Muitas pessoas notaram que Flávio fez gestos estratégicos quando ficou atrás de Lula no debate da Band

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, treinou ficar atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate da Band, realizado no domingo, 18 de outubro. A estratégia tinha como objetivo produzir imagens de confronto que pudessem ser transformadas em vídeos curtos e compartilhadas nas redes sociais. A informação foi publicada pelo Estado de Minas, em reportagem baseada em informações do jornal O Globo, que detalhou a preparação do senador com integrantes de sua campanha.
A movimentação de Flávio chamou a atenção durante diferentes momentos do programa, especialmente quando Lula respondia às perguntas ou se dirigia aos telespectadores. Posicionado atrás do presidente, o senador fazia gestos negativos com a cabeça, mantinha uma expressão séria e reagia com as mãos às declarações do adversário. A intenção era criar cenas que pudessem ser recortadas e divulgadas na internet, desviando parte da atenção das falas do petista para as reações do candidato do PL.
Segundo a publicação, a preparação envolveu o marqueteiro Duda Lima e outros integrantes da campanha de Flávio, que realizaram simulações antes do confronto. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o influenciador Pablo Marçal também participaram da preparação no domingo do debate. Ainda durante a transmissão, aliados do senador começaram a distribuir gravações dos momentos em que ele aparecia atrás de Lula, utilizando aplicativos de mensagens e plataformas digitais para ampliar a circulação das imagens.
Preparação de Flávio incluiu Nikolas Ferreira e Pablo Marçal
Ao longo da semana anterior ao debate, Flávio Bolsonaro treinou perguntas e respostas com auxiliares da campanha, seguindo simulações com controle de tempo. A preparação buscava ajustar a participação do senador às regras do programa e organizar sua atuação diante das perguntas de Lula e dos questionamentos da bancada. Além do treinamento verbal, a equipe também planejou a movimentação do candidato no palco, incluindo as aparições atrás do presidente enquanto ele falava.
Pablo Marçal já havia afirmado que ajudou a preparar Flávio para o confronto com Lula, enquanto Nikolas Ferreira acompanhou o senador nos estúdios da Band. A estratégia de permanecer no enquadramento das câmeras enquanto o adversário falava lembrava uma tática utilizada por Marçal durante a campanha pela Prefeitura de São Paulo, em 2024. Naquela eleição, o influenciador aparecia nas imagens dos adversários e reagia às declarações deles com gestos e expressões faciais.
A movimentação também foi comparada à postura adotada por Donald Trump durante um debate presidencial nos Estados Unidos, em 2016, contra Hillary Clinton. Na ocasião, Trump apareceu atrás da adversária enquanto ela falava, comportamento que voltou a ser lembrado após as cenas protagonizadas por Flávio. A referência à disputa norte-americana ganhou espaço na cobertura sobre o debate brasileiro por causa da semelhança visual entre as duas situações e do uso estratégico das câmeras.
Vídeos começaram a circular durante o debate
A equipe de Flávio identificou oportunidades de divulgação nas imagens produzidas durante o confronto e começou a compartilhar gravações enquanto o programa ainda estava no ar. O conteúdo mostrava o senador atrás de Lula, reagindo às falas do presidente e demonstrando discordância por meio de gestos. A estratégia buscava transformar momentos específicos da transmissão em vídeos curtos, formato utilizado pelas campanhas para fazer circular cenas de debates nas redes sociais.
Um dos momentos em que a movimentação ficou evidente ocorreu durante a discussão sobre saúde pública, quando Flávio apresentou uma proposta relacionada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O senador afirmou ter convidado Claudio Lottenberg para assumir o Ministério da Saúde em um eventual governo e defendeu que o sistema público adotasse o padrão do Hospital Albert Einstein. Lula contestou a proposta e insinuou que ela poderia representar a privatização do SUS, enquanto Flávio permaneceu atrás do presidente e fez gestos para demonstrar discordância.
Outro trecho explorado pela campanha envolveu a declaração de Lula sobre os moradores do Rio de Janeiro, chamados de “malandros” durante a discussão. Aliados de Flávio perceberam potencial de repercussão na fala e compartilharam gravações do momento poucos minutos depois de sua ocorrência. A equipe esperava que o episódio também fosse utilizado para questionar a declaração do presidente entre os eleitores fluminenses durante a reta final da campanha.
Debate teve acusações e estratégias voltadas às redes sociais
O confronto da Band foi o primeiro debate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Durante o programa, os candidatos discutiram assuntos como o Banco Master, investigações relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segurança pública e propostas para o país. Além das perguntas e respostas, a transmissão teve acusações mútuas e momentos de tensão envolvendo os candidatos e integrantes das equipes presentes no estúdio.
A estratégia de Flávio de aparecer atrás de Lula acrescentou um componente visual ao confronto, com gestos e expressões planejados para gerar imagens destinadas à circulação digital. O material começou a ser compartilhado por aliados ainda durante o programa, enquanto os candidatos continuavam discutindo os temas apresentados pelos mediadores. A preparação descrita pelo Estado de Minas, com base em informações de O Globo, mostra como a produção de vídeos curtos e a divulgação nas redes sociais fizeram parte do planejamento da campanha do senador para o debate.





