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Flávio Bolsonaro pode ter candidatura cassada por aliança com Marçal

Uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) protocolada pelo Partido dos Trabalhadores no Tribunal Superior Eleitoral traz à tona discussões sobre condutas em redes sociais ligadas a Pablo Marçal, figura pública que tem se manifestado em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A ação levanta a possibilidade de análise sobre eventuais responsabilidades, inclusive com a consequência de cassação de registro, caso sejam comprovadas as irregularidades apontadas. É importante destacar, desde o início, que se trata de alegações apresentadas pela parte autora, que ainda serão objeto de análise pela Justiça Eleitoral.

Na petição, o PT aponta duas linhas principais de preocupação. A primeira refere-se à disseminação de conteúdos classificados como desinformação e imagens manipuladas, conhecidas como deep fakes, por meio do perfil de Pablo Marçal no Instagram. A segunda levanta questionamentos sobre o funcionamento de uma página na internet denominada B22Token, na qual haveria oferta de criptomoedas em troca do compartilhamento de mensagens eleitorais. Segundo um dos advogados que assina a ação, as estratégias recordam práticas que já haviam sido observadas durante a campanha eleitoral de 2024, com ampla circulação de conteúdos sem fonte verificável nas plataformas digitais.

Pablo Marçal é conhecido como influenciador digital e coach, tendo demonstrado interesse em concorrer à Presidência da República nas fases iniciais desta eleição. Atualmente, ele tem se posicionado publicamente em favor de Flávio Bolsonaro. A questão central que será avaliada pelo TSE é se suas ações nas redes sociais podem ser consideradas extensão da campanha oficial do candidato ou se configuram manifestação independente de um apoiador, ponto sobre o qual as partes já apresentam versões diferentes.

Procurado pela reportagem, o senador Flávio Bolsonaro, por meio de sua assessoria, negou que Pablo Marçal faça parte da estrutura organizada de sua campanha. Em resposta à Folha de S.Paulo, a campanha esclareceu: “Pablo Marçal não integra a estrutura da campanha de Flávio Bolsonaro, é um apoiador político publicamente declarado”. A posição oficial é de que as manifestações e iniciativas do influenciador não são coordenadas nem controladas pelo comitê eleitoral.

Cabe agora ao Tribunal Superior Eleitoral receber a manifestação de todas as partes envolvidas, analisar os documentos apresentados e decidir se há elementos suficientes para dar continuidade à investigação. A legislação eleitoral brasileira estabelece que cada candidato responde por atos de sua campanha oficial, mas nem toda manifestação de terceiros pode ser diretamente atribuída ao postulante, exigindo-se prova de vínculo, coordenação ou benefício direto. A Aije é instrumento legal destinado a apurar fatos que possam afetar a lisura do pleito, mas não produz efeito de condenação por si mesma — cada alegação precisa ser demonstrada durante o processo.

A disputa eleitoral acontece também no ambiente digital, onde a velocidade da informação exige atenção redobrada de todos. O eleitor deve ter cuidado ao consumir e compartilhar conteúdos que circulam nas redes, buscando sempre fontes confiáveis e evitando disseminar notícias sem confirmação. Que a Justiça Eleitoral possa examinar este caso com a devida atenção, ouvindo todos os envolvidos e decidindo com base nos fatos comprovados, garantindo assim um debate limpo, transparente e justo para todos os brasileiros.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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