PL poderá deixar de apoiar Alcolumbre à reeleição em 2027 e clima fica tenso

A pressão pelo impeachment de Alexandre de Moraes aumentou a tensão entre Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre no Senado, em meio à crise provocada pelas revelações envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal e o banqueiro Daniel Vorcaro. O confronto ganhou intensidade durante o esforço concentrado do Congresso e passou a afetar também as articulações para a eleição da presidência do Senado em 2027. Com isso, a possibilidade de o PL apoiar uma eventual tentativa de recondução de Alcolumbre ao comando da Casa ficou mais distante.
O conflito se agravou depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de informações relacionadas ao caso Master, tornando públicas mensagens que mostraram a proximidade entre Moraes e Vorcaro. Entre os diálogos divulgados estava uma mensagem na qual o empresário perguntou ao ministro se deveria deixar o Brasil antes de sua prisão. As revelações provocaram novas cobranças da oposição e contribuíram para que pelo menos três novos pedidos de impeachment de Moraes fossem anunciados no período.
Flávio Bolsonaro passou a cobrar publicamente uma reação de Alcolumbre, que tem a prerrogativa de decidir sobre o andamento dos pedidos contra ministros do STF. O senador do PL acusou o presidente do Senado de proteger Moraes e afirmou que a Casa deveria analisar os requerimentos apresentados contra o magistrado. A disputa política, portanto, deixou de ser apenas uma discussão sobre o Supremo e passou a envolver diretamente a sucessão do comando do Senado.
Pressão do PL aumenta contra Davi Alcolumbre
O Partido Liberal passou a endurecer o discurso contra Alcolumbre e a relacionar sua permanência no comando do Senado à possibilidade de avanço de processos contra ministros do Supremo. Segundo o Metrópoles, líderes do partido avaliam que, enquanto o senador permanecer na presidência da Casa, o impeachment de Moraes não deverá avançar. A legenda também trabalha com a expectativa de ampliar sua bancada depois das eleições de 2026, o que poderia aumentar sua influência na escolha do próximo presidente do Senado.
Atualmente, o PL possui a maior bancada do Senado, com 16 parlamentares, e registrou 33 candidatos para a disputa de 2026, o maior número entre os partidos. A sigla calcula que poderá chegar a uma bancada de 26 a 28 senadores a partir de 2027, dependendo do resultado das urnas. Esse cenário fortaleceu a disposição de setores bolsonaristas de defender uma candidatura própria para comandar o Senado, em vez de apoiar automaticamente Alcolumbre.
A insatisfação também apareceu nas manifestações de 7 de Setembro, quando Alcolumbre foi alvo de críticas de políticos e apoiadores do bolsonarismo. Durante o ato realizado na Avenida Paulista, Nikolas Ferreira anunciou a intenção de levar um protesto a Macapá, base política do presidente do Senado, enquanto Flávio Bolsonaro demonstrou apoio à iniciativa. A ofensiva indicou que a disputa pelo comando da Casa poderá ganhar espaço na campanha eleitoral e pressionar candidatos ao Senado a se posicionarem sobre o assunto.
Flávio Bolsonaro mira impeachment de Alexandre de Moraes
Flávio Bolsonaro transformou o impeachment de Moraes em uma das principais bandeiras de sua atuação eleitoral, especialmente depois da divulgação das informações envolvendo o ministro e Vorcaro. No ato realizado na Paulista em 7 de Setembro, o candidato do PL voltou a defender a saída de Moraes e associou o tema às críticas que vem fazendo ao governo Lula e ao Supremo. A estratégia permite ao senador dialogar diretamente com o eleitorado bolsonarista e apresentar a disputa institucional como uma questão central de sua campanha.
O senador também passou a questionar diretamente a postura de Alcolumbre, aumentando o desgaste entre os dois grupos. Para Flávio, a presidência do Senado deveria dar andamento aos pedidos de impeachment que já foram apresentados, enquanto Alcolumbre tem afirmado que não existe previsão para pautar os requerimentos contra Moraes. O presidente da Casa chegou a mencionar publicamente o episódio envolvendo recursos buscados por Flávio junto a Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, numa resposta que elevou ainda mais a temperatura do confronto.
A reação de Alcolumbre também deixou evidente que a relação com o grupo bolsonarista passou por uma mudança importante. Em setembro, o senador afirmou que havia 109 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo e questionou a concentração das cobranças apenas sobre Moraes, ao mesmo tempo em que citou o episódio relacionado ao filme sobre Jair Bolsonaro. A declaração foi interpretada como uma resposta direta à pressão exercida por Flávio e seus aliados, embora Alcolumbre tenha evitado anunciar qualquer decisão sobre a abertura de um processo.
Disputa pelo Senado em 2027 ganha novo capítulo
A crise envolvendo Moraes passou, assim, a interferir diretamente na disputa pela presidência do Senado em 2027. Alcolumbre trabalha para permanecer no comando da Casa, mas enfrenta dificuldades para reconstruir uma aliança com o PL, enquanto setores bolsonaristas já discutem nomes alternativos, como Rogério Marinho e Tereza Cristina. A eleição presidencial também pesa nas negociações, pois o resultado da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro poderá alterar completamente o equilíbrio de forças no Congresso.
O cenário ainda pode mudar conforme a composição do Senado definida nas eleições de outubro. Com uma possível bancada maior do PL e a pressão crescente pelo impeachment de Moraes, a escolha do próximo presidente da Casa deverá ser influenciada tanto pelas alianças partidárias quanto pela posição de cada grupo diante da crise do Supremo. Por enquanto, a disputa entre Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre mostra que o caso Moraes deixou de ser apenas uma batalha entre oposição e STF e passou a produzir efeitos concretos sobre a sucessão do poder no Senado.





