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Erika Hilton acredita que se Flávio Bolsonaro se tornar presidente poderá tentar reverter a decisão sobre o fim da escala 6×1

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, afirmou que a mudança nas regras trabalhistas corre o risco de ser revertida caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial de 2026. A declaração foi feita após o Senado aprovar a proposta que prevê a redução da jornada semanal de trabalho e a ampliação do descanso remunerado dos trabalhadores. Para a parlamentar, o apoio de integrantes do Partido Liberal à medida não elimina a possibilidade de que o grupo político tente modificar as regras depois do resultado das eleições.

“Se o clã Bolsonaro se eleger presidente do Brasil, essa proposta não para de pé”, declarou Erika Hilton ao comentar o futuro da mudança na jornada de trabalho. Segundo a deputada, Flávio Bolsonaro e seus aliados estariam considerando a possibilidade de alterar posteriormente a legislação, caso conquistem a Presidência da República e tenham condições políticas para avançar com outras propostas no Congresso Nacional. A parlamentar também afirmou que a recente mudança de posicionamento de integrantes do PL em relação ao tema precisa ser analisada diante do contexto eleitoral.

A discussão ganhou força porque o fim da escala 6×1 se tornou um dos assuntos presentes no debate político durante a campanha presidencial. O modelo atual permite que o trabalhador cumpra seis dias de atividade para cada dia de descanso, enquanto a proposta aprovada prevê uma reorganização da jornada e dois dias de folga remunerada por semana. Erika defende a manutenção do texto aprovado e demonstrou preocupação com a possibilidade de que uma nova composição política tente substituir as regras por uma alternativa que permita maior flexibilidade na relação entre patrões e empregados.

Erika Hilton questiona mudança de posição de Flávio Bolsonaro

A deputada criticou a postura do senador Flávio Bolsonaro durante a tramitação da proposta e relacionou o apoio dele à medida ao momento da disputa presidencial. O senador já havia se posicionado contra o fim da escala 6×1 e chegou a classificar a iniciativa como oportunista, mas posteriormente anunciou que votaria a favor do texto. Na votação realizada pelo Senado em 14 de outubro, Flávio registrou seu voto favorável de forma remota, enquanto cumpria agenda de campanha no Rio Grande do Sul.

A mudança de posição provocou críticas de parlamentares ligados ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apontaram a possibilidade de o candidato do PL tentar reduzir o impacto eleitoral da aprovação da proposta. Erika Hilton também questionou a ausência física do senador na sessão e afirmou que ele deveria ter participado presencialmente das discussões sobre uma pauta que afeta milhões de trabalhadores brasileiros. As críticas da deputada, porém, representam sua interpretação sobre as motivações políticas do candidato e não comprovam, por si só, que ele pretenda revogar a medida caso seja eleito.

Outro ponto levantado por Erika envolve a possibilidade de apresentação de uma proposta alternativa para modificar a jornada de trabalho. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, é associado a uma iniciativa conhecida como PEC das Horas Trabalhadas, que prevê maior possibilidade de negociação entre empregadores e empregados. Para os defensores do fim da escala 6×1, esse modelo poderia enfraquecer a proteção garantida pelas regras gerais, enquanto seus apoiadores defendem mudanças na organização da jornada e nas condições de negociação.

Senado aprova proposta e debate continua no cenário eleitoral

A aprovação da proposta pelo Senado ocorreu na quarta-feira, 14 de outubro, depois de a matéria já ter passado pela Câmara dos Deputados. O texto aprovado prevê a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além de dois dias de descanso remunerado por semana. A implementação está prevista de forma gradual, com uma primeira redução para 42 horas e posterior diminuição para 40 horas semanais, conforme o cronograma estabelecido na proposta.

A votação teve ampla maioria favorável, com 75 votos a favor e um contrário, registrado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Embora o PL e o Progressistas tenham liberado suas bancadas, houve apoio de parlamentares de diferentes partidos, incluindo Flávio Bolsonaro, que votou favoravelmente de maneira remota. Como o texto já havia sido aprovado pela Câmara e não sofreu alterações no Senado, a proposta seguiu para promulgação pelo Congresso Nacional, etapa que antecede a aplicação das novas regras.

A aprovação ampliou a disputa política em torno dos efeitos da medida e de sua permanência nos próximos anos. Enquanto defensores da mudança consideram os dois dias de descanso uma ampliação dos direitos trabalhistas, críticos de determinados modelos de redução da jornada levantam discussões sobre custos, produtividade e formas de organização das atividades econômicas. No centro do debate está a definição de como as novas regras serão implementadas e se haverá iniciativas legislativas futuras para alterar o formato aprovado.

Proposta trabalhista se torna tema da disputa entre Lula e Flávio

A declaração de Erika Hilton também se insere no confronto político entre o campo governista e a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A deputada sustenta que uma eventual vitória do senador poderia abrir espaço para mudanças na legislação trabalhista, enquanto o candidato e seus aliados defendem alternativas relacionadas à flexibilização da jornada e à negociação entre as partes. A diferença entre essas posições transformou o futuro da escala 6×1 em um assunto relevante na campanha eleitoral.

A discussão envolve tanto o conteúdo da proposta aprovada quanto as condições políticas para eventuais mudanças posteriores, que dependeriam dos procedimentos legislativos aplicáveis e da atuação do Congresso Nacional. A afirmação de Erika de que a medida “não para de pé” caso Flávio vença expressa a avaliação da parlamentar sobre os riscos que ela identifica para a manutenção do texto. Até o momento retratado nas reportagens sobre a declaração, a fala não equivale a uma decisão de revogação, mas reforça a disputa em torno do futuro da jornada de trabalho no Brasil.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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