caminho para que os fatos sejam avaliados pelas autoridades competentes, caso sejam adotadas as medidas de apuração solicitadas. Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão a identidade dos responsáveis pelo site, o controle das carteiras digitais, a origem e o destino dos criptoativos e a possível relação entre as operações financeiras e o vídeo publicado no Instagram. Também será necessário verificar se houve pagamento por propaganda eleitoral, quem teria contratado o conteúdo e se alguma regra brasileira foi violada. Caso sejam identificados indícios concretos de irregularidade, poderão ser tomadas providências dentro das competências legais de cada órgão. Por outro lado, se as evidências não confirmarem as suspeitas, essa conclusão também deverá ser considerada. Até o momento, a campanha de Lula apresentou uma representação baseada em uma sequência de acontecimentos que considera suspeita, enquanto a equipe de Flávio Bolsonaro negou envolvimento. Assim, o desfecho dependerá da análise das evidências digitais, da cooperação internacional e das conclusões formais das autoridades, sem antecipar responsabilidades antes da apuração.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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