Erika Hilton está analisando a possibilidade de deixar o PSOL e se filar ao PT

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) voltou a criticar a estratégia adotada pelo partido nas eleições de 2026 e admitiu que poderá deixar a legenda em 2027. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 13 de outubro, a parlamentar apontou divergências sobre as decisões eleitorais, a distribuição dos recursos partidários e a falta de articulação para ampliar a presença da sigla no Congresso Nacional. Erika afirmou que seu futuro no PSOL dependerá da possibilidade de diálogo com a direção partidária.
Entre os principais pontos levantados pela deputada está a decisão de não formar uma federação eleitoral com o PT, proposta que, na avaliação dela, poderia ter fortalecido a atuação conjunta das duas legendas. A parlamentar também questionou a forma como o dinheiro do fundo eleitoral foi distribuído entre os candidatos, argumentando que os recursos não teriam sido direcionados de maneira adequada para ampliar a representação do partido. As críticas estão relacionadas ao desempenho do PSOL nas urnas e às dificuldades enfrentadas pela legenda para cumprir os requisitos legais de funcionamento partidário.
Erika também destacou a importância de avaliar as escolhas feitas durante a campanha e a capacidade da direção de identificar candidaturas com potencial para conquistar votos. Para ela, a estratégia eleitoral precisava considerar de maneira mais eficiente a distribuição de recursos e a construção de uma bancada parlamentar mais ampla. As declarações ampliaram o debate interno sobre as decisões tomadas pelo partido e sobre os caminhos que a legenda deverá seguir depois das eleições.
Críticas à estratégia eleitoral e à distribuição de recursos
A discussão sobre o fundo eleitoral já havia provocado divergências entre Erika Hilton e dirigentes do PSOL durante o período que antecedeu a votação. A deputada afirmou anteriormente que acordos relacionados à divisão dos recursos não teriam sido cumpridos como esperado, enquanto representantes da legenda contestaram suas reclamações sobre os valores destinados às candidaturas. O episódio expôs diferenças internas sobre os critérios de distribuição do dinheiro e as prioridades estabelecidas pela direção partidária.
Outro ponto de discordância foi a proposta de formar uma federação com o PT, defendida por Erika e por integrantes do partido que consideravam a aliança uma oportunidade de ampliar a representação política em diferentes estados. A federação poderia permitir uma atuação eleitoral conjunta, dentro das regras previstas para esse tipo de associação entre partidos. A proposta, entretanto, não obteve apoio suficiente dentro do PSOL e acabou não avançando.
Na avaliação apresentada pela deputada, as decisões tomadas durante o processo eleitoral tiveram consequências para o resultado da legenda e para sua capacidade de garantir uma presença maior no Legislativo. A discussão envolve tanto o planejamento das campanhas quanto a escolha das candidaturas que receberiam maior apoio financeiro e político. O episódio também levantou questionamentos sobre como o PSOL pretende organizar suas prioridades e administrar divergências entre seus principais representantes.
Possível saída para o PT depende de conversas
Erika Hilton declarou que considera incerto seu futuro no PSOL e que uma eventual mudança partidária dependerá das conversas que ainda poderão ocorrer com a direção. Entre as possibilidades mencionadas está a ida para o PT em 2027, embora a deputada não tenha apresentado a mudança como uma decisão definitiva. A permanência na legenda, portanto, continua condicionada à possibilidade de entendimento sobre as divergências acumuladas.
A relação com o PT aparece como um dos elementos centrais dessa discussão, especialmente porque Erika defendia uma aproximação eleitoral entre as duas siglas. A parlamentar entende que a cooperação poderia ampliar a presença de forças políticas de esquerda em regiões onde a direita possui maior espaço eleitoral. Sem o acordo, o PSOL disputou as eleições separadamente, enquanto as críticas sobre a estratégia e a distribuição dos recursos permaneceram no centro do debate interno.
A eventual saída da deputada também teria relevância política por causa de sua projeção nacional e de sua atuação em pautas sociais no Congresso. Erika ganhou destaque na Câmara e tem participado de discussões sobre direitos, condições de trabalho e o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, conhecida como escala 6×1. Uma possível mudança de partido exigiria, contudo, decisões políticas e articulações que ainda não foram concluídas.
Desafios do PSOL após as eleições de 2026
O debate aberto por Erika Hilton ocorre em um momento de avaliação dos resultados eleitorais e das estratégias que serão adotadas pelo PSOL nos próximos anos. A legenda terá de discutir a organização de suas campanhas, os critérios de distribuição de recursos e as formas de fortalecer sua representação parlamentar. As críticas da deputada colocam essas questões em evidência, mas a definição de mudanças dependerá das decisões tomadas coletivamente pelo partido.
A possibilidade de Erika deixar a sigla acrescenta um elemento à discussão sobre o futuro da legenda e sua relação com outras forças políticas de esquerda. Caso as conversas não produzam um entendimento, a deputada poderá avaliar alternativas partidárias, incluindo o PT, conforme relatado pela Folha de S.Paulo. Até que haja uma decisão, a principal questão permanece sendo se o PSOL conseguirá resolver as divergências internas e estabelecer uma estratégia capaz de atender às expectativas de suas lideranças e de seu eleitorado.





