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O site argentino Infobae informou que Flávio teria utilizado um jato para sair do Brasil

O avião que supostamente seria utilizado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para viajar aos Estados Unidos saiu de Buenos Aires e pousou em Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de segunda-feira (26). A aeronave, um jato executivo Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertence à empresa Baires Fly e permaneceu no aeroporto da cidade argentina nesta terça-feira (27). A movimentação foi noticiada pelo Correio do Povo, com base em informações de veículos argentinos, em meio à apuração sobre o possível paradeiro do senador.

De acordo com os registros de voo mencionados na reportagem, o jato decolou da capital argentina por volta das 22h14 e chegou a Puerto Iguazú às 23h45. A cidade fica próxima de Foz do Iguaçu, no Paraná, na região da fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. A presença da aeronave no local, porém, não comprova que Flávio estivesse a bordo.

Segundo o site argentino Todo Noticias, a empresa responsável pelo avião teria solicitado autorização para realizar uma viagem aos Estados Unidos nas primeiras horas de terça-feira. A decolagem, entretanto, não aconteceu no horário previsto, e a tripulação não teria apresentado o plano de voo nem a lista de passageiros antes de cancelar a partida. Enquanto isso, agentes da Polícia de Segurança Aeroportuária permaneceram na área onde o jato estava estacionado.

Jato Gulfstream G400 permanece na Argentina

O avião citado nas notícias tem matrícula LV-JQW e pertence à empresa argentina Baires Fly, especializada em aviação executiva. Conforme o Correio do Povo, a aeronave também esteve no Rio de Janeiro em 20 de outubro, onde teria permanecido por aproximadamente cinco horas antes de retornar a Buenos Aires. O histórico de deslocamentos passou a ser observado depois da divulgação de informações sobre uma possível viagem de Flávio Bolsonaro para fora do Brasil.

A hipótese de que o senador utilizaria o jato foi divulgada inicialmente pelo jornal argentino Infobae. Segundo o veículo, Flávio teria atravessado a fronteira utilizando sua carteira de identidade e seguiria de Puerto Iguazú para os Estados Unidos em um voo privado. Essa versão, no entanto, não foi confirmada pelas autoridades argentinas, que negaram ter encontrado registro oficial de entrada do parlamentar no país.

O coordenador-geral da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), também negou que o senador tivesse deixado o Brasil. Em declaração reproduzida pelo Correio do Povo, Marinho afirmou que Flávio “não saiu” do país. Outros aliados, por sua vez, disseram não saber informar o paradeiro do parlamentar, o que manteve a situação sob apuração.

Governo argentino nega entrada de Flávio Bolsonaro

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou nesta terça-feira que não havia registro de entrada de Flávio Bolsonaro no território argentino. Em comunicado, o órgão explicou que as autoridades realizaram verificações relacionadas à aeronave e à tripulação após a repercussão das notícias sobre o possível uso do avião. A manifestação oficial acrescentou que a documentação da empresa estava regular e que não havia sido apresentado plano de voo que incluísse integrantes da família Bolsonaro.

A declaração do governo argentino divergiu da versão divulgada pelo Infobae sobre a suposta passagem do senador pela fronteira. A Polícia Federal brasileira também passou a verificar se Flávio havia deixado o país, inclusive por meio de contatos com autoridades argentinas. Até as informações divulgadas pelo Correio do Povo, não havia confirmação oficial de que o parlamentar tivesse ingressado na Argentina ou embarcado rumo aos Estados Unidos.

O jato continuava no aeroporto de Puerto Iguazú, enquanto a possível viagem permanecia cercada de informações divergentes. A aeronave e seus deslocamentos foram identificados por meio de registros de rastreamento de voos, mas esses dados não permitiam confirmar a identidade dos passageiros. A eventual presença de Flávio no avião continuava sem comprovação oficial.

Polícia Federal cancela passaportes do senador

O episódio ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal. O prazo estabelecido terminou na manhã de terça-feira (27), mas os documentos não foram entregues dentro do período determinado, segundo informações divulgadas pela imprensa. Diante disso, a Polícia Federal cancelou os passaportes e iniciou verificações para esclarecer se o senador havia deixado o Brasil.

Na segunda-feira (26), Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que relatou ter sido abordado por agentes da Polícia Federal ao sair da residência do pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Na gravação, o senador afirmou que cumpriria a determinação de entregar os documentos e contestou a medida judicial. A ordem foi divulgada em meio a investigações envolvendo o parlamentar, incluindo uma apuração relacionada ao financiamento do filme Dark Horse e outra que envolve o advogado Willer Tomaz.

A possibilidade de uma viagem aos Estados Unidos ganhou repercussão após a publicação do Infobae, mas as informações disponíveis apresentavam divergências sobre a entrada do senador na Argentina e sua eventual participação no voo. O Correio do Povo informou que o jato Gulfstream G400 havia viajado de Buenos Aires para Puerto Iguazú e continuava parado no aeroporto argentino. Até aquele momento, não havia confirmação oficial de que Flávio Bolsonaro tivesse utilizado a aeronave ou deixado o Brasil.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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