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Aliados da campanha de Flávio Bolsonaro pediram para ele deixar de lado as dicas dadas por Pablo Marçal

Pablo Marçal ficará de fora da preparação de Flávio Bolsonaro (PL) para o debate presidencial da TV Globo, marcado para sexta-feira (23), em uma mudança na estratégia de comunicação do candidato. A decisão foi divulgada pela CNN Brasil e ocorre depois da repercussão do confronto entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado pela TV Bandeirantes. Aliados passaram a defender uma postura mais contida do candidato, com menos provocações e maior atenção à apresentação de propostas.

Segundo a apuração do analista de política Pedro Venceslau, o treinamento de Flávio ficará sob responsabilidade do marqueteiro Duda Lima e de Fábio Portela, responsável pela comunicação da campanha. Na Band, Marçal acompanhou o debate presencialmente, sentado na primeira fila da plateia, e sua influência foi associada ao comportamento adotado pelo senador durante o confronto. A orientação agora é que Flávio seja “menos Pablo Marçal”, expressão utilizada por aliados para defender uma atuação diferente diante das câmeras.

A mudança revela uma divergência sobre os efeitos da estratégia de comunicação adotada no primeiro debate entre os candidatos. Embora provocações e gestos possam gerar repercussão nas redes sociais, integrantes da campanha avaliam que esse comportamento também pode transmitir uma imagem de arrogância ou excesso de agressividade. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a equipe tenta ajustar a apresentação do senador para alcançar eleitores que ainda não consolidaram sua escolha.

Aliados querem Flávio menos agressivo no debate da Globo

A atuação de Flávio Bolsonaro no debate da Band foi marcada por ataques a Lula, gestos e movimentações pelo estúdio que chamaram a atenção durante a transmissão. O estilo foi associado à influência de Marçal, conhecido por utilizar provocações e estratégias de confronto em suas participações em debates políticos. Depois do programa, aliados passaram a questionar se esse tipo de comportamento ajudaria o senador a ampliar seu apoio entre eleitores que não integram a base bolsonarista.

De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, integrantes da campanha consideram que a estratégia pode ter produzido uma impressão negativa entre parte do público. A preocupação envolve principalmente eleitores indecisos, que podem avaliar não apenas o conteúdo das respostas, mas também a maneira como os candidatos se comportam diante do adversário. Por isso, a recomendação é evitar excessos, manter o controle emocional durante as discussões e aproveitar o tempo disponível para apresentar argumentos relacionados aos principais problemas do país.

O formato do debate da Globo também pesa na preparação, já que oferece uma dinâmica diferente daquela adotada pela Band. A equipe precisa adaptar o treinamento às regras do encontro e preparar Flávio para responder a questionamentos sem depender exclusivamente de provocações ou frases destinadas a circular nas redes sociais. A intenção é preservar a capacidade de confronto político, mas com intervenções mais organizadas e maior espaço para propostas e explicações.

Duda Lima assume treinamento e Marçal perde espaço

A preparação de Flávio ficará a cargo de Duda Lima, profissional responsável pelo marketing da campanha, com participação de Fábio Portela, que atua na área de comunicação. A definição da equipe representa uma mudança em relação ao debate anterior, quando Marçal teve contato direto com o senador durante a preparação e depois acompanhou o confronto no estúdio. Agora, os responsáveis pelo treinamento deverão concentrar os esforços na postura do candidato, na construção das respostas e na escolha dos argumentos utilizados diante de Lula.

Marçal passou a colaborar informalmente com a campanha presidencial depois de ter sua candidatura à Presidência pelo PRTB barrada pela Justiça Eleitoral. Desde então, sua participação foi associada principalmente à mobilização nas redes sociais, mas também alcançou discussões sobre estratégias políticas e propostas para um eventual governo. A influência do empresário, entretanto, provocou divergências entre aliados que defendem métodos de comunicação diferentes para a reta final da disputa.

A ausência de Marçal no treinamento não significa necessariamente que ele esteja proibido de comparecer ao debate da Globo. A informação divulgada pela CNN Brasil esclarece que sua exclusão se refere à preparação do senador, enquanto uma eventual presença no estúdio permanece possível. A distinção é importante porque a mudança envolve o controle da estratégia de comunicação, sem representar, por si só, um rompimento formal entre o influenciador e a campanha de Flávio.

Bolsa Família deve ocupar espaço importante no confronto

Outro tema que deverá ganhar destaque no debate é o Bolsa Família, programa que a campanha de Lula pretende explorar para apresentar o histórico do presidente na área social. Segundo informações apuradas pela CNN Brasil, a estratégia petista prevê que o próprio Lula introduza o assunto no início do confronto, buscando colocar as políticas de transferência de renda no centro da discussão. O tema também cria uma oportunidade para que os candidatos apresentem suas posições sobre assistência social, emprego e melhoria da renda das famílias.

A equipe de Flávio, por sua vez, prepara o senador para defender a continuidade do programa e explicar propostas relacionadas à autonomia financeira dos beneficiários. A preparação também procura evitar novas controvérsias após declarações anteriores de Daniela Marques, integrante da equipe econômica da campanha, que sugeriu mudanças no benefício, incluindo um prazo para que contemplados buscassem emprego e deixassem o programa. A orientação interna é concentrar no próprio candidato as manifestações sobre o assunto, reduzindo o risco de declarações desencontradas na reta final.

Com o debate previsto para sexta-feira (23), as duas campanhas terão uma última oportunidade de apresentar seus argumentos diretamente ao eleitorado antes da votação de domingo (25). A decisão de afastar Marçal do treinamento indica que a equipe de Flávio pretende rever a forma de comunicação utilizada na Band, enquanto a preparação conduzida por Duda Lima e Fábio Portela deverá priorizar respostas mais controladas. O resultado dessa mudança poderá ser observado no confronto televisivo, especialmente na maneira como o senador reagirá às críticas de Lula e defenderá suas propostas para o país.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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