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Após vitória de Lula, aliados de Paes pressionam STF por novo turno no RJ

Após vitória de Lula, aliados de Paes buscam 2º turno para governo do RJ

A disputa pelo governo do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Aliados do prefeito Eduardo Paes (PSD) iniciaram uma mobilização nas redes sociais para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a rever o resultado da eleição estadual e permitir a realização de um segundo turno. O movimento surgiu depois que Douglas Ruas (PL) foi declarado governador eleito no primeiro turno, após uma recontagem dos votos determinada pela Justiça Eleitoral. No centro da controvérsia está a exclusão dos 274.411 votos atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos), cuja candidatura teve o registro indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto o PSD contesta os critérios utilizados para calcular o resultado, a decisão sobre o pedido ainda depende da análise judicial. Assim, a mobilização política passou a dividir espaço com uma discussão jurídica sobre a validade dos votos e as regras para definir a necessidade de um segundo turno.

Após vitória de Lula, aliados de Paes ampliam pressão por novo turno no RJ

A campanha digital em defesa de uma nova votação começou na segunda-feira, 26 de outubro, um dia depois da eleição presidencial. Deputados, vereadores e outras lideranças políticas ligadas a Eduardo Paes passaram a divulgar o canal “Exército do Dudu”, criado para reunir apoiadores e estimular a pressão pública sobre o STF. A iniciativa foi inspirada no “Exército do Lula”, canal associado à mobilização digital em apoio ao presidente reeleito e criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Até o início da tarde mencionado no relato, o grupo ligado a Paes já reunia mais de 40 mil participantes. Além disso, publicações compartilhadas no canal defendiam que os votos dados a Garotinho não deveriam ter sido simplesmente retirados do cálculo para determinar se a disputa exigia uma segunda etapa. Segundo os apoiadores, o resultado favoreceu diretamente Douglas Ruas. Entretanto, a mobilização nas redes sociais representa uma estratégia política de pressão, e não uma decisão capaz de alterar, por si só, o resultado oficial da eleição.

Como surgiu a controvérsia sobre os votos de Garotinho?

O caso começou a produzir consequências eleitorais depois que o registro da candidatura de Anthony Garotinho foi indeferido pelo TSE. Com isso, 274.411 votos relacionados à candidatura foram anulados e deixaram de integrar o cálculo utilizado para determinar o resultado da eleição. Em 10 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) realizou a retotalização dos votos e declarou Douglas Ruas eleito governador ainda no primeiro turno. Após a atualização, Ruas passou a contabilizar 50,88% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes ficou com 44,16%. A diferença foi decisiva para a declaração de vitória sem a necessidade de uma nova votação. O PSD, porém, questiona justamente o critério aplicado para chegar a esse resultado. O partido sustenta que a participação de Garotinho na eleição deve ser considerada na avaliação sobre a necessidade de um segundo turno, argumento que agora será examinado no âmbito judicial.

STF analisa pedido do PSD para restabelecer segundo turno no Rio

O diretório nacional do Partido Social Democrático protocolou uma ação no STF em 14 de outubro para contestar a exclusão dos votos de Garotinho do cálculo eleitoral. A legenda solicita que seja restabelecida a disputa entre Douglas Ruas e Eduardo Paes, com a realização de um segundo turno. Inicialmente, o partido pediu uma decisão urgente para que a votação ocorresse em 25 de outubro. Caso isso não fosse possível, solicitou que outra data fosse estabelecida antes da diplomação ou da posse do governador eleito. O principal argumento do PSD é que os votos atribuídos a um candidato que participou da eleição, ainda que posteriormente considerado inelegível, deveriam ser levados em conta para avaliar a necessidade de uma segunda rodada. Por outro lado, o resultado oficial divulgado pelo TRE-RJ foi calculado após a retirada desses votos, conforme o entendimento aplicado pela Justiça Eleitoral. Portanto, a controvérsia depende da interpretação jurídica das regras eleitorais e dos efeitos da anulação sobre o cálculo do percentual de votos válidos.

Cristiano Zanin é o relator do processo no Supremo

A ação apresentada pelo PSD foi distribuída ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. A escolha ocorreu pelo mecanismo de prevenção, utilizado para encaminhar um novo processo a um ministro que já atua em uma ação relacionada ao mesmo assunto. Na petição inicial, o partido solicitou que os ministros Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli não fossem escolhidos como relatores, alegando que eles haviam participado do julgamento do caso no TSE. Zanin, por sua vez, já havia rejeitado uma tentativa anterior da campanha de Paes de suspender a decisão da Justiça Eleitoral. Na ocasião, o ministro apontou que ainda existiam medidas processuais que poderiam ser apresentadas no próprio Tribunal Superior Eleitoral. Posteriormente, em 19 de outubro, ele solicitou que o TSE fornecesse informações sobre o resultado da eleição para governador no Rio de Janeiro, estabelecendo prazo de cinco dias para a resposta. Dessa forma, o processo passou a reunir informações da Justiça Eleitoral que poderão ser consideradas na análise do pedido.

Eduardo Paes questiona legitimidade do resultado eleitoral

Depois de reconhecer a derrota, Eduardo Paes manifestou insatisfação com a forma como a eleição foi definida. O prefeito afirmou que, apesar dos questionamentos feitos por sua campanha sobre a situação jurídica de Anthony Garotinho, o ex-governador pôde participar da disputa, e sua candidatura teria interferido no processo eleitoral. Em uma publicação, Paes criticou o que considerou uma falta de legitimidade no resultado e declarou que aceitar uma derrota faz parte do processo democrático, mas rejeitou o que chamou de armação. A manifestação expressa a posição política do prefeito e de seu grupo, que defendem uma revisão dos critérios utilizados pela Justiça Eleitoral. Entretanto, a contestação pública não comprova, por si só, que tenha ocorrido irregularidade. Essa conclusão depende da análise das normas aplicáveis, dos documentos do processo e dos fundamentos apresentados pelas partes. Por isso, a diferença entre crítica política e decisão judicial é essencial para compreender o estágio atual da disputa.

O que pode acontecer com a eleição para governador do RJ?

O futuro da eleição depende da análise do pedido apresentado pelo PSD e das informações solicitadas ao TSE. Caso a Justiça acolha a tese do partido, poderá haver uma mudança no encaminhamento do processo eleitoral, inclusive com a discussão sobre a realização de um segundo turno. Por outro lado, se o entendimento que sustentou a retotalização for mantido, a declaração de vitória de Douglas Ruas poderá permanecer válida, conforme os efeitos da decisão aplicável. O PSD também pediu que qualquer solução fosse adotada antes da diplomação ou da posse, demonstrando a preocupação do partido com o calendário institucional. Ainda assim, a apresentação de uma ação não garante que o pedido será aceito, nem significa que uma nova votação já tenha sido autorizada. Enquanto não houver uma definição judicial, a disputa permanece concentrada nos argumentos jurídicos sobre a exclusão dos votos de Garotinho e os critérios para determinar a necessidade de segundo turno.

Mobilização pelo segundo turno mantém disputa política no centro do debate

A campanha pelo “Exército do Dudu” mostra como as redes sociais passaram a ser utilizadas para ampliar a pressão pública em disputas eleitorais e judiciais. Com milhares de participantes, a iniciativa de aliados de Eduardo Paes procura dar visibilidade à ação do PSD no STF e mobilizar apoiadores em torno da defesa de uma nova votação. Ao mesmo tempo, a declaração de Douglas Ruas como governador eleito pelo TRE-RJ continua sendo o resultado oficial decorrente da retotalização descrita no caso. A controvérsia, portanto, envolve duas dimensões: a disputa política entre os grupos ligados a Paes e Ruas e a interpretação jurídica sobre o tratamento dos votos de uma candidatura com registro indeferido. Em síntese, o desfecho dependerá dos fundamentos examinados pelo Supremo e das decisões adotadas pelas instâncias competentes. Até lá, a mobilização digital aumenta a repercussão do caso, mas não substitui os procedimentos legais necessários para modificar o resultado eleitoral.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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