O que é propensão ao voto, novidade de pesquisas divulgadas na véspera da eleição

Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, o instituto Datafolha trouxe uma novidade importante na forma de analisar a intenção de voto. Divulgado neste sábado, 24 de outubro, o levantamento passou a considerar também a propensão dos eleitores a de fato comparecer às urnas, oferecendo um retrato mais completo sobre como a participação eleitoral pode influenciar o resultado final da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Intenção direta mostra cenário de equilíbrio
Nos votos válidos — aqueles dados diretamente aos candidatos, sem considerar brancos, nulos e abstenções — o levantamento registra Flávio Bolsonaro com 51% e Lula com 49%. A diferença de dois pontos percentuais coloca os candidatos em empate técnico, já que coincide exatamente com a margem de erro do estudo, que também é de dois pontos para mais ou para menos. Esse dado reforça o que outras pesquisas já vinham sinalizando: trata-se de uma das disputas mais acirradas das últimas décadas, na qual qualquer pequena variação pode fazer a diferença.
O novo modelo: quem tende a ir votar e quem pode ficar em casa
O diferencial desta rodada está na divisão dos eleitores em dois grupos, com base na probabilidade de cada um comparecer à votação. O modelo leva em conta fatores como a distância entre a residência do eleitor e o local de votação, além de ter ou não participado do primeiro turno. A premissa é simples: saber não apenas em quem o eleitor pretende votar, mas se ele efetivamente planeja ir até a urna no domingo.
Alta propensão favorece Flávio; menor engajamento beneficia Lula
Entre os eleitores classificados com alta propensão de votação — ou seja, aqueles que moram perto da seção eleitoral e já compareceram no primeiro turno — Flávio Bolsonaro aparece com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Esse grupo representa 76% dos entrevistados. Já entre os eleitores com baixa ou média propensão, que incluem quem não votou na primeira etapa ou mora mais distante do local de votação, o cenário se inverte: Lula registra 52% e Flávio, 48%. Essa fatia corresponde a 24% dos ouvidos na pesquisa.
Por que isso importa para o resultado de domingo?
Os números revelam que o comparecimento eleitoral será um dos fatores decisivos deste domingo. Se a participação for elevada, com a maioria dos eleitores indo às urnas, a vantagem de Flávio Bolsonaro no grupo mais engajado tende a pesar mais. Caso a abstenção seja maior, especialmente entre eleitores que não participaram do primeiro turno, o cenário pode se tornar mais favorável a Lula. Em uma disputa tão apertada, mobilizar os eleitores indecisos ou afastados pode ser tão importante quanto convencer quem já tem uma preferência definida.
Entendendo os números: o que são votos válidos?
É fundamental compreender como são calculados os resultados oficiais. Os votos válidos excluem brancos, nulos e abstenções, e é com base nesse universo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgará o resultado final. Para vencer no primeiro turno, é necessário alcançar mais da metade desses votos — ou seja, 50% mais um. No segundo turno, a regra é a mesma: vence quem obtiver a maioria simples dos votos válidos, independentemente do percentual de comparecimento.
Metodologia e cuidados na leitura dos dados
O Datafolha entrevistou 4.050 pessoas em todo o país nos dias 23 e 24 de outubro. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-09540/2026, com nível de confiança de 95%. Embora o novo modelo ofereça uma visão mais rica sobre os diferentes perfis de eleitor, é importante lembrar que a abstenção é imprevisível e pode variar conforme fatores como clima, notícias dos últimos dias e motivação de cada lado. No fim das contas, nenhum cálculo estatístico substitui o que acontece de fato no dia da eleição. O resultado será definido por cada cidadão que decidir comparecer às urnas neste domingo, 25 de outubro.





