Cleitinho se explica após críticas por vídeo ao lado de Alcolumbre

O senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), precisou se pronunciar nas redes sociais neste sábado (10) após receber críticas de seguidores por ter gravado um vídeo ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para anunciar que a PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6 por 1 será pautada na próxima quarta-feira (14). A publicação gerou comentários questionando a aproximação entre os dois parlamentares.
Uma das seguidoras chegou a manifestar que havia ficado decepcionada com a postura de Cleitinho. Em resposta direta, ele esclareceu: “Eu não votei no Davi e sempre fiz campanha contra, mas ele é o presidente até dezembro. Então, para que meus projetos sejam aprovados, passa por ele. O que eu fiz foi pedir para pautar esse projeto que venho lutando há três anos! Não fiz vídeo elogiando ele ou apoiando ele. O vídeo, além de institucional, é claro: estou pedindo que paute o projeto nesta quarta-feira”, argumentou o parlamentar.
Outro seguidor levantou questionamentos mais amplos, sugerindo que figuras públicas que se aproximam de nomes considerados contrários a certos grupos políticos enfrentam desgaste eleitoral. A observação foi feita no contexto de que Cleitinho é um dos principais apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Em sua resposta, o mineiro reforçou que o apoio à PEC e a necessidade de articulação institucional não significam aliança política: “Só uma observação, eu não votei no Davi. Votei no Eduardo Girão para presidente do Senado”, pontuou para deixar clara sua posição na eleição da Mesa Diretora da Casa.
A PEC do fim da escala 6 por 1 é uma das pautas mais debatidas do momento. A proposta prevê que a jornada de trabalho não ultrapasse cinco dias consecutivos de atividade, garantindo ao menos dois dias de descanso. O tema divide opiniões: trabalhadores e entidades sindicais defendem a mudança como essencial para a saúde e qualidade de vida, enquanto representantes de alguns setores econômicos apontam possíveis impactos operacionais e custos adicionais. A pauta, que já tramita há tempo considerável, ganhou novo fôlego com o anúncio de que será levada ao plenário em breve.
Além da polêmica com o vídeo, Cleitinho também havia sido alvo de comentários por demonstrar solidariedade pública à deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa (PT), que recebeu ameaças graves durante sua campanha. Em vídeo publicado no dia 8 de setembro, ele disse: “Não poderia deixar de fazer esse vídeo aqui para deixar a minha solidariedade à Ana Elisa, que é candidata a deputada federal por Minas Gerais, é daqui da minha cidade, Divinópolis, que vem sofrendo ameaças de morte. Eu tenho certeza que a polícia já está atrás desses responsáveis e vão colocá-los onde merecem”, declarou na ocasião.
Ele complementou com uma reflexão sobre o papel de todos diante de situações de violência e intimidação: “Deixo uma reflexão aqui: não são só as mulheres que têm que defender as mulheres, não. Somos nós, homens, que temos que fazer isso também, defender as mulheres. Ana Elisa, levanta a cabeça, vai fazer campanha e que Deus te abençoe”, afirmou em um gesto que muitos elogiaram como acima de divergências partidárias, mas que também levantou questionamentos por parte de alguns eleitores mais alinhados a outros posicionamentos.
Os episódios mostram que a vida pública exige, por vezes, a convivência com pessoas com quem não se concorda em tudo, mas com quem é necessário dialogar em prol de causas consideradas importantes. Que os debates nas redes sociais se pautem pelo respeito e pela compreensão de que apoiar uma causa ou defender alguém de ameaças injustas não significa necessariamente concordar com todas as posições de uma pessoa. O eleitorado acompanha cada passo e, no fim das contas, avalia com seu voto o que considera mais relevante.





