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Derrota e inquéritos pressionam futuro de Flávio; irmão sugeriu que ele deixe o país

O resultado apertado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 representa muito mais do que uma simples derrota eleitoral para Flávio Bolsonaro (PL). A perda da disputa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) coincide com o fim de seu mandato no Senado Federal e abre um novo capítulo em sua trajetória pública — um período sem cargo eletivo e, consequentemente, sem a proteção jurídica que acompanha a função parlamentar. O cenário que se desenha pela frente combina desafios políticos importantes e questões judiciais que passarão a ser conduzidas em instâncias diferentes daquelas que lidou até aqui.

Uma trajetória pública ininterrupta que chega ao fim

Desde 2003, quando foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro não conheceu outro cenário que não fosse o de ocupar um mandato eletivo. Quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa fluminense foram seguidos por uma eleição ao Senado em 2018, na esteira da vitória de seu pai, Jair Bolsonaro, à Presidência da República. Em 31 de janeiro de 2027, esse ciclo se encerra. Sem reeleição e sem vitória na corrida presidencial, ele ficará sem mandato público por pelo menos dois anos, até as eleições municipais. Ausência de cargo, porém, não significa afastamento da cena política — mas muda completamente os termos de sua presença nela.

Uma candidatura que enfrentou resistências internas

Quando anunciou sua disposição de disputar a Presidência, em dezembro de 2025, a própria direita brasileira recebeu a notícia com reservas. O nome considerado mais competitivo para enfrentar Lula era o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que havia sido reeleito no primeiro turno. Mesmo assim, Flávio persistiu, construiu sua candidatura e consolidou-se como principal referência eleitoral da base bolsonarista. Seu desempenho no primeiro turno superou inclusive os resultados obtidos por seu pai em 2022: abriu vantagem de quase dois pontos sobre Lula, enquanto Jair Bolsonaro havia ficado mais de cinco pontos atrás. Chegou muito perto de impedir um quarto mandato petista, demonstrando força eleitoral real, mas insuficiente para vencer no segundo turno.

Fim da imunidade muda cenário jurídico

O aspecto mais sensível desse momento de transição é a perda do foro por prerrogativa de função. Enquanto senador, Flávio Bolsonaro era julgado e investigado diretamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A partir de fevereiro de 2027, seus processos passariam para instâncias judiciais comuns, caso não haja novo mandato que restabeleça o privilégio. Atualmente, ele é alvo de dois inquéritos na Suprema Corte. Um deles diz respeito a supostas irregularidades relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, no qual teria solicitado recursos ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. O caso está sob a relatoria do ministro André Mendonça.

Novo inquérito e movimentações judiciais na reta final

Nos últimos dias que antecederam o segundo turno, um segundo inquérito foi aberto, distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes. As investigações envolvem suspeitas de movimentações financeiras suspeitas ligadas ao seu advogado e amigo, Willer Tomaz. A Polícia Federal apura se Tomaz teria funcionado como intermediário de operações em benefício do senador. Na sexta-feira anterior à votação, Moraes autorizou a quebra de sigilo de uma empresa offshore vinculada ao advogado e determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 6 bilhões. Trata-se de um desdobramento que ganha relevância justamente no momento em que se aproxima o fim de seu mandato.

Sugestão de saída do país gera debate público

A combinação entre o fim da imunidade parlamentar e a existência de investigações em curso levou seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, a declarar publicamente que recomendaria a Flávio deixar o país caso perdesse a eleição. A declaração foi dada em entrevista internacional e repercutiu amplamente no Brasil. A sugestão foi feita em resposta a uma afirmação feita por Lula durante debate, quando o presidente alertou sobre as consequências jurídicas que poderiam surgir após o fim do mandato parlamentar. Eduardo se mudou para os Estados Unidos em 2025, citando perseguição política como motivo da decisão. Flávio, porém, não se pronunciou oficialmente sobre qualquer plano de deixar o Brasil.

O que vem pela frente: política e Justiça caminham juntas

Independentemente de caminhos pessoais, o fato é que Flávio Bolsonaro entra em um período de redefinição. Continua sendo uma figura central para milhões de brasileiros que o apoiaram nas urnas, mas deixa de ter o mandato como escudo. Seus próximos passos serão acompanhados tanto por eleitores quanto pela Justiça. A política brasileira segue dinâmica e os cenários podem mudar, mas a lição deste momento é clara: nenhum cargo é eterno, e nenhuma situação jurídica é imutável. O futuro de Flávio Bolsonaro será construído agora — não mais com o respaldo de um mandato parlamentar, mas com as escolhas que ele próprio fará, dentro e fora das instituições.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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