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Deputada Federal Erika Hilton lançou o grupo Tropa do Lula, que já conta com milhares de seguidores

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) criou um novo canal no WhatsApp para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a suspensão temporária do Exército do Lula, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Batizado de Tropa da Erika Hilton com Lula, o grupo alcançou 375 mil seguidores até a manhã de quarta-feira, 14 de outubro de 2026, segundo reportagem publicada pelo Metrópoles. A iniciativa surgiu durante a disputa do segundo turno presidencial, em um momento em que os aliados do petista tentam ampliar a mobilização digital e manter a circulação de conteúdos favoráveis à campanha.

O novo canal também foi utilizado para convocar apoiadores a acompanhar a votação da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, prevista para ser analisada pelo Senado Federal naquela quarta-feira. Erika Hilton é uma das principais defensoras da redução da jornada de trabalho e vem atuando politicamente para avançar com a proposta no Congresso Nacional. Com a criação do grupo, a parlamentar passou a contar com uma ferramenta própria para divulgar informações, organizar a participação de apoiadores e ampliar o alcance de suas pautas nas redes sociais.

A iniciativa foi anunciada depois que o canal de Janones, que reunia mais de 4 milhões de seguidores, saiu do ar por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques. A suspensão foi estabelecida por 48 horas, mesmo após a campanha de Lula ter cumprido a exigência de registrar o endereço eletrônico do canal na Justiça Eleitoral. O episódio provocou questionamentos entre aliados do presidente e intensificou a discussão sobre as regras aplicáveis aos canais de mobilização política durante o período eleitoral.

Suspensão do Exército do Lula provoca reação de aliados

O canal administrado por André Janones foi retirado do ar na noite de terça-feira, 13 de outubro, após uma nova decisão de Kassio Nunes Marques. O ministro condicionou a retomada das atividades ao cumprimento de exigências relacionadas ao registro formal da ferramenta pela campanha presidencial de Lula. Embora o procedimento tenha sido realizado, a decisão manteve o bloqueio temporário, com previsão de encerramento do prazo na quinta-feira, 15 de outubro.

Antes da suspensão, o Exército do Lula funcionava como um espaço de distribuição de orientações para apoiadores compartilharem publicações, vídeos e mensagens favoráveis ao presidente. Janones utilizava o canal para estimular curtidas, comentários, encaminhamentos e a produção de conteúdos próprios, buscando ampliar a circulação das mensagens nas plataformas digitais. O alcance superior a 4 milhões de seguidores transformou a iniciativa em um instrumento relevante da mobilização política na reta final da campanha presidencial.

A decisão do TSE ocorreu após questionamentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que apontou suposta disseminação de desinformação no canal. O caso passou por decisões judiciais distintas, incluindo uma determinação anterior de suspensão e uma decisão posterior que permitiu o restabelecimento da ferramenta. A controvérsia levou a discussões sobre a necessidade de registro dos canais ligados às campanhas e sobre os critérios utilizados pela Justiça Eleitoral para fiscalizar conteúdos políticos divulgados pelo WhatsApp.

Tropa da Erika Hilton busca manter mobilização digital

Com o novo canal, Erika Hilton passou a oferecer uma alternativa de comunicação aos apoiadores de Lula durante o período em que a iniciativa de Janones permanece suspensa. O grupo alcançou centenas de milhares de seguidores em poucas horas, segundo os números divulgados pelo Metrópoles na manhã de quarta-feira. Embora o público inicial fosse menor que o do Exército do Lula, a criação da ferramenta demonstrou a continuidade dos esforços de aliados do presidente para organizar militantes e divulgar suas pautas.

A mobilização em torno da escala 6×1 deu ao canal uma finalidade que vai além da disputa presidencial, ao reunir apoiadores interessados em acompanhar uma proposta trabalhista defendida pela deputada. A estratégia permite que Erika divulgue informações sobre a tramitação da PEC e incentive a participação de seus seguidores nas discussões políticas relacionadas ao tema. A votação prevista para o Senado também colocou a iniciativa no centro de uma mobilização que combina reivindicações trabalhistas e apoio eleitoral.

O episódio evidencia a importância crescente dos canais de mensagens nas campanhas políticas brasileiras, especialmente pela capacidade de reunir grandes públicos e estimular o compartilhamento de conteúdos. Ao mesmo tempo, a suspensão do grupo de Janones e a criação da Tropa da Erika Hilton com Lula ampliaram o debate sobre transparência, registro eleitoral e fiscalização de propaganda digital. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as decisões sobre essas ferramentas passaram a integrar a disputa entre as campanhas e a atuação da Justiça Eleitoral.

Janones questiona o momento da suspensão do canal

André Janones criticou o bloqueio temporário e afirmou que considerava significativa a coincidência entre a suspensão de 48 horas e a votação da proposta de fim da escala 6×1. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado destacou que o período de interrupção do canal coincidia com a votação da PEC no Senado Federal. A declaração expressou a insatisfação do parlamentar com a decisão, mas não comprova que a medida tenha sido tomada para interferir na tramitação da proposta trabalhista.

A suspensão e a criação de um novo canal por Erika Hilton mantiveram a mobilização digital dos aliados de Lula em evidência durante a reta final da campanha. Enquanto o grupo de Janones aguarda o fim do prazo determinado pelo TSE, a iniciativa da deputada reúne seguidores em torno da candidatura presidencial e de pautas defendidas por ela no Congresso. O caso deverá continuar no debate eleitoral por envolver o alcance das redes sociais, as regras de propaganda e os limites da atuação da Justiça Eleitoral sobre canais de apoiadores.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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