TSE Reúne Meta e Campanhas de Lula e Flávio para Investigar Favorecimento

Na noite desta terça-feira, 20 de outubro, representantes da Meta, empresa que administra o WhatsApp, o Instagram e o Facebook, participaram de uma reunião mediada pelo ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Bellizze. O encontro também contou com a presença de representantes das campanhas dos dois candidatos à Presidência da República: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa foi solicitada pela própria plataforma, que buscou esclarecer perante a Justiça Eleitoral o cumprimento de decisão que determina tratamento equânime entre os postulantes ao Palácio do Planalto.
Decisão judicial exige comprovação em 24 horas
A reunião ocorreu após o TSE determinar que a Meta apresentasse, no prazo de 24 horas, um relatório detalhado sobre as medidas adotadas para garantir a igualdade na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais. A cobrança surgiu de questionamentos levantados nas últimas semanas sobre o funcionamento de ferramentas da plataforma durante o período eleitoral. Entre os pontos questionados estavam o comportamento de sistemas de recomendação de publicações e o uso de recursos de inteligência artificial na criação de materiais eleitorais.
Inteligência artificial e conteúdos geram questionamentos
Um dos episódios que motivou os questionamentos envolveu a ferramenta Meta AI. Segundo relatos, o sistema teria bloqueado solicitações para a criação de imagens em apoio à campanha de Lula, enquanto pedidos semelhantes relacionados a Flávio Bolsonaro teriam sido atendidos normalmente. A campanha petista também registrou queixas sobre supostas limitações no alcance de publicações e dificuldades no uso de ferramentas de impulsionamento de anúncios. As observações levaram a questionamentos formais sobre se haveria alguma orientação interna favorecendo uma das candidaturas.
Meta atribui ocorrências a falhas técnicas
Em suas manifestações até o momento, a empresa negou qualquer intenção de interferir no processo eleitoral ou favorecer politicamente um candidato em detrimento do outro. A plataforma classificou os problemas identificados como falhas operacionais e técnicas, e informou que tem trabalhado para corrigi-los. Durante a reunião com o ministro Bellizze, a empresa reiterou seu compromisso com as regras eleitorais e se colocou à disposição para esclarecer eventuais dúvidas das campanhas ao longo do segundo turno.
Igualdade eleitoral é o princípio central
Ao encerrar o encontro, o ministro Marco Aurélio Bellizze destacou o objetivo principal da medida. “Transparência e igualdade de condições entre os candidatos é o que se busca resguardar nesta representação. As plataformas digitais têm um papel fundamental no processo democrático, e devem operar dentro de regras claras que garantam a todos os concorrentes as mesmas oportunidades de comunicação com o eleitorado”, afirmou o magistrado. Bellizze atua como juiz auxiliar da propaganda eleitoral no segundo turno, integrando uma equipe de trabalho designada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que conta ainda com a ministra Estela Aranha e o ministro André Mendonça.
Acompanhamento contínuo até o dia da eleição
A reunião representa mais uma etapa do acompanhamento que a Justiça Eleitoral vem fazendo sobre o ambiente digital nesta reta final de campanha. Com o segundo turno marcado para o próximo domingo, 25 de outubro, as partes envolvidas seguem atentas ao funcionamento das plataformas. A população pode contribuir com o processo democrático ao denunciar, por meio dos canais oficiais da Justiça Eleitoral, qualquer situação que considere irregular. Informações confiáveis e verificadas continuam sendo a melhor ferramenta para que cada cidadão faça sua escolha com tranquilidade.





