Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro tentam conquistar os eleitores, a Meta fatura milhões

A eleição presidencial de 2026 já tem um destaque quando o assunto é dinheiro movimentado pelas campanhas: a Meta, empresa responsável pelo Facebook e pelo Instagram, aparece na primeira posição entre os fornecedores contratados pelos candidatos. Os dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 22 de outubro apontaram que o Facebook Serviços Online do Brasil faturou R$ 304,9 milhões durante o processo eleitoral. Na segunda colocação ficou a Dlocal Brasil Instituição de Pagamento SA, plataforma utilizada por grandes empresas de tecnologia em transações comerciais globais, com R$ 102,5 milhões captados.
Juntas, as duas empresas somaram R$ 407,4 milhões, valor equivalente a 8,3% dos R$ 4,93 bilhões contratados junto a fornecedores nas campanhas eleitorais de 2026. Os números evidenciaram a dimensão financeira dos serviços digitais no cenário político brasileiro, especialmente em uma disputa marcada pela presença de candidatos, partidos, influenciadores e apoiadores nas redes sociais. O resultado também colocou em evidência o papel das plataformas tecnológicas na circulação de mensagens políticas e na estratégia de comunicação das campanhas.
O faturamento, porém, não foi o único aspecto relacionado à Meta que ganhou destaque na reta final da eleição. O Conselho de Supervisão da empresa divulgou críticas às falhas de moderação e à falta de transparência durante o processo eleitoral brasileiro, em meio a denúncias sobre possíveis diferenças no tratamento de conteúdos políticos. O debate passou a envolver não apenas os gastos das campanhas, mas também a influência das grandes empresas de tecnologia na formação da opinião pública e no funcionamento das disputas democráticas.
Meta lidera ranking de fornecedores das campanhas eleitorais
O levantamento do TSE colocou o Facebook Serviços Online do Brasil no topo do ranking de fornecedores das campanhas de 2026, com R$ 304,9 milhões em faturamento. A segunda posição ficou com a Dlocal Brasil Instituição de Pagamento SA, que registrou R$ 102,5 milhões. A soma dos valores alcançou R$ 407,4 milhões, mostrando a dimensão financeira dos serviços ligados às plataformas digitais e às operações de pagamento utilizadas por empresas de tecnologia.
O montante conjunto correspondeu a 8,3% dos R$ 4,93 bilhões contratados pelas campanhas com fornecedores durante o período eleitoral. A cifra considera os valores informados nos dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral e ajuda a dimensionar a participação desses serviços no conjunto das despesas de campanha. A presença de empresas ligadas à tecnologia entre os principais fornecedores também reflete a importância adquirida pelos canais digitais na comunicação entre candidaturas e eleitores.
As redes sociais passaram a ocupar espaço central nas estratégias políticas, tanto para divulgar propostas quanto para distribuir vídeos, anúncios e mensagens direcionadas a diferentes públicos. A comunicação digital permite que as campanhas alcancem usuários em grande escala e segmentem conteúdos conforme características de audiência. Esse modelo amplia as possibilidades de divulgação, mas também torna relevantes as discussões sobre transparência, regras de publicidade e responsabilidade das plataformas na circulação de informações políticas.
Conselho de Supervisão critica atuação da Meta
A atuação da Meta também foi questionada após a divulgação de um comunicado do Conselho de Supervisão da empresa, órgão independente composto por especialistas que examinam decisões relacionadas à moderação de conteúdo. A manifestação apontou problemas de transparência e falhas na aplicação das regras durante as eleições brasileiras. As críticas ganharam importância em meio às denúncias de que os algoritmos da plataforma poderiam ter tratado conteúdos políticos de maneira desigual.
O episódio enfraqueceu a posição apresentada pela empresa ao Tribunal Superior Eleitoral sobre sua atuação técnica e imparcial no processo eleitoral. As denúncias envolveram a possibilidade de diferenças na distribuição de conteúdos, assunto que exige análise de dados, critérios de moderação e informações sobre o funcionamento dos sistemas digitais. A existência de questionamentos, entretanto, não equivale, por si só, à comprovação de que houve interferência deliberada no resultado da eleição.
A discussão sobre o papel das plataformas ultrapassou o Brasil e passou a integrar debates internacionais sobre democracia, privacidade e desinformação. Casos como o escândalo envolvendo a Cambridge Analytica e o uso de dados de usuários do Facebook durante a campanha do Brexit, em 2016, ampliaram a preocupação com a utilização de informações pessoais para direcionar mensagens políticas. Desde então, episódios envolvendo conteúdos manipulados, perfis automatizados e mensagens falsas reforçaram a cobrança por mecanismos mais transparentes de funcionamento e fiscalização.
Redes digitais ampliam influência nas disputas políticas
A comunicação política passou por mudanças profundas com a expansão das redes sociais e dos sistemas de recomendação de conteúdo. Candidatos e influenciadores conseguem falar diretamente com milhões de pessoas, sem depender exclusivamente dos veículos tradicionais de comunicação. Nesse ambiente, vídeos, publicações e mensagens compartilhadas repetidamente podem influenciar a maneira como os eleitores interpretam acontecimentos e avaliam propostas.
A circulação de informações em grupos e comunidades digitais também favorece a formação de públicos com referências e interpretações semelhantes. Quando conteúdos são distribuídos continuamente dentro desses ambientes, versões parciais dos acontecimentos podem ganhar visibilidade e dificultar o acesso a informações verificadas. Por isso, a transparência dos algoritmos, a moderação de conteúdo e a identificação de publicidade política tornaram-se temas relevantes para o debate sobre a integridade das eleições.
A influência das plataformas também está relacionada ao volume de recursos investidos pelas campanhas para ampliar o alcance de suas mensagens. Os valores registrados pelo TSE mostram a dimensão financeira dessa estrutura, mas não permitem concluir isoladamente que os gastos determinaram as preferências do eleitorado. A avaliação da influência digital exige considerar outros fatores, como o conteúdo divulgado, o comportamento dos usuários, a exposição a diferentes fontes e as mudanças de opinião ao longo da campanha.
Debate da Globo ocorre na reta final da disputa presidencial
A discussão sobre comunicação digital e influência política ocorreu em uma semana decisiva para a eleição presidencial de 2026, quando Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, se preparavam para o debate da TV Globo. O encontro foi marcado para sexta-feira, 23 de outubro, às 21h20, depois do Jornal Nacional, com mediação de César Tralli. A transmissão estava prevista para a TV Globo, a GloboNews e o g1, dois dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O debate também teria checagem de informações por meio do serviço Fato ou Fake, do g1, com verificações publicadas em ambiente digital paralelo à transmissão televisiva. A iniciativa permitiria examinar declarações feitas pelos candidatos sem interromper o programa exibido na TV aberta. Na reta final da eleição, os dados do TSE sobre o faturamento dos fornecedores e as discussões sobre a atuação das plataformas mantiveram em evidência o peso econômico e político da comunicação digital no processo eleitoral.





