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O presidente Lula disse que se sentiu incomodado no debate com Flávio Bolsonaro na noite do último domingo (18)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou nesta segunda-feira (19) a desafiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) a abrir os sigilos bancário e telefônico antes do segundo turno das eleições. A cobrança havia sido feita inicialmente durante o debate realizado pela Band no domingo (18), quando Lula propôs que os dois candidatos apresentassem também os dados de seus familiares para análise das autoridades. Em nova manifestação nas redes sociais, o presidente afirmou que pretende preparar procurações para autorizar o acesso aos próprios dados e aos de seus filhos, desde que Flávio aceite fazer o mesmo.

No debate, Lula sugeriu que as informações bancárias e telefônicas fossem entregues aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o petista, a medida permitiria comparar patrimônios e movimentações financeiras e verificar as acusações de corrupção trocadas durante a campanha. Flávio respondeu que não tinha nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria efetivamente abrir os sigilos nos termos propostos pelo adversário.

Na manhã desta segunda-feira, Lula retomou o assunto e estabeleceu uma semana para que o adversário aceite o desafio. Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente afirmou que queria uma avaliação patrimonial dos dois candidatos para esclarecer as acusações feitas durante a campanha e voltou a questionar a origem do dinheiro utilizado por Flávio na compra de um imóvel. O senador, até o momento da manifestação de Lula, não havia apresentado uma resposta afirmativa à proposta de abertura conjunta dos sigilos.

Lula critica postura de Flávio após debate

A cobrança de Lula ocorreu um dia depois de um debate marcado por acusações pessoais e pouca disposição dos candidatos para aceitar os enquadramentos apresentados pelo adversário. O confronto abordou temas como corrupção, patrimônio, segurança pública, relações internacionais e a atuação de integrantes das duas famílias. A abertura dos sigilos acabou se tornando um dos momentos de maior tensão do encontro porque a proposta foi apresentada como uma forma de colocar as acusações sob verificação documental.

Ao responder ao desafio durante o programa, Flávio afirmou que o dinheiro de Lula estaria “por fora” e que não apareceria nas contas do presidente. O candidato do PL não detalhou naquele momento quais informações sustentariam a acusação nem disse se aceitaria entregar seus dados bancários e telefônicos às autoridades indicadas por Lula. A discussão terminou com os dois candidatos mantendo as acusações, sem que houvesse um acordo sobre a abertura dos sigilos.

Depois do debate, Flávio voltou a comentar a proposta e ironizou o pedido relacionado ao sigilo telefônico. Em entrevista, o senador disse que suas contas sempre estiveram abertas e afirmou que declara regularmente seus dados à Receita Federal, além de questionar a possibilidade de Lula abrir o próprio telefone. A resposta, porém, não representou uma adesão explícita ao procedimento sugerido pelo presidente durante o debate.

Presidente volta a mencionar patrimônio e acusações

Na nova cobrança, Lula também voltou a levantar dúvidas sobre a compra de uma casa de milhões de reais por Flávio Bolsonaro. O presidente comparou o patrimônio do senador à remuneração que ambos recebem e afirmou que a abertura dos sigilos permitiria esclarecer a origem dos recursos utilizados na aquisição. A questão patrimonial já havia aparecido durante o debate e passou a integrar o conjunto de acusações trocadas pelos candidatos.

Lula também afirmou estar cansado de ver, segundo suas próprias palavras, “ladrões e milicianos” acusando pessoas honestas. A declaração foi feita no contexto da disputa eleitoral e veio acompanhada de críticas à família Bolsonaro, sem que o presidente apresentasse uma nova medida relacionada a investigações ou processos judiciais naquele momento. O termo “miliciano” foi utilizado por Lula como uma acusação política contra o adversário e não como uma conclusão judicial sobre a condição de Flávio.

O embate sobre os sigilos ocorre enquanto os dois candidatos intensificam a campanha na última semana antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O primeiro confronto direto entre eles expôs diferenças sobre segurança pública, economia, política externa e acusações envolvendo familiares, mas também deixou diversas perguntas sem resposta objetiva. A nova cobrança de Lula mantém o foco sobre uma proposta apresentada durante o debate e que, até a manifestação do presidente nesta segunda-feira, não havia sido aceita publicamente por Flávio.

Desafio segue sem adesão pública de Flávio

A proposta apresentada por Lula prevê a abertura dos dados dos próprios candidatos e de seus familiares, com posterior entrega das informações às autoridades da Justiça. O presidente afirmou que está disposto a autorizar o acesso aos seus dados e aos de seus filhos, desde que Flávio e seus familiares adotem procedimento semelhante. A ideia é usar os documentos para confrontar as acusações sobre patrimônio e movimentações financeiras que vêm sendo feitas durante a campanha.

Até a atualização das informações divulgadas nesta segunda-feira, Flávio não havia respondido de forma afirmativa ou negativa ao desafio nos termos propostos por Lula. Durante o debate, ele declarou não ter nada a esconder e, depois, afirmou que suas contas sempre estiveram abertas, mas não confirmou a entrega conjunta dos sigilos bancário e telefônico às presidências do STF e do TSE. A disputa sobre a abertura dos dados, portanto, permaneceu como um dos principais pontos de confronto entre os dois candidatos na reta final da eleição.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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