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Relatório da Polícia Federa mostra quais pagamentos foram feitos pela Go Up Entertainment

A Polícia Federal identificou pagamentos feitos pela produtora de Dark Horse para despesas pessoais do deputado federal Mário Frias durante o período de produção do filme. Segundo relatório citado pela CNN Brasil, a Go Up Entertainment teria desembolsado R$ 136,8 mil para quitar faturas de cartão de crédito do parlamentar, além de R$ 11,2 mil em hospedagens. Os gastos passaram a integrar a investigação que apura possíveis irregularidades no financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Os pagamentos foram registrados entre agosto e novembro de 2025, justamente durante o período em que Dark Horse estava sendo produzido. A documentação analisada pela PF indica que quatro faturas do cartão de Mário Frias foram pagas pela empresa responsável pelo longa, enquanto despesas com hotéis também foram identificadas. A movimentação financeira passou a ser examinada porque Frias também ocupava uma posição relevante dentro da produção cinematográfica.

A descoberta ocorre poucos dias depois da operação da Polícia Federal que teve Mário Frias e Karina Gama entre os alvos de mandados de busca e apreensão. A investigação procura esclarecer se recursos provenientes de emendas parlamentares e contratos públicos foram desviados ou utilizados de maneira irregular para financiar a produção. Até o momento, as suspeitas estão sendo investigadas e não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.

Pagamentos de hotéis e cartão entram na investigação de Dark Horse

De acordo com o relatório da PF, os valores pagos pela Go Up Entertainment incluem aproximadamente R$ 136,8 mil referentes a faturas de cartão de crédito de Mário Frias. Também foram identificados R$ 11,2 mil destinados a hospedagens utilizadas pelo deputado durante o período analisado. As despesas chamaram atenção dos investigadores porque foram bancadas pela empresa responsável pela produção de Dark Horse.

A relação financeira entre Frias e a produtora é considerada relevante para a investigação porque o parlamentar não era apenas um participante político do projeto. Ele aparece como roteirista e produtor-executivo do filme, além de ter destinado recursos por meio de emendas parlamentares que estão sob análise das autoridades. A PF investiga se houve uma conexão entre recursos públicos, empresas intermediárias e despesas relacionadas à produção cinematográfica.

Outro elemento levantado pelos investigadores envolve uma transferência de aproximadamente R$ 645 mil feita por Mário Frias para a produtora. Segundo informações divulgadas sobre o inquérito, os investigadores consideraram o valor incompatível com a renda declarada pelo parlamentar e passaram a analisar a origem dos recursos. A movimentação foi incorporada ao conjunto de elementos que sustentaram a operação realizada em setembro.

PF apura possível ligação com recursos públicos

A investigação sobre Dark Horse ganhou força a partir de suspeitas relacionadas ao uso de emendas parlamentares e contratos firmados com entidades ligadas à produtora. Um dos caminhos analisados envolve o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, que também aparece vinculada à Go Up Entertainment. A Polícia Federal procura identificar se recursos destinados oficialmente a determinadas finalidades acabaram sendo direcionados, direta ou indiretamente, para o financiamento do filme.

Outro ponto analisado está relacionado à empresa Complexsys Soluções Integradas, que recebeu milhões de reais em contratos ligados a um projeto de instalação de internet sem fio em São Paulo. Segundo a investigação, parte das movimentações entre empresas e entidades ligadas a Karina Gama levantou suspeitas sobre uma possível circulação de recursos entre estruturas que tinham funções formalmente distintas. A Complexsys nega que os valores recebidos tenham sido utilizados para financiar Dark Horse e afirma que os recursos foram empregados no contrato de Wi-Fi.

A operação autorizada pelo ministro Flávio Dino resultou no cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão em diferentes locais do país. Além de Frias e Karina Gama, outras pessoas e empresas passaram a ser investigadas dentro da apuração sobre possíveis crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações. A existência dessas suspeitas, porém, ainda será submetida ao avanço das investigações e à análise das provas reunidas pela PF.

Dark Horse também é investigado por financiamento privado

As apurações sobre Dark Horse não estão limitadas aos pagamentos identificados nas contas e despesas de Mário Frias. Outra frente do caso examina a participação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e transferências internacionais relacionadas ao financiamento da produção. Segundo a PF, valores enviados ao fundo Havengate nos Estados Unidos teriam relação com o orçamento do filme, enquanto o doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior também aparece entre os personagens investigados.

O caso ganhou ainda mais repercussão depois que mensagens e movimentações financeiras envolvendo integrantes da família Bolsonaro passaram a ser analisadas pelos investigadores. Flávio Bolsonaro reconheceu ter procurado Vorcaro para tratar de recursos destinados ao filme, mas nega que tenha ocorrido qualquer irregularidade. Paralelamente, a defesa de Mário Frias contestou a condução das investigações e classificou a operação policial como uma tentativa de criar uma “cortina de fumaça”.

Com a identificação dos pagamentos de hotéis e das faturas de cartão, a investigação passou a contar com novos elementos sobre as despesas pessoais atribuídas a Mário Frias durante a produção. A PF deverá cruzar essas informações com transferências bancárias, contratos, emendas parlamentares e demais documentos apreendidos na operação. O objetivo é esclarecer a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e se houve utilização irregular de verbas públicas ou privadas na produção de Dark Horse.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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