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Nesta segunda-feira (26), o dólar teve uma alta de 8,65% e pegou muita gente de surpresa

O mercado financeiro brasileiro iniciou esta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, sob forte pressão após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. O dólar comercial abriu em alta de 8,65%, cotado a R$ 5,424, enquanto os contratos futuros do Ibovespa registraram perdas expressivas antes da abertura do pregão regular da Bolsa brasileira. A reação ocorreu porque o resultado eleitoral contrariou as expectativas de parte dos investidores, que vinham considerando a possibilidade de mudança no comando do governo federal.

A movimentação também foi observada nos mercados internacionais, onde ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos sofreram quedas acentuadas durante as negociações preliminares. O fundo de índice EWZ, que acompanha uma carteira de ações brasileiras em Nova York, recuava mais de 26%, enquanto recibos de ações de grandes bancos e da Petrobras também registravam perdas expressivas. As cotações no exterior indicavam uma reavaliação das posições dos investidores antes da retomada das negociações na B3.

A reportagem do G1 sobre o comportamento do dólar e do Ibovespa ocorre em um dia marcado pela revisão das expectativas econômicas após a confirmação da vitória de Lula. Os investidores passaram a acompanhar possíveis impactos sobre as contas públicas, a inflação, os juros e o câmbio, além das primeiras sinalizações do presidente reeleito sobre a condução da economia. A intensidade dos movimentos dependerá da evolução das negociações e da interpretação do mercado sobre as medidas que serão adotadas no próximo mandato.

Dólar sobe mais de 8% e supera R$ 5,40 na abertura

A cotação do dólar comercial chegou a R$ 5,424 nos primeiros minutos de negociação, representando uma alta de 8,65% em relação ao fechamento da sexta-feira, quando a moeda norte-americana terminou vendida a aproximadamente R$ 4,99. O avanço reverteu parte do movimento registrado após o primeiro turno, quando a perspectiva de vitória de Flávio Bolsonaro havia contribuído para a queda do câmbio. A mudança nas expectativas eleitorais levou investidores a rever posições e aumentou a procura por proteção diante das incertezas sobre a economia brasileira.

A desvalorização do real também apareceu nas negociações de contratos futuros no exterior, que apontavam para uma pressão adicional sobre a moeda brasileira. Esses contratos, entretanto, não correspondem diretamente à cotação comercial observada no mercado nacional e precisam ser analisados de acordo com suas características e horários de negociação. A diferença é importante porque as operações realizadas nos Estados Unidos podem antecipar tendências, mas não determinam necessariamente a trajetória do dólar ao longo de todo o pregão brasileiro.

Entre os fatores acompanhados pelos investidores está a possibilidade de que uma moeda brasileira mais fraca aumente os custos de produtos importados e de insumos cotados em dólar. Caso a desvalorização cambial persista, parte dessa pressão poderá chegar aos preços domésticos, dependendo das condições de demanda, dos custos das empresas e da duração do movimento. O mercado também monitora os efeitos do câmbio sobre as decisões do Banco Central, especialmente em relação à inflação e ao ritmo de eventuais reduções da taxa básica de juros.

Ibovespa futuro registra queda e aumenta temor de circuit breaker

Antes da abertura do mercado à vista, os contratos futuros do Ibovespa chegaram a cair aproximadamente 14,84%, por volta das 9h04, indicando uma sessão potencialmente marcada por oscilações intensas. O movimento refletia a reação dos investidores à vitória de Lula e à revisão das expectativas construídas durante a campanha eleitoral. Como a Bolsa brasileira ainda não havia iniciado o pregão regular naquele momento, a variação dos contratos futuros não deveria ser confundida com uma queda já registrada no índice à vista.

Diante da possibilidade de movimentos extremos, a B3 anunciou alterações temporárias nos limites de oscilação de determinados contratos futuros para a sessão desta segunda-feira. O limite inferior dos contratos futuros do Ibovespa e do mini-índice foi ampliado de 10% para 15%, enquanto o limite superior de oscilação dos contratos futuros de dólar passou de 6% para 8,4%. As mudanças foram estabelecidas excepcionalmente para o pregão e procuravam adequar os parâmetros de negociação à volatilidade esperada.

A possibilidade de acionamento do circuit breaker também entrou no radar dos participantes do mercado. O mecanismo suspende temporariamente as negociações quando o Ibovespa atinge determinados níveis de queda, permitindo que investidores reavaliem as informações disponíveis antes da retomada das operações. A expectativa de que o mecanismo pudesse ser utilizado refletia a intensidade das perdas observadas nos mercados internacionais, mas não significava que uma interrupção estivesse automaticamente confirmada.

Ações de bancos e Petrobras sofrem perdas no exterior

Os recibos de ações de empresas brasileiras negociados nos Estados Unidos apresentaram quedas expressivas durante as operações anteriores à abertura regular de Wall Street. Entre os papéis pressionados estavam os do Itaú Unibanco, do Bradesco e da Petrobras, companhias acompanhadas de perto pelos investidores internacionais. O EWZ também registrava forte desvalorização, funcionando como um indicador da reação dos mercados estrangeiros aos ativos brasileiros após o resultado eleitoral.

O setor bancário esteve entre os mais afetados, com os papéis do Itaú e do Bradesco registrando perdas superiores a 25% em determinados momentos das negociações preliminares. A Petrobras também apresentou recuo expressivo, acompanhando o movimento negativo que atingiu empresas de diferentes segmentos da economia brasileira. Essas variações ocorreram em recibos negociados no exterior e não devem ser interpretadas como resultados idênticos para as ações negociadas na B3, cujos preços dependem das operações realizadas no mercado doméstico.

A reação negativa foi associada à revisão das apostas sobre a política econômica, especialmente em relação ao controle das despesas públicas e à trajetória da dívida federal. Parte dos investidores esperava uma mudança de governo que pudesse resultar em uma orientação fiscal diferente, e a vitória de Lula levou esses participantes a recalcular suas posições. Ainda assim, as oscilações de uma única sessão não determinam o desempenho futuro das empresas, que também depende de resultados financeiros, condições internacionais e decisões específicas de cada companhia.

Inflação, juros e contas públicas entram no radar dos investidores

A desvalorização do real pode influenciar as expectativas de inflação porque encarece, em moeda brasileira, produtos importados e matérias-primas negociadas internacionalmente. Se essa pressão for persistente e atingir os preços ao consumidor, o Banco Central poderá enfrentar maior dificuldade para reduzir a taxa Selic. Analistas passaram, por isso, a acompanhar a possibilidade de mudanças nas expectativas sobre os próximos passos da política monetária.

As contas públicas também estão entre as principais preocupações do mercado após a definição do resultado eleitoral. Investidores observam as perspectivas para as despesas do governo, a arrecadação, o crescimento da dívida e a capacidade de cumprir as regras fiscais. Caso aumente a percepção de risco sobre a trajetória das contas públicas, o país poderá enfrentar custos maiores para captar recursos, enquanto os títulos públicos estarão sujeitos a oscilações nos preços e nos rendimentos.

A agenda econômica desta segunda-feira inclui indicadores que ajudam a avaliar as condições internas e externas do país. Entre os dados previstos estão a pesquisa Focus, do Banco Central, que reúne projeções de instituições financeiras para inflação, câmbio, juros e crescimento econômico, além dos números sobre transações correntes e investimento direto no Brasil. O mercado também acompanha a divulgação de informações sobre a dívida pública federal e a balança comercial, enquanto aguarda sinais do governo reeleito sobre suas prioridades econômicas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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