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Aliados de Lula esperam que ele consiga uma virada ainda esta semana para ter chance neste segundo turno

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que uma possível virada na disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL) depende de uma melhora significativa nas pesquisas eleitorais até sexta-feira, 16 de outubro. A avaliação foi discutida em uma reunião realizada na terça-feira, 13, entre o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e representantes de partidos que apoiam a candidatura petista. A informação foi divulgada pelo Estadão/Broadcast e publicada pelo UOL nesta quarta-feira, 14 de outubro, em meio às articulações para a reta final do segundo turno.

O encontro reuniu lideranças do PSB, PSOL, Rede, PV, PDT e MDB, que discutiram o cenário eleitoral e as estratégias necessárias para ampliar o apoio a Lula nas próximas semanas. O clima da reunião foi considerado mais ameno do que o observado no encontro realizado após o primeiro turno, quando aliados cobraram mudanças na comunicação e no discurso da campanha. Dessa vez, os participantes demonstraram otimismo moderado diante de levantamentos internos que indicariam uma aproximação entre o presidente e o senador do PL.

Durante a reunião, Edinho Silva apresentou informações de pesquisas internas contratadas pelo partido, conhecidas como trackings, que acompanham diariamente ou com frequência elevada as intenções de voto. Segundo o relato obtido pelo Estadão/Broadcast, esses levantamentos apontariam uma diferença de aproximadamente dois pontos percentuais entre Lula e Flávio nos votos válidos, embora os números não sejam oficiais e não possam ser divulgados publicamente. A expectativa dos aliados é que os próximos levantamentos confirmem essa tendência e ofereçam uma referência para definir a estratégia eleitoral da semana decisiva.

Pesquisas eleitorais são consideradas decisivas para a campanha de Lula

Os aliados de Lula consideram que os levantamentos divulgados até sexta-feira poderão influenciar o ritmo das mobilizações e a disposição dos apoiadores para a reta final da eleição. A avaliação discutida na reunião é que uma redução consistente da diferença entre os candidatos ajudaria a manter a militância mobilizada e reforçaria a expectativa de uma disputa mais equilibrada. Caso os números não confirmem essa aproximação, a campanha precisará avaliar como organizar seus últimos movimentos diante do cenário apresentado pelos institutos.

A pesquisa PoderData em parceria com a AYA, divulgada na terça-feira, indicou uma diminuição da diferença entre os candidatos em comparação com a rodada anterior. No levantamento anterior, Flávio Bolsonaro aparecia com 53% dos votos válidos, contra 47% de Lula, enquanto a nova rodada mostrou o senador com 51% e o presidente com 49%. A mudança representa uma redução de quatro pontos percentuais na distância entre os dois candidatos, embora os resultados devam ser interpretados considerando a margem de erro informada pelo instituto.

A agenda de divulgação de pesquisas também aumentou a expectativa dentro do PT e dos partidos aliados, porque novos números poderiam indicar se a aproximação observada em determinados levantamentos está se consolidando. A Quaest programou a divulgação de sua primeira pesquisa presidencial após o primeiro turno para quarta-feira, 14 de outubro, enquanto o Datafolha anunciou um novo levantamento para quinta-feira, dia 15. Esses resultados serão acompanhados pela campanha, mas cada pesquisa representa um retrato do momento em que as entrevistas são realizadas, e não uma previsão definitiva do resultado das urnas.

PT reorganiza mobilização e estratégia para o segundo turno

Além de acompanhar os levantamentos, os participantes da reunião avaliaram as mudanças realizadas na comunicação da campanha petista depois do primeiro turno. Segundo a apuração do Estadão/Broadcast, houve uma percepção entre os aliados de que a estratégia de redes sociais apresentou avanços desde a semana anterior, quando o partido passou a rever a forma de divulgar suas mensagens e responder às iniciativas da oposição. As mobilizações realizadas em diferentes regiões do país também foram apontadas como um fator de estímulo para dirigentes e apoiadores de Lula.

O senador Renan Filho (MDB), ex-ministro dos Transportes, participou do encontro e destacou a importância de manter os eleitores mobilizados até a votação. Ao deixar a reunião, ele afirmou que, caso as pesquisas confirmem uma aproximação entre Lula e Flávio, os aliados chegarão à última semana da campanha com disposição para intensificar os esforços em busca da virada. A declaração também indicou preocupação com a necessidade de evitar que a militância perca o ânimo diante de levantamentos que ainda apontam diferenças entre os candidatos.

Renan Filho defendeu ainda uma estratégia voltada à redução da abstenção, estimulando eleitores que já apoiam Lula a incentivar parentes e amigos que deixaram de votar no primeiro turno a comparecer às urnas. A proposta parte da avaliação de que a mobilização de pessoas já identificadas com o candidato pode ser uma alternativa para ampliar a votação sem depender exclusivamente da conquista de novos eleitores indecisos. A campanha também pretende organizar reuniões regionais com Edinho Silva para discutir ações específicas, levando em consideração as características políticas e eleitorais de cada estado.

Lula intensifica agenda no Sudeste e prepara reta final

A reunião também abordou a distribuição dos esforços eleitorais entre as regiões brasileiras, com parte dos aliados defendendo atenção especial aos estados onde o PT possui uma base política mais consolidada. Embora não tenha havido uma decisão formal para concentrar toda a campanha no Nordeste, alguns participantes consideraram importante valorizar regiões nas quais Lula tradicionalmente apresenta maior apoio. A estratégia discutida prevê adaptar as ações de campanha às condições locais e, ao mesmo tempo, manter a presença do presidente nos maiores colégios eleitorais do país.

Lula deverá intensificar as atividades no Sudeste, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados que concentram grandes contingentes de eleitores e podem ter peso importante no resultado nacional. Depois de participar de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo, 11 de outubro, o presidente tinha previsão de viajar a Minas Gerais e ao Rio de Janeiro no fim desta semana. A programação inclui ainda atos na capital paulista e no Rio na semana seguinte, como parte do esforço para ampliar sua votação antes do encerramento da campanha.

A expectativa dos aliados é que a combinação entre pesquisas mais favoráveis, mobilização nas redes sociais, redução da abstenção e presença nos principais estados ajude a definir as possibilidades de Lula na reta final do segundo turno. A reunião coordenada por Edinho Silva demonstrou que a campanha acompanha de perto os levantamentos eleitorais e considera os números dos próximos dias importantes para ajustar suas decisões. Com a votação marcada para 25 de outubro, os partidos aliados aguardam os resultados previstos até sexta-feira para avaliar o cenário e determinar a intensidade das ações nas últimas etapas da disputa.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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