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Campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao TSE que analisasse o canal criado por Janones no WhatsApp

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira, 22 de outubro, que a Meta apresente um relatório técnico detalhado sobre as atividades do canal Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A decisão foi tomada após uma solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que levantou suspeitas sobre possíveis ações coordenadas de mobilização política envolvendo o grupo no WhatsApp e outras plataformas digitais. Segundo reportagem do Terra, a ordem prevê uma análise sobre o funcionamento do canal e a eventual existência de mecanismos utilizados para ampliar artificialmente a circulação de conteúdos eleitorais.

A determinação foi emitida a apenas três dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro, quando Lula e Flávio disputam a Presidência da República. A campanha do candidato do PL argumentou que o canal estaria sendo utilizado para organizar atividades simultâneas nas redes sociais, incluindo a divulgação de hashtags, mensagens padronizadas e orientações destinadas a aumentar a repercussão de determinados assuntos. Nunes Marques solicitou que a empresa responsável pelo WhatsApp investigue essas alegações e apresente informações técnicas capazes de esclarecer se houve coordenação sistemática entre os participantes.

Entre os pontos que deverão ser examinados estão os padrões de engajamento, a distribuição dos conteúdos e a sincronização das atividades realizadas pelos integrantes do canal. A Meta também deverá verificar se houve impulsionamento pago ou distribuição patrocinada de publicações, além de analisar possíveis anomalias estatísticas que indiquem comportamentos atípicos. A determinação não representa, por si só, uma conclusão de que houve irregularidade, mas estabelece uma investigação técnica sobre as suspeitas apresentadas pela campanha de Flávio.

Meta terá de investigar possíveis ações coordenadas

O relatório solicitado por Nunes Marques deverá detalhar como os conteúdos circularam e se houve padrões identificáveis de atuação conjunta entre os usuários envolvidos nas mobilizações digitais. A análise também deverá considerar o fluxo de distribuição das mensagens, permitindo verificar se determinadas publicações foram disseminadas de maneira sincronizada ou se alcançaram grande repercussão por outros motivos. A intenção é obter elementos técnicos que ajudem a diferenciar a mobilização espontânea de apoiadores de eventuais ações organizadas para ampliar artificialmente a visibilidade de mensagens eleitorais.

A campanha de Flávio sustenta que as atividades atribuídas ao Exército do Lula não ficaram restritas ao WhatsApp e teriam buscado influenciar assuntos discutidos em outros ambientes digitais. Entre as suspeitas mencionadas estão orientações para realizar buscas específicas no Google e promover hashtags em redes sociais, como o X, antigo Twitter. A apuração deverá esclarecer se houve coordenação entre diferentes plataformas e se os padrões observados podem ser associados a uma estratégia organizada de divulgação política.

Além da Meta, Google e X foram intimados a prestar informações sobre possíveis ações coordenadas relacionadas à circulação de conteúdos entre os dias 18 e 20 de outubro. A participação das empresas poderá ajudar a identificar se houve movimentações simultâneas em diferentes serviços digitais durante o período analisado. As informações solicitadas também poderão contribuir para esclarecer a dimensão das ações denunciadas pela campanha do candidato do PL, sem antecipar o resultado da investigação.

Canal de André Janones já foi alvo de decisões do TSE

O Exército do Lula é administrado pelo deputado federal André Janones e reúne milhões de seguidores no WhatsApp, funcionando como um espaço de divulgação de conteúdos favoráveis ao presidente e de mobilização de apoiadores. O canal ampliou rapidamente sua audiência após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando as campanhas de Lula e Flávio passaram a disputar o voto dos eleitores para a etapa final da eleição. Na data da nova decisão, o grupo já havia ultrapassado a marca de oito milhões de inscritos, segundo informações publicadas pela imprensa.

A estrutura já havia sido alvo de medidas judiciais durante outubro, incluindo uma determinação de suspensão emitida por Nunes Marques em 11 de outubro após um pedido da campanha de Flávio. Na ocasião, o ministro apontou suspeitas de disseminação coordenada de informações consideradas falsas, mas a decisão foi posteriormente revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar uma restrição tão abrangente. O canal voltou a funcionar, e a disputa passou a envolver também a análise das providências adotadas pela Meta para cumprir as determinações da Justiça Eleitoral.

Em uma análise técnica anterior, a área de enfrentamento à desinformação do TSE informou que não encontrou, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, os conteúdos específicos citados pela campanha de Flávio. O levantamento, porém, apontou que mensagens de setembro haviam sido apagadas ou editadas posteriormente, o que dificultou uma avaliação completa do material originalmente divulgado. Esse histórico torna relevante a preservação de registros e a análise técnica solicitada à plataforma, embora não permita concluir antecipadamente se as novas suspeitas serão confirmadas.

Investigação ocorre na reta final da eleição presidencial

A nova determinação coloca a atuação de canais políticos de grande alcance no centro da discussão sobre as regras aplicáveis à campanha eleitoral nas redes sociais. A legislação e as decisões da Justiça Eleitoral buscam coibir práticas ilícitas e a disseminação de desinformação, mas a participação organizada de apoiadores em mobilizações digitais não constitui, por si só, uma irregularidade. Por isso, a análise solicitada deverá considerar o comportamento efetivamente identificado pelas plataformas, os registros disponíveis e as circunstâncias das atividades questionadas.

O resultado do relatório poderá esclarecer se houve sincronização de publicações, padrões incomuns de engajamento ou utilização de recursos pagos para ampliar a circulação de conteúdos ligados ao canal. Até a publicação da notícia pelo Terra, a matéria permanecia em atualização e não apresentava uma conclusão definitiva sobre as suspeitas levantadas pela campanha de Flávio. A Meta foi encarregada de reunir os dados técnicos solicitados pelo TSE enquanto Lula e Flávio se preparavam para disputar o segundo turno neste domingo, 25 de outubro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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