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Após vencer o 1º turno, Flávio Bolsonaro conseguiu ainda mais apoio para a etapa final

PP e União Brasil confirmaram apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, em uma mudança de posição provocada pelo resultado das urnas. O anúncio foi feito pela Federação União Progressista, formada pelas duas siglas, que havia adotado neutralidade durante o primeiro turno. A decisão foi descrita pelo colunista Diego Amorim, do Estado de Minas, como uma virada no jogo e na “canoa do Centrão”, diante da nova configuração política em Brasília.

O primeiro turno alterou os cálculos que vinham sendo feitos por dirigentes partidários antes da votação de 4 de outubro. Segundo Diego Amorim, integrantes de PP, União Brasil e Republicanos chegaram a considerar Lula favorito e, nos bastidores, uma liderança partidária chegou a afirmar que o petista seria reeleito “com certeza”, mas as siglas preferiram aguardar o resultado. Com Flávio na liderança da primeira etapa e uma direita fortalecida no Congresso, o cenário passou a ser reavaliado pelos partidos do chamado Centrão.

A Federação União Progressista anunciou a decisão na terça-feira, 6 de outubro, após reunião com dirigentes e parlamentares eleitos. O apoio foi oficializado por Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, que fecharam questão em torno da candidatura de Flávio. A federação havia ficado neutra no primeiro turno e chegou a impedir que Tereza Cristina, do PP, fosse escolhida como vice na chapa do PL.

PP e União mudaram de posição após o primeiro turno

A mudança de postura ocorreu depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do presidente. O resultado também mostrou uma presença maior da direita no Congresso Nacional, enquanto o chamado Centrão tradicional perdeu espaço proporcionalmente. Ainda assim, como destaca o Estado de Minas, os partidos de centro continuam importantes para a formação de maiorias e para a aprovação de projetos no Legislativo.

PP e União Brasil formaram, somados, a terceira maior bancada do Congresso eleito para a próxima legislatura. A composição dá às duas legendas peso relevante nas negociações que serão travadas a partir de 2027, independentemente de quem vencer a eleição presidencial. Por isso, o apoio anunciado para Flávio passou a ser observado também dentro das articulações sobre a futura governabilidade.

A decisão também representou uma mudança em relação às conversas mantidas durante a pré-campanha. Flávio havia buscado o apoio da Federação União Progressista, mas não conseguiu levar os partidos para sua candidatura no primeiro turno, enquanto a possibilidade de Tereza Cristina como vice acabou sendo descartada. Na avaliação apresentada por Diego Amorim, a neutralidade fazia parte de um cálculo político que acabou sendo alterado pelo desempenho de Flávio nas urnas.

Centrão recalcula alianças para o segundo turno

O movimento de PP e União Brasil ocorreu junto a outras articulações que ampliaram a base de apoio de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado, do PSD, declarou apoio ao candidato do PL, enquanto Romeu Zema, do Novo, também passou a defender sua candidatura depois de ser eliminado no primeiro turno. Michel Temer, do MDB, igualmente anunciou apoio, embora o MDB nacional tenha mantido uma posição de neutralidade e liberado suas lideranças.

O Republicanos, por sua vez, ainda negociava uma posição nacional, com o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, atuando nas conversas para aproximar o partido de Flávio. O presidente da legenda, Marcos Pereira, afirmou que as tratativas ainda estavam em andamento, enquanto uma parcela significativa da bancada demonstrava disposição de apoiar o candidato do PL. O Podemos também entrou no radar das negociações para a segunda etapa da disputa.

No caso específico de PP e União Brasil, a confirmação do apoio também teve relação com a nova correlação de forças no Congresso. A federação deverá reunir 87 deputados federais e 12 senadores eleitos para 2027, o que representa uma estrutura parlamentar relevante para qualquer articulação de governo. Mesmo com o apoio formal, porém, as duas siglas continuam abrigando lideranças com posições políticas distintas e interesses regionais próprios.

Flávio recebe apoio e Centrão mantém poder de negociação

A confirmação de PP e União Brasil reforçou a mudança de cenário ocorrida depois do primeiro turno e consolidou uma aproximação que havia sido evitada durante a primeira fase da eleição. O movimento também mostrou que partidos que aguardaram o resultado das urnas passaram a reorganizar suas posições diante da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula. A expressão usada por Diego Amorim, de que “virou o jogo, virou a canoa do Centrão”, resume a alteração descrita pelo colunista na posição dessas legendas.

Apesar da mudança, o Centrão não deixou de ter características próprias e nem passou a atuar de maneira totalmente uniforme em torno de Flávio Bolsonaro. MDB e PSD mantiveram posições nacionais de neutralidade, enquanto lideranças e diretórios regionais adotaram caminhos diferentes durante as negociações do segundo turno. Dessa forma, o apoio de PP e União representa uma mudança importante nas alianças eleitorais, mas as articulações partidárias em Brasília continuarão sendo construídas em torno de interesses diversos até a votação de 25 de outubro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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