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Primeira-dama Janja da Silva falou sobre os problemas que Lula tem enfrentado em sua campanha

A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, afirmou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está “lutando contra a Meta” durante um ato político realizado no Rio de Janeiro, na quinta-feira, 15 de outubro de 2026. Em declarações publicadas pela Gazeta do Povo, Janja acusou a empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp de prejudicar a divulgação de conteúdos favoráveis ao presidente durante a disputa eleitoral. A primeira-dama também disse que a campanha apresentou representações contra a companhia no Brasil e no exterior, em meio a reclamações sobre o alcance das publicações e o funcionamento das ferramentas de inteligência artificial.

“Eu quero deixar o meu repúdio à Meta, que tem feito intervenção na nossa eleição, não tem entregado nossos conteúdos. Está horrível, isso”, declarou Janja diante de militantes e integrantes do Partido dos Trabalhadores. As críticas ocorreram depois que a campanha petista relatou diferenças nas respostas da Meta AI a solicitações de imagens relacionadas a Lula e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente no segundo turno. A empresa informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trabalhava para aperfeiçoar os filtros de sua inteligência artificial, enquanto as reclamações sobre possíveis diferenças de tratamento passaram a ser discutidas na Justiça Eleitoral.

Durante o mesmo evento, Janja reconheceu que a campanha de Lula entrou no primeiro turno com excesso de confiança e demorou a perceber que a disputa continuava aberta. “Ficamos muito tempo parados, achando que estava tudo resolvido, e não estava”, afirmou a primeira-dama, ao defender uma mobilização maior para garantir a reeleição do presidente. A declaração acrescentou uma avaliação sobre a estratégia eleitoral do PT ao debate sobre as plataformas digitais, indicando que a campanha também busca corrigir decisões tomadas antes da primeira votação.

Janja acusa Meta de prejudicar a divulgação de conteúdos de Lula

A principal crítica apresentada por Janja diz respeito à distribuição de publicações políticas nas plataformas controladas pela Meta. Segundo a campanha petista, conteúdos relacionados a Lula teriam enfrentado restrições de alcance, enquanto materiais associados a Flávio Bolsonaro conseguiriam maior visibilidade. Essas alegações foram levadas à Justiça Eleitoral, mas precisam ser distinguidas de uma comprovação definitiva de que a empresa tenha atuado deliberadamente para favorecer um dos candidatos.

A controvérsia ganhou força após usuários relatarem que a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial disponível nos aplicativos da companhia, recusava determinados pedidos de criação de imagens com Lula, mas aceitava solicitações semelhantes envolvendo Flávio Bolsonaro. A campanha do presidente utilizou esses relatos para questionar a uniformidade dos critérios empregados pela plataforma durante a eleição. A Meta, por sua vez, informou que estava aperfeiçoando os filtros da ferramenta, em meio à discussão sobre as regras aplicáveis à produção de conteúdos eleitorais.

A discussão chegou ao Tribunal Superior Eleitoral, que determinou que a Meta adotasse critérios iguais para Lula e Flávio Bolsonaro, sob pena de multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento. A decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze estabeleceu exigências relacionadas ao tratamento das candidaturas e ao funcionamento dos sistemas de distribuição de conteúdo e inteligência artificial. A ordem judicial busca garantir igualdade de critérios, mas não representa, por si só, uma conclusão de que a empresa tenha cometido interferência eleitoral intencional.

Primeira-dama admite erros da campanha no primeiro turno

Além de criticar a Meta, Janja reconheceu que a campanha de Lula subestimou a disputa presidencial antes do primeiro turno. A primeira-dama afirmou que houve um período em que integrantes do grupo acreditavam que a situação eleitoral estava resolvida, o que teria contribuído para uma mobilização insuficiente. Ao comentar o cenário, ela defendeu que a equipe intensifique as atividades e mantenha os apoiadores mobilizados durante a etapa final da eleição.

Janja também falou sobre a adaptação de Lula às estratégias de comunicação digital, especialmente à produção de vídeos verticais gravados com o celular, no formato de selfie. Segundo ela, o presidente está acostumado a fazer política por meio do contato presencial com os eleitores e ainda se adapta à rotina de gravações para as redes sociais. A primeira-dama relatou que Lula inicialmente demonstra resistência quando recebe o celular para gravar, mas afirmou que ele passou a perguntar qual será o tema abordado em cada vídeo.

A mobilização de jovens de esquerda também foi destacada pela primeira-dama durante o ato no Rio de Janeiro. Janja elogiou as manifestações organizadas após o primeiro turno e afirmou que os encontros ajudam a recuperar o ânimo dos apoiadores de Lula. A estratégia inclui ampliar a presença nas ruas e nas redes sociais, em um momento no qual a campanha procura alcançar eleitores antes da votação decisiva.

Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro aumenta pressão sobre plataformas

As reclamações contra a Meta surgem durante o segundo turno da eleição presidencial de 2026, que será realizado em 25 de outubro. Nesse período, a distribuição de conteúdos políticos nas redes sociais e o uso de ferramentas de inteligência artificial passaram a integrar as discussões sobre as condições de competição entre os candidatos. A campanha de Lula sustenta que precisa receber tratamento equivalente ao de Flávio Bolsonaro, enquanto a decisão do TSE estabelece obrigações para que a empresa aplique critérios uniformes às duas candidaturas.

O episódio também demonstra como as plataformas digitais se tornaram parte importante das estratégias eleitorais, tanto na divulgação de propostas quanto na comunicação direta com os eleitores. Para a campanha petista, eventuais restrições podem reduzir a circulação de publicações em uma etapa decisiva da disputa, motivo pelo qual o grupo recorreu à Justiça. A análise das reclamações, entretanto, exige separar os relatos apresentados pela campanha das conclusões efetivamente estabelecidas pelas autoridades responsáveis.

Ao afirmar que a campanha está “lutando contra a Meta”, Janja transformou as reclamações sobre as redes sociais em um dos temas de sua atuação política na reta final da eleição. A primeira-dama também admitiu que o grupo petista precisa corrigir falhas de estratégia e intensificar a mobilização dos apoiadores depois do primeiro turno. Com a determinação do TSE para que Lula e Flávio recebam tratamento equivalente nas plataformas, a atuação da Meta continuará sob atenção durante os últimos dias da campanha presidencial.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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