Segundo turno: estes são os partidos e candidatos que apoiam Flávio Bolsonaro ou Lula

Veja os partidos que declararam apoio a Flávio Bolsonaro e a Lula
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 já começa a provocar uma nova movimentação no cenário político brasileiro. Com Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificados para a disputa marcada para 25 de outubro, partidos, candidatos derrotados e lideranças políticas passaram a definir seus posicionamentos. No primeiro turno, Flávio terminou na liderança, com 47,03% dos votos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Agora, os apoios conquistados pelos dois candidatos podem desempenhar papel importante na tentativa de ampliar suas bases eleitorais. Entretanto, nem todos os concorrentes que ficaram pelo caminho decidiram imediatamente qual caminho seguir. Dessa forma, o quadro de alianças ainda está em formação e pode sofrer novas mudanças nos próximos dias.
Veja quem declarou apoio a Flávio Bolsonaro
Entre os nomes que já anunciaram apoio a Flávio Bolsonaro estão os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), além do escritor Augusto Cury (Avante) e de Clariana Barão (DC). A adesão dessas lideranças representa uma tentativa de transferir parte dos votos obtidos no primeiro turno para o candidato do PL. Embora a transferência de votos não seja automática, os apoios públicos podem contribuir para ampliar a exposição da campanha e aproximar diferentes grupos políticos. Além disso, a estratégia permite que Flávio apresente uma frente mais ampla contra o PT. O primeiro apoio de maior repercussão veio de Romeu Zema, que havia disputado a Presidência e terminou com 0,27% dos votos, cerca de 326,5 mil votos.
Romeu Zema e Ronaldo Caiado reforçam campanha de Flávio
Zema anunciou sua decisão na segunda-feira (5), utilizando as redes sociais para justificar sua escolha. O ex-governador de Minas Gerais afirmou que não pretendia permanecer neutro diante da possibilidade de o PT continuar no comando do governo federal por mais quatro anos. Além disso, lembrou que já havia apoiado Jair Bolsonaro nos segundos turnos de 2018 e 2022. Na avaliação de Zema, portanto, o segundo turno de 2026 representa a continuidade de uma posição política que já vinha sendo adotada em eleições anteriores. Ronaldo Caiado, por sua vez, oficializou seu apoio na terça-feira (6), durante um evento realizado em Goiânia. O ex-governador de Goiás, que recebeu 2,18% dos votos, declarou que estará ao lado de Flávio para tentar derrotar o PT. Assim, duas importantes lideranças do campo de oposição ao petismo passaram a integrar a campanha do senador.
Augusto Cury também decidiu apoiar Flávio Bolsonaro. Terceiro colocado no primeiro turno, o escritor recebeu 2,89% dos votos, aproximadamente 3,45 milhões de votos em números absolutos. O anúncio ocorreu na quinta-feira (8), depois de Cury ter informado, no dia anterior, que faria uma manifestação sobre o segundo turno. Por outro lado, Clariana Barão declarou apoio ao candidato do PL na quarta-feira (7), após participar de uma reunião com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal. Ela obteve 0,03% dos votos, cerca de 40 mil votos. Apesar do apoio, Clariana apresentou uma condição política importante: afirmou esperar que Flávio preserve direitos conquistados pelas mulheres e defendeu que pelo menos metade das indicações ao Supremo Tribunal Federal seja destinada a mulheres.
Veja quais partidos declararam apoio a Lula
Do outro lado da disputa, Lula passou a receber declarações de apoio de partidos e candidatos identificados com a esquerda. Entre as siglas que já manifestaram apoio ao petista estão o PSTU, o PCB e a Unidade Popular (UP). No entanto, cada legenda apresentou uma justificativa própria para sua decisão. Em comum, aparece a avaliação de que a eleição de Flávio Bolsonaro representaria uma mudança considerada negativa para seus projetos políticos e sociais. Portanto, embora estejam apoiando o mesmo candidato no segundo turno, as organizações não necessariamente compartilham integralmente a agenda do PT. Em alguns casos, o apoio foi classificado como crítico e acompanhado de cobranças específicas.
UP, PSTU e PCB defendem derrota de Flávio
A Unidade Popular declarou apoio à candidatura de Lula na quinta-feira (8). A posição foi anunciada por Samara Martins, que disputou a Presidência pela legenda, e pelo presidente nacional do partido, Leonardo Péricles Vieira Roque. Samara recebeu aproximadamente 0,10% dos votos, o equivalente a cerca de 123 mil votos. Ao anunciar a decisão, a UP convocou seus militantes para atuar na campanha e defendeu pautas como o combate ao feminicídio, o fim da escala de trabalho 6×1, a nacionalização de riquezas e o aumento do salário mínimo. A legenda também apresentou sua escolha como uma mobilização contra aquilo que classifica como avanço do fascismo.
O PSTU, por sua vez, declarou apoio crítico a Lula na quarta-feira (7). O candidato Hertz Dias recebeu aproximadamente 0,04% dos votos, cerca de 43,1 mil. Em sua justificativa, Hertz afirmou que um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderia representar, na avaliação do partido, novos ataques aos trabalhadores e a setores considerados oprimidos. Já o PCB também defendeu a derrota da direita e orientou seus eleitores a votar em Lula. Edmilson Costa, candidato da sigla, afirmou que a prioridade seria preservar as liberdades democráticas e impedir o retorno da extrema direita ao poder. Costa terminou o primeiro turno com aproximadamente 0,02%, ou 22,6 mil votos.
Veja quem ainda não escolheu entre Flávio Bolsonaro e Lula
Enquanto os dois principais candidatos buscam ampliar suas alianças, alguns concorrentes do primeiro turno ainda não anunciaram apoio oficial. Entre eles está Renan Santos, presidente do partido Missão e quarto colocado na disputa presidencial, que recebeu 2,24% dos votos, aproximadamente 2,68 milhões. O posicionamento de Renan passou a ser alvo de especulações depois que ele publicou imagens de uma cortina e de um tapete vermelhos nas redes sociais. A publicação foi interpretada por alguns usuários como uma possível referência ao PT. Entretanto, o próprio candidato rejeitou essa interpretação e afirmou que não pretende votar em Lula. Além disso, disse que não conversou e nem pretende se encontrar com os dois presidenciáveis. Dessa maneira, apesar de não ter declarado apoio a Flávio, Renan deixou clara sua rejeição ao candidato petista.
O PCO, partido de Rui Costa Pimenta, também ainda não definiu sua posição. Segundo a legenda, a decisão será tomada em uma Conferência Nacional, depois de ser discutida pela militância. Dessa forma, o apoio não deverá ser definido individualmente pelo presidente do partido ou por uma reunião fechada da direção. Rui Costa Pimenta terminou a eleição com cerca de 0,01% dos votos, aproximadamente 15 mil. Wilson Grassi, do Democrata, igualmente não anunciou qual candidato apoiará. Ele recebeu cerca de 0,01%, ou 16,8 mil votos, e chegou a publicar um vídeo descontraído nas redes sociais dizendo que teria consultado seus gatos e saruês sobre a escolha, mas não teria chegado a um consenso. Em seguida, pediu aos seguidores que opinassem sobre qual dos dois candidatos deveria receber seu apoio.
O que os apoios podem representar no segundo turno?
Apesar da quantidade de declarações já divulgadas, é importante destacar que apoio político não significa transferência automática de votos. Um eleitor que votou em determinado candidato no primeiro turno possui liberdade para escolher outra opção na etapa seguinte. Por isso, o principal efeito dessas alianças pode estar mais relacionado à capacidade de mobilização, comunicação e influência política do que a uma simples soma matemática dos resultados anteriores. Nesse contexto, Flávio Bolsonaro tenta consolidar uma frente formada principalmente por lideranças de direita e oposição ao PT, enquanto Lula busca ampliar sua sustentação entre partidos e grupos de esquerda. Ao mesmo tempo, os candidatos que ainda não se posicionaram podem ganhar relevância justamente por representarem parcelas do eleitorado que continuam sem uma orientação política definida.
Portanto, o mapa de apoios para o segundo turno de 2026 ainda está em construção. Flávio Bolsonaro já recebeu declarações de apoio de nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Clariana Barão, enquanto Lula conta com manifestações oficiais do PSTU, PCB e UP. Entretanto, Renan Santos, Rui Costa Pimenta e Wilson Grassi ainda não definiram publicamente uma aliança. Assim, os próximos dias deverão ser marcados por novas negociações, manifestações e possíveis mudanças de posicionamento. Afinal, em uma eleição decidida em apenas duas opções, cada grupo político buscará ampliar sua capacidade de convencimento. Nesse cenário, os apoios conquistados podem fortalecer as campanhas, mas o resultado final continuará dependendo, sobretudo, da decisão dos eleitores nas urnas em 25 de outubro.





