Alcolumbre sofre revés e vê crescer rival que pode ameaçar seu comando

Ala do STF vê Alcolumbre enfraquecido e com chance baixa de se reeleger
Resultado no Amapá aumenta pressão sobre Alcolumbre
O resultado das eleições no Amapá abriu uma nova frente de preocupação para o senador Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado Federal. Embora não tenha disputado nenhum cargo neste ciclo eleitoral, o parlamentar acompanhou uma série de derrotas de aliados e adversários políticos conquistando posições estratégicas no Estado. Por isso, segundo a avaliação atribuída a uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF), Alcolumbre teria saído politicamente enfraquecido de seu principal reduto eleitoral. Além disso, a composição que será formada no Senado a partir do próximo ano poderá dificultar seus planos de permanecer no comando da Casa. Dessa maneira, o cenário passou a ser observado não apenas pelo impacto imediato, mas também pelas possíveis consequências para a trajetória política do senador até 2030.
Adversário de Alcolumbre conquista o governo estadual
Um dos principais elementos dessa avaliação está na vitória de Dr. Furlan (PSD) para o governo do Amapá. O político foi eleito ainda no primeiro turno, com aproximadamente 281 mil votos, superando a marca de 62% da votação válida. O resultado ganhou peso porque Furlan é considerado um dos principais adversários políticos de Alcolumbre no Estado. Além disso, a derrota atingiu diretamente o grupo apoiado pelo presidente do Senado, já que o então governador Clécio Luís (União), aliado de Alcolumbre, terminou a disputa com cerca de 165 mil votos. Assim, a diferença expressiva entre os dois candidatos foi interpretada como um sinal de mudança na correlação de forças políticas local. Consequentemente, o resultado passou a ser utilizado como indicador de que o espaço de influência construído por Alcolumbre no Amapá pode estar sendo reduzido.
Ala do STF vê Alcolumbre diante de novas dificuldades no Senado
O revés eleitoral também apareceu na disputa pelas duas vagas destinadas ao Amapá no Senado. Nesse caso, o grupo político ligado a Alcolumbre não conseguiu alcançar o resultado esperado. Rayssa Furlan (Podemos), esposa do governador eleito e integrante do campo adversário, foi eleita senadora. A outra vaga ficou com Lucas Barreto (PSD), também opositor político de Alcolumbre. Portanto, os dois resultados representaram uma derrota importante para o presidente do Senado, que havia apoiado a candidatura da deputada estadual Alliny Serrão (União). Ela terminou apenas na quinta colocação, com pouco mais de 85 mil votos, correspondentes a 9,68%. Ao mesmo tempo, Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo no Congresso e aliado de Alcolumbre, alcançou aproximadamente 163 mil votos, ou 18,55%, mas também não conseguiu uma das vagas. Desse modo, a votação para o Senado reforçou a percepção de que o grupo de Alcolumbre perdeu terreno eleitoral no Estado.
O impacto da nova correlação de forças
Embora a eleição estadual não determine diretamente quem comandará o Senado, seus efeitos políticos podem ser relevantes. Isso ocorre porque a escolha do presidente da Casa depende da formação de alianças entre diferentes partidos e correntes internas. Nesse contexto, a força demonstrada nas urnas pode influenciar negociações, acordos e estratégias para a composição da Mesa Diretora. Segundo a avaliação atribuída a integrantes de uma ala do STF, o cenário do Amapá teria reduzido parte do capital político de Alcolumbre justamente em um momento no qual a disputa pelo comando do Senado deverá ser marcada por maior equilíbrio entre os grupos. Além disso, a ampliação da bancada bolsonarista é apontada como outro fator capaz de alterar as negociações. Assim, a situação de Alcolumbre passou a ser analisada dentro de um quadro nacional mais amplo, e não somente a partir dos resultados obtidos em seu Estado.
Rogério Marinho ganha espaço na disputa pela Presidência do Senado
Nesse novo cenário, o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) aparece como um dos principais beneficiados pela expansão do campo bolsonarista no Senado. Marinho, que ocupa posição de destaque no Partido Liberal e atua na articulação política ligada à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, poderá encontrar um ambiente mais favorável para tentar chegar ao comando da Casa. A avaliação de integrantes do STF mencionados na análise é de que o crescimento da bancada alinhada ao bolsonarismo poderia ampliar a capacidade de negociação de Marinho. No entanto, a eleição para a Presidência do Senado não é definida automaticamente pelo tamanho de uma bancada. Para vencer, é necessário construir maioria entre diferentes partidos e parlamentares, o que torna as negociações decisivas. Portanto, apesar de o cenário ter se tornado mais favorável a uma candidatura de oposição a Alcolumbre, a disputa ainda depende de alianças que poderão ser modificadas ao longo dos próximos meses.
Alcolumbre pode enfrentar consequências até 2030
A avaliação atribuída a uma ala do Supremo também aponta para um problema de prazo mais longo. Além da possibilidade de perder força na disputa pelo comando do Senado no próximo ano, Alcolumbre poderia enfrentar dificuldades para renovar seu mandato nas eleições de 2030. O atual mandato do parlamentar começou em 2023, e a próxima disputa pelo Senado no Amapá poderá ocorrer em um ambiente político diferente daquele que contribuiu para sua eleição. Nesse sentido, o resultado recente é interpretado como um possível sinal de transformação das forças políticas locais. Entretanto, é importante destacar que uma eleição realizada agora não determina, por si só, o resultado de uma disputa que ocorrerá anos depois. Até 2030, novas alianças poderão ser construídas, adversários poderão mudar de posição e o cenário nacional poderá sofrer alterações significativas. Ainda assim, a perda de aliados e a vitória de adversários no Estado são elementos que passaram a fazer parte da equação política de Alcolumbre.
O que a derrota dos aliados significa para o futuro político
Em síntese, a situação de Davi Alcolumbre combina dois desafios diferentes. No curto prazo, o senador precisará enfrentar uma disputa pelo comando do Senado em um ambiente que poderá ser mais favorável à direita e ao bolsonarismo. No longo prazo, terá de reconstruir sua influência no Amapá para chegar a 2030 em condições competitivas. Além disso, o resultado eleitoral mostrou que adversários considerados relevantes conseguiram ampliar sua presença institucional no Estado, enquanto candidatos apoiados diretamente pelo senador tiveram desempenho abaixo do esperado. Por outro lado, Alcolumbre ainda ocupa a Presidência do Senado e mantém experiência, articulação partidária e capacidade de negociação no Congresso Nacional, fatores que não desapareceram com o resultado eleitoral. Portanto, embora uma ala do STF avalie que o parlamentar tenha saído enfraquecido, o verdadeiro impacto político dessa derrota dependerá das alianças que serão formadas, das negociações dentro do Senado e da capacidade do senador de recuperar espaço em seu reduto eleitoral. O próximo ciclo legislativo, assim, deverá mostrar se o revés no Amapá representa apenas uma derrota pontual ou o início de uma mudança mais profunda na trajetória política de Alcolumbre.





