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O jornal Financial Times publicou uma reportagem falando sobre a atitude de Lula neste 2º turno para se dar bem

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou o uso de vídeos gravados com o celular para tentar ampliar sua presença nas redes sociais e disputar espaço com o senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2026. A estratégia ganhou força depois do primeiro turno, quando o candidato do PL terminou à frente na votação e a campanha petista reformulou sua comunicação para a reta final da disputa. Segundo reportagem publicada pelo UOL em 17 de outubro, com informações do jornal britânico Financial Times, a mudança busca aproximar Lula de formatos digitais populares entre os eleitores.

A nova abordagem inclui gravações em estilo selfie, nas quais o próprio presidente aparece falando diretamente com a câmera, com pouca edição e uma linguagem mais informal. Em um dos vídeos publicados naquela semana, Lula convocou os brasileiros a comparecerem às urnas e afirmou que o país e a democracia precisavam da participação dos eleitores. A iniciativa representa uma mudança na forma de comunicação do petista, que historicamente priorizou discursos em eventos públicos, entrevistas e materiais produzidos por sua equipe.

A ofensiva digital também envolve influenciadores, parlamentares jovens e grupos de apoiadores encarregados de ampliar a circulação de mensagens favoráveis ao presidente. A campanha tenta alcançar principalmente eleitores que não compareceram ao primeiro turno, além de recuperar espaço em plataformas nas quais apoiadores de Flávio e do bolsonarismo mantêm forte presença. O desafio, conforme a análise apresentada pelo Financial Times, não se limita à quantidade de publicações, pois envolve também a capacidade de convencer o eleitorado diante de preocupações econômicas e relacionadas à segurança pública.

Vídeos de celular passam a ocupar espaço central na campanha de Lula

A mudança de estratégia levou Lula a gravar conteúdos diretamente com o celular, em um formato que permite publicar mensagens rápidas e direcionadas aos usuários das redes sociais. Em vez de depender exclusivamente de produções elaboradas, os vídeos procuram transmitir a impressão de uma conversa direta entre o presidente e quem acompanha suas publicações. A campanha utiliza esse recurso para divulgar posicionamentos políticos, responder a temas da disputa e incentivar a participação na votação do segundo turno.

De acordo com a reportagem do UOL, o Financial Times destacou que Lula, aos 80 anos, passou a incorporar esse formato depois de reconhecer a necessidade de modernizar sua comunicação eleitoral. O presidente havia construído boa parte de sua trajetória política com discursos presenciais, contato com trabalhadores e participação em grandes eventos, mas agora busca ampliar o alcance de suas mensagens por meio de conteúdos digitais. A adaptação também ocorre em um cenário no qual vídeos curtos, gravações espontâneas e publicações compartilhadas por usuários desempenham um papel importante na circulação de informações políticas.

O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou ao jornal britânico que as métricas de engajamento da campanha cresceram de maneira significativa, incluindo visualizações, curtidas e alcance das publicações. A avaliação do partido é que a presença mais intensa nas plataformas pode ajudar a levar as mensagens do candidato a públicos que não acompanham regularmente a propaganda política tradicional. Entretanto, o aumento das interações digitais não significa automaticamente que os eleitores mudarão suas preferências, já que o desempenho eleitoral depende de diferentes fatores e da participação efetiva nas urnas.

Influenciadores e mobilização digital entram na disputa eleitoral

Entre os nomes associados à nova estratégia está a deputada federal Ana Elisa, do PT de Minas Gerais, apontada pela reportagem como uma das figuras centrais da mobilização nas redes sociais. A parlamentar integra uma geração de políticos que construiu parte de sua visibilidade por meio de conteúdos digitais e comunicação direta com seguidores. Sua participação reflete a tentativa da campanha de aproximar a imagem de Lula de formatos e linguagens utilizados por públicos mais jovens.

Outra iniciativa mencionada na cobertura é o canal Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones para mobilizar apoiadores e estimular a divulgação de conteúdos favoráveis ao presidente. O grupo utiliza mensagens e orientações para incentivar participantes a compartilhar vídeos e publicações em suas próprias redes, ampliando a distribuição das peças de campanha. Janones defende a mobilização digital como forma de participação política, enquanto o canal também passou a integrar disputas judiciais relacionadas às regras eleitorais e à circulação de mensagens durante a campanha.

A atuação desses grupos ocorre em meio a questionamentos sobre o funcionamento das plataformas digitais e o papel da Justiça Eleitoral na fiscalização de conteúdos políticos. A campanha de Lula também apresentou reclamações relacionadas a ferramentas de inteligência artificial da Meta, após alegar que determinados recursos teriam tratado de maneira diferente pedidos de geração de materiais eleitorais favoráveis aos candidatos. Segundo a cobertura do UOL, a empresa admitiu que sua ferramenta havia bloqueado a criação de conteúdo de campanha favorável a Lula enquanto permitia solicitações semelhantes relacionadas a Flávio, episódio que aumentou o debate sobre o uso dessas tecnologias nas eleições.

Abstenção e preocupações dos eleitores desafiam campanha petista

Além de ampliar sua presença digital, Lula precisa alcançar os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro de 2026. A reportagem do Financial Times destacou que a abstenção superou um quinto do eleitorado e que a campanha petista considera importante mobilizar pessoas que tradicionalmente demonstram maior apoio ao presidente. O desafio consiste em transformar o alcance das mensagens em participação efetiva no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Especialistas ouvidos pelo jornal britânico avaliaram que a mudança na comunicação pode ajudar Lula a se adaptar aos hábitos atuais dos brasileiros, mas também observaram que a estratégia começou a ganhar força tardiamente. O conteúdo das mensagens continua sendo um fator relevante, porque parte do eleitorado demonstra preocupação com o custo de vida, o endividamento das famílias e a segurança pública. Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta propostas e discursos voltados a esses temas, o que mantém a disputa também concentrada nas diferenças entre as prioridades defendidas pelos candidatos.

A aposta nos vídeos de celular representa, portanto, uma das principais mudanças na campanha de Lula após o primeiro turno, ao lado da mobilização de influenciadores e da tentativa de ampliar a participação de apoiadores. O PT afirma que os indicadores digitais melhoraram, mas os números de engajamento, isoladamente, não permitem determinar o impacto das publicações sobre o resultado das urnas. Até a votação de 25 de outubro, a campanha terá de combinar presença nas redes, atividades presenciais e propostas capazes de dialogar com as preocupações dos eleitores.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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