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Ruas venceu a disputa para o governo do Rio de Janeiro no primeiro turno após a retotalização dos votos

Douglas Ruas (PL), eleito governador do Rio de Janeiro após a retotalização dos votos do primeiro turno, chegou ao comando político do estado em meio a investigações do Ministério Público sobre suspeitas envolvendo empresas ligadas a seu patrimônio. Policial civil de formação e deputado estadual em primeiro mandato, ele construiu sua trajetória política em São Gonçalo, município da região metropolitana, onde seu pai, Capitão Nelson, exerce o cargo de prefeito. Aos 37 anos, Ruas também ocupou funções na administração municipal e estadual, incluindo a Secretaria das Cidades durante o governo de Cláudio Castro (PL).

A eleição de Ruas foi confirmada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a anulação dos votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), que havia concorrido ao governo fluminense. Com a retotalização realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), o candidato do PL passou a registrar 50,88% dos votos válidos, percentual suficiente para vencer no primeiro turno. Eduardo Paes (PSD), seu principal adversário, terminou com 44,16%, deixando de haver necessidade de uma segunda votação para definir o governador eleito.

A trajetória de Ruas combina atuação como policial civil, experiência em cargos administrativos e participação na política fluminense por meio de alianças com integrantes do PL e de grupos políticos regionais. Sua ascensão também foi acompanhada por questionamentos sobre o crescimento patrimonial de empresas das quais participa, tema que levou o Ministério Público estadual a abrir uma investigação. O procedimento apura suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e possíveis irregularidades relacionadas a contratos, sem que a existência da investigação represente, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.

Douglas Ruas construiu carreira política em São Gonçalo

Nascido em São Gonçalo, Douglas Ruas é formado em Direito pela Universidade Estácio de Sá e possui pós-graduação em Gestão Pública pela mesma instituição. Antes de ampliar sua participação na política, ingressou na Polícia Civil em dezembro de 2013, trabalhando como inspetor na 81ª Delegacia de Polícia, em Itaipu, e posteriormente na Delegacia de Homicídios de Niterói. Sua atuação efetiva na carreira policial foi relativamente curta, pois, a partir de 2017, passou a ocupar cargos na administração pública municipal e estadual.

O primeiro posto político-administrativo de Ruas foi o de subsecretário do Trabalho de São Gonçalo, função exercida entre 2017 e 2018. Em seguida, assumiu a Superintendência Regional da Baía de Guanabara no Instituto Estadual do Ambiente (Inea), onde permaneceu entre 2019 e 2020, antes de retornar à administração municipal. Durante a gestão de seu pai na prefeitura, tornou-se secretário municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais, participando da condução de investimentos e projetos de infraestrutura.

A proximidade política com Capitão Nelson, nome pelo qual seu pai é conhecido, teve importância na construção de sua carreira e na formação de sua base eleitoral. Em 2022, Ruas foi eleito deputado estadual com 175.977 votos, alcançando a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) naquele pleito. Grande parte de sua votação veio de São Gonçalo, onde a atuação de sua família na política municipal ajudou a consolidar sua presença eleitoral.

Secretaria das Cidades e crescimento patrimonial entraram no radar do MP

Em setembro de 2023, Ruas deixou temporariamente o mandato parlamentar para assumir a Secretaria estadual das Cidades no governo de Cláudio Castro. À frente da pasta, participou da coordenação de investimentos em infraestrutura urbana, incluindo obras de pavimentação, drenagem e melhorias em municípios de diferentes regiões do estado. Entre os projetos associados à secretaria estava um corredor de ônibus em São Gonçalo, cujo custo foi estimado em aproximadamente R$ 320 milhões.

A atuação na secretaria e o crescimento patrimonial de empresas ligadas a Ruas passaram a ser examinados depois de reportagens apontarem aquisições milionárias de imóveis e operações envolvendo precatórios. Uma das empresas citadas é a Saur Construção, Terraplanagem e Locação Ltda., da qual ele possui participação societária majoritária, segundo informações divulgadas pela imprensa. Entre as transações relatadas estão a aquisição de um galpão avaliado em cerca de R$ 5 milhões e de outro imóvel estimado em R$ 2,4 milhões, em Duque de Caxias, em 2024.

O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu investigação para apurar a evolução patrimonial de empresas vinculadas ao político e possíveis irregularidades nas operações comerciais. A apuração envolve suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e crimes relacionados a licitações, além da possibilidade de contratação fraudulenta, conforme informações divulgadas sobre o caso. O procedimento tramita sob sigilo na Justiça estadual, e as suspeitas ainda dependem da análise dos elementos reunidos pelos investigadores e das conclusões das autoridades competentes.

Relações políticas e desafios após a eleição

A carreira de Ruas também esteve ligada a outros integrantes da política fluminense que enfrentaram questionamentos judiciais ou investigações. Cláudio Castro, de quem foi secretário, renunciou ao governo em março de 2026 e posteriormente foi condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico relacionado às eleições de 2022, ficando inelegível por oito anos. Ruas afirmou durante a campanha que sua relação com Castro havia sido institucional, vinculada ao período em que trabalhou na administração estadual.

Outro episódio que marcou a sucessão política no Rio foi a prisão de Rodrigo Bacellar (União Brasil), então presidente da Alerj, investigado sob suspeita de vazar informações sigilosas de uma operação policial. Após a saída de Bacellar do comando do Legislativo, Ruas assumiu a presidência da Assembleia em meio a disputas judiciais sobre o procedimento de escolha. Ele também recebeu apoio de Flávio Bolsonaro durante a campanha ao governo, reforçando sua identificação com o campo político bolsonarista no estado.

Durante a disputa eleitoral, Ruas procurou concentrar seu discurso em segurança pública, infraestrutura e continuidade de investimentos nos municípios fluminenses. Ao mesmo tempo, precisou responder a questionamentos sobre a investigação do Ministério Público e sobre sua relação com integrantes da administração anterior. Segundo declarações atribuídas a ele durante a campanha, as acusações seriam ataques políticos, e o parlamentar afirmou esperar que as apurações fossem arquivadas.

A confirmação da vitória no primeiro turno abre uma nova etapa para Ruas, que terá de organizar a transição e definir as prioridades da futura administração estadual. Entre os principais desafios estão a segurança pública, o combate à atuação de facções criminosas e milícias, a gestão das contas estaduais e a continuidade de obras de infraestrutura. A investigação sobre empresas ligadas a seu patrimônio também continuará sob responsabilidade das autoridades competentes, que deverão avaliar as suspeitas sem antecipar conclusões antes do encerramento dos procedimentos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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