Lula diz durante Assembleia Geral da ONU que não vai ‘terceirizar’ combate ao crime organizado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, durante discurso na abertura dos debates da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, 22, a cooperação internacional como caminho para enfrentar o crime organizado, deixando claro que o Brasil não delegará a outros países a responsabilidade sobre a segurança interna. A declaração foi proferida em meio a divergências públicas com os Estados Unidos sobre estratégias de enfrentamento ao tema na América Latina.
O chefe do Executivo destacou que a gravidade do fenômeno exige esforço conjunto entre nações, mas ressaltou que cada governo deve conduzir as ações dentro de seu território com soberania. “Não iremos terceirizar a nossa segurança. O combate ao crime organizado é tarefa que cabe a nós, brasileiros, e vamos fazê-lo com respeito à nossa lei, à nossa Constituição e à nossa forma de atuar”, afirmou. A fala sinaliza postura firme diante de propostas externas que sugerem modelos de intervenção diferentes dos adotados pelo Brasil.
Lula questionou abordagens que consideram a aplicação de medidas unilaterais ou o uso de força militar como solução para problemas que têm raízes sociais, econômicas e institucionais. “Não basta agir sobre os efeitos; é preciso atacar as causas que alimentam a violência, a marginalidade e a desigualdade”, observou. Para o presidente, a cooperação eficaz passa pelo intercâmbio de informações, pelo fortalecimento das instituições e pelo desenvolvimento de políticas públicas que gerem oportunidades, especialmente para jovens.
O pronunciamento ocorre em um contexto de tensão diplomática. Recentemente, os Estados Unidos classificaram grupos atuantes no Brasil como organizações terroristas e mencionaram a possibilidade de uso de força militar na região. O governo brasileiro rejeitou essas iniciativas, entendendo que não se alinham com a realidade local nem com a legislação nacional. As tarifas comerciais impostas pelo governo norte-americano também fazem parte do clima de divergência entre os dois países.
Ainda na tribuna da ONU, Lula reiterou que o Brasil está aberto ao diálogo e à colaboração com todas as nações, desde que haja respeito recíproco. “A cooperação não pode servir de pretexto para interferir nos assuntos internos de nenhum país. Deve ser baseada na confiança, no respeito à soberania e na compreensão de que cada povo conhece melhor a sua realidade”, acrescentou. A posição reforça a linha de atuação que tem marcado a política externa brasileira nos últimos meses.
A comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos dessas declarações, que trazem para o debate global a visão brasileira sobre segurança e relações exteriores. O combate ao crime organizado é, de fato, um desafio que ultrapassa fronteiras, mas a forma de enfrentá-lo também precisa ser decidida de comum acordo, sem imposições. Que o diálogo prevaleça sobre a divergência e que as soluções encontradas fortaleçam a segurança e a paz em toda a América Latina.





