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Advogados de Flávio Bolsonaro estão pressionando o TSE e citaram o canal com mais de 6 milhões de apoiadores de Lula

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) recorreu novamente à Justiça Eleitoral para tentar esclarecer como conteúdos favoráveis a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão sendo distribuídos e impulsionados nas redes sociais. Na noite de terça-feira (20), os advogados do candidato solicitaram ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, informações sobre anúncios e páginas ligadas ao campo político lulista. O pedido ocorre a poucos dias do segundo turno, em uma eleição marcada por uma disputa cada vez mais intensa pelo controle e pelo alcance das narrativas digitais.

Entre os principais alvos do questionamento está o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que ultrapassou 6 milhões de seguidores e passou a ser utilizado para organizar ações de apoiadores do presidente. A defesa de Flávio afirma que a estrutura poderia ser utilizada para ampliar artificialmente determinados assuntos nas plataformas, citando orientações para pesquisas em massa no Google e para o uso coordenado de hashtags no X. Para os advogados, a preocupação aumenta porque uma única orientação poderia ser executada simultaneamente por milhares de usuários, fazendo com que os algoritmos interpretem a movimentação como um interesse espontâneo do público.

A campanha do senador, entretanto, não se limitou ao canal de WhatsApp. Também foi solicitado que a Meta forneça informações detalhadas sobre anúncios de páginas favoráveis a Lula, incluindo valores pagos, períodos de veiculação, gastos, alcance, impressões, cliques e critérios de segmentação. Dessa forma, Flávio tenta obter dados que permitam identificar quem estaria financiando determinadas peças publicitárias, quanto estaria sendo gasto e qual público estaria sendo alcançado pelos anúncios.

Flávio pede ao TSE dados sobre anúncios favoráveis a Lula

O pedido apresentado pela campanha envolve uma quantidade considerável de informações técnicas sobre a publicidade digital. Entre os dados requeridos estão datas de criação e encerramento dos anúncios, gastos diários e totais, frequência de exposição, distribuição geográfica e demográfica e classificação das peças como publicidade relacionada a temas sociais, eleições ou política. Caso as informações sejam fornecidas, elas poderão ajudar a Justiça Eleitoral a compreender de maneira mais precisa como conteúdos políticos estão sendo financiados e distribuídos nas plataformas da Meta.

A ofensiva ocorre em um ambiente no qual as duas campanhas vêm recorrendo constantemente ao TSE para questionar o funcionamento das redes sociais. Nos últimos dias, o tribunal determinou que a Meta adotasse medidas para garantir tratamento igualitário às candidaturas de Lula e Flávio, após questionamentos sobre alcance de publicações, ferramentas de inteligência artificial e mecanismos de recomendação de conteúdo. A empresa negou favorecimento político e afirmou que problemas apontados pelas campanhas estavam relacionados a questões técnicas.

O próprio TSE já havia estabelecido critérios para diferenciar manifestações espontâneas de apoiadores de estruturas que possam ser consideradas vinculadas a uma campanha. Pela regra aprovada pelo tribunal, elementos como uso de recursos da campanha, fornecimento habitual de conteúdo, suporte técnico, atuação coordenada ou orientação sistemática sobre publicações podem ser considerados para caracterizar esse vínculo. Por outro lado, simples manifestações de apoio, reprodução de material público ou menções isoladas não são suficientes, sozinhas, para estabelecer uma relação formal com uma candidatura.

Impulsionamento político vira nova frente de disputa eleitoral

A preocupação de Flávio com o chamado impulsionamento artificial também precisa ser analisada dentro de uma disputa que já vinha sendo travada nos tribunais. Em setembro, a campanha de Lula acionou o TSE contra Flávio e outros integrantes do grupo político bolsonarista, alegando a existência de uma rede de perfis utilizada para ampliar conteúdos favoráveis à candidatura do PL. O tribunal admitiu a investigação, mas deixou claro que o recebimento de uma ação não representa reconhecimento de que as irregularidades alegadas tenham ocorrido.

Mais recentemente, o TSE também passou a analisar acusações relacionadas ao uso de publicidade paga para atacar adversários. Em 11 de outubro, o ministro André Mendonça determinou que a campanha de Lula suspendesse o impulsionamento de vídeos contra Flávio no Instagram e no Facebook, apontando indícios de utilização de recursos financeiros para ampliar uma mensagem predominantemente negativa contra o candidato. A decisão, contudo, não significa que críticas políticas estejam proibidas, mas estabelece limites específicos para a utilização de propaganda paga durante a campanha eleitoral.

Nesse contexto, o pedido feito por Flávio ao TSE representa uma tentativa de ampliar a fiscalização sobre o outro lado da disputa. A campanha quer saber não apenas quais conteúdos estão sendo divulgados, mas também quem está pagando por determinados anúncios, quanto está sendo investido e quais públicos estão sendo atingidos pelas campanhas digitais. Se forem encontradas irregularidades, os dados poderão servir de base para novas medidas judiciais, embora nenhuma conclusão sobre eventual ilegalidade possa ser antecipada antes da análise das informações solicitadas.

O que Flávio pretende descobrir com o pedido ao TSE

Um dos pontos mais sensíveis está na diferença entre mobilização política legítima e amplificação artificial de conteúdo. Nas redes sociais, uma publicação pode alcançar milhões de pessoas porque despertou interesse espontâneo ou porque foi deliberadamente impulsionada por publicidade, coordenação entre perfis ou outras estratégias de distribuição. Por isso, a Justiça Eleitoral busca estabelecer mecanismos capazes de preservar a liberdade de manifestação política sem permitir que estruturas ocultas ou recursos não declarados sejam utilizados para alterar artificialmente o alcance das campanhas.

O momento escolhido para o pedido também é significativo, pois faltam poucos dias para o segundo turno entre Lula e Flávio. Com as campanhas disputando cada espaço disponível nas redes sociais, informações sobre anúncios, canais de apoiadores e algoritmos passaram a ter importância semelhante à propaganda tradicional, enquanto decisões judiciais podem produzir efeitos imediatos sobre a estratégia eleitoral. Nesse cenário, a solicitação feita por Flávio coloca novamente o TSE diante de uma questão difícil: como fiscalizar a influência das plataformas digitais sem transformar a Justiça Eleitoral em protagonista da disputa política.

A tendência é que o tema continue sendo judicializado até a votação de 25 de outubro, especialmente porque os dois grupos políticos passaram a questionar com frequência a atuação das plataformas. Enquanto a campanha de Flávio busca informações sobre páginas e anúncios favoráveis a Lula, o grupo petista questiona o tratamento recebido por seus próprios conteúdos e já levantou suspeitas sobre o funcionamento de ferramentas da Meta. Assim, a disputa pelo alcance nas redes deixou de ser apenas uma questão de estratégia eleitoral e passou a ocupar um espaço central nas decisões do TSE sobre transparência, igualdade entre candidatos e integridade do processo eleitoral.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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