Flávio Bolsonaro participou de um evento no Maracanãzinho e falou sobre uma ‘guerra espiritual’

Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, participou no sábado, 10 de outubro de 2026, de uma celebração pelos 100 anos da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, realizada no Maracanãzinho, na zona norte do Rio de Janeiro. Diante de um ginásio lotado, o senador cantou com os fiéis, falou sobre uma suposta guerra espiritual enfrentada pelo Brasil e afirmou que sofre ataques demoníacos durante a campanha eleitoral. O discurso religioso ocorreu no início da disputa do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma agenda que também incluiu atos políticos ao lado de aliados no estado fluminense.
Ao abordar as dificuldades da campanha, Flávio afirmou que enfrenta adversários que utilizariam a mentira para enganar a população e classificou o cenário nacional como uma batalha espiritual. Sem citar nomes específicos ao fazer essa associação, o candidato relacionou os desafios políticos a uma luta entre forças que, em sua interpretação religiosa, tentariam impedir a realização de um projeto divino para o país. A declaração chamou atenção especialmente pela referência explícita a ataques demoníacos, expressão que o senador utilizou ao apresentar frases de proteção espiritual que, segundo ele, repete diariamente.
Durante o encontro, Flávio declarou acreditar que sua candidatura integra um projeto de Deus para o Brasil e afirmou que cada pessoa teria uma função a cumprir nessa missão. Ele também pediu proteção para si e para seus familiares, recorrendo a expressões cristãs sobre bênçãos, maldições e a necessidade de afastar mentiras. A participação no evento religioso permitiu ao candidato apresentar sua fé publicamente diante de uma plateia evangélica, segmento importante na disputa eleitoral, enquanto sua campanha procura ampliar o apoio entre eleitores que compartilham valores religiosos conservadores.
Flávio afirma enfrentar uma guerra espiritual
Em seu discurso no Maracanãzinho, Flávio afirmou que não seria fácil enfrentar os adversários durante a campanha e mencionou pessoas que, segundo ele, usariam a mentira como instrumento para enganar a população. Na sequência, declarou que o Brasil atravessava uma guerra espiritual e apresentou sua fé como uma fonte de sustentação diante das dificuldades políticas. A fala foi feita sem a identificação nominal dos supostos inimigos, e o senador não apresentou, naquele momento, evidências que demonstrassem a existência de uma ação demoníaca concreta contra sua candidatura.
O ponto mais destacado de sua manifestação foi uma declaração sobre ataques demoníacos, que o candidato incluiu em uma sequência de frases religiosas voltadas à proteção pessoal. Flávio afirmou: “Todo ataque demoníaco contra mim é exposto, desmontado e destruído”, acrescentando que romperia qualquer acordo com a mentira e receberia apenas aquilo que, em sua crença, viesse do céu. As palavras foram apresentadas como parte de sua prática espiritual e não como uma denúncia formal de um acontecimento específico ou de uma pessoa identificada.
O senador também declarou que sua família estaria protegida e abençoada, utilizando referências ao sangue de Jesus Cristo, expressão comum em manifestações de fé de diferentes segmentos evangélicos. Durante o evento, ele pediu aos presentes que acompanhassem as declarações em silêncio, reforçando o caráter religioso daquele momento. Ao final da participação, Flávio cantou com os fiéis e com a cantora gospel Meire Cerqueira, encerrando sua manifestação em um ambiente de louvor e oração.
Discurso religioso acompanha a estratégia eleitoral
A referência a uma guerra espiritual não apareceu pela primeira vez na campanha de Flávio Bolsonaro. Em junho, durante a Marcha para Jesus, realizada em São Paulo, o senador já havia associado a disputa política a uma batalha religiosa e afirmado que o Brasil precisaria superar o que classificava como o mal no governo federal. Na ocasião, também pediu orações pelo país e por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mantendo uma abordagem que combina declarações de fé com mensagens dirigidas ao cenário eleitoral.
O uso desse tipo de linguagem permite ao candidato apresentar sua participação política por meio de uma interpretação religiosa dos acontecimentos, embora as referências a forças demoníacas representem sua crença pessoal e não fatos comprovados sobre a disputa. Ao mencionar inimigos que, segundo ele, utilizam a mentira, Flávio não identificou quais pessoas estariam envolvidas nem detalhou situações específicas que sustentassem a afirmação. Dessa forma, o discurso concentrou-se na dimensão espiritual que o senador atribui à campanha, sem transformar as expressões religiosas em acusações individualizadas contra adversários.
O encontro também contou com a presença de lideranças evangélicas e de políticos ligados ao PL, entre eles o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas. O bispo Samuel Ferreira, uma das principais lideranças da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, fez declarações favoráveis à candidatura de Flávio e afirmou que, se pudesse pedir votos explicitamente, pediria apoio ao senador. Embora tenha negado estar realizando um pedido formal de voto, o religioso repetiu o lema “irmão vota em irmão”, que foi acompanhado por parte do público presente.
Flávio reforça ligação com eleitores evangélicos
A participação no centenário da Assembleia de Deus Madureira ocorreu depois de uma agenda política em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde Flávio participou de uma motocarreata ao lado de Douglas Ruas e do prefeito Capitão Nelson. Durante o ato, o senador exaltou o pai, Jair Bolsonaro, e afirmou que, caso fosse eleito presidente, gostaria de receber dele a faixa presidencial em 1º de janeiro. A programação reuniu, portanto, manifestações de apoio político, referências familiares e mensagens religiosas no mesmo dia de campanha.
A aproximação com lideranças evangélicas tem relevância para a estratégia eleitoral de Flávio, que se apresenta como cristão e busca dialogar com eleitores que atribuem importância à religião na vida pública. No Maracanãzinho, o discurso sobre ataques demoníacos e proteção divina foi acompanhado por cânticos e orações, enquanto declarações de apoio à candidatura surgiram entre os representantes religiosos presentes. O evento, entretanto, não permite concluir que todos os fiéis compartilhem as posições políticas defendidas no palco, nem que a participação religiosa determine automaticamente suas escolhas nas urnas.
A campanha presidencial entra em uma fase decisiva com o segundo turno marcado para 25 de outubro, e Flávio deve continuar combinando atos de rua, encontros com apoiadores e participações em eventos religiosos. A declaração sobre ataques demoníacos tornou-se um dos aspectos mais marcantes de sua participação no Maracanãzinho, por associar diretamente a disputa eleitoral à ideia de uma batalha espiritual. Ao apresentar sua candidatura como parte de um projeto divino, o senador reforçou a dimensão religiosa de seu discurso, enquanto os eleitores seguem avaliando propostas, alianças e declarações dos dois candidatos à Presidência.





