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Lula e Flávio aproveitarão o debate da Globo para tentar conquistar os eleitores indecisos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao último debate presidencial televisionado de 2026 com estratégias voltadas à conquista de eleitores indecisos e à mobilização de pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno. O encontro será realizado nesta sexta-feira, 23 de outubro, pela TV Globo, a partir das 21h20, após o Jornal Nacional, com mediação do jornalista César Tralli. Conforme reportagem publicada pelo UOL, as duas campanhas prepararam mudanças de postura depois do confronto realizado pela Band no domingo anterior, marcado por acusações e questionamentos envolvendo os candidatos e seus familiares.

A disputa chega à sua etapa final com a votação do segundo turno prevista para domingo, 25 de outubro, quando os brasileiros escolherão entre os dois candidatos que avançaram na eleição presidencial. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, conforme os resultados eleitorais divulgados para a disputa. Nesse cenário, as equipes dos candidatos concentram parte de seus esforços na comunicação com os eleitores que ainda não definiram o voto e na tentativa de incentivar a participação daqueles que permaneceram ausentes na primeira votação.

O comparecimento às urnas também integra as preocupações das campanhas, já que mais de 33 milhões de eleitores não votaram no primeiro turno, segundo os números divulgados após a apuração. A abstenção representou aproximadamente 21% do eleitorado apto a participar da escolha presidencial, tornando a mobilização dos eleitores ausentes um dos assuntos presentes na reta final. Além de apresentar argumentos para conquistar novos votos, Lula e Flávio precisam manter o envolvimento de seus apoiadores até domingo, quando a participação efetiva dos eleitores será registrada nas urnas.

Lula prepara respostas e pretende destacar propostas de governo

A equipe de Lula trabalha para que o presidente adote uma postura mais firme no debate da Globo, com questionamentos direcionados ao adversário e a apresentação de propostas para um eventual quarto mandato. Entre os assuntos previstos na estratégia petista estão o programa Prospera MEI, a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a proposta de passe livre nos fins de semana. A campanha também pretende responder a perguntas relacionadas a familiares do presidente, incluindo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, citados em discussões políticas recentes.

O debate anterior, realizado pela Band em 18 de outubro, teve momentos de confronto envolvendo acusações relacionadas a corrupção, questionamentos sobre familiares e referências a investigações. Naquela ocasião, Lula cobrou explicações sobre um pedido de R$ 134 milhões atribuído a Flávio para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, enquanto o senador levantou questões envolvendo pessoas próximas ao presidente. A troca de acusações passou a integrar a preparação dos dois grupos para o encontro seguinte, com as campanhas avaliando como abordar assuntos controversos sem deixar de apresentar suas propostas ao eleitorado.

A preparação petista também envolve a maneira como Lula deverá reagir às provocações do adversário durante a transmissão. A equipe pretende manter o foco nos temas políticos e administrativos, além de utilizar o tempo disponível para apresentar medidas defendidas pelo governo e propostas para o próximo mandato. Entre os pontos que podem aparecer na discussão estão políticas sociais, emprego, renda e condições de trabalho, temas que fazem parte da comunicação eleitoral do presidente e das tentativas de alcançar eleitores que ainda não decidiram como votar.

Flávio Bolsonaro busca moderar o tom e reforçar propostas

Flávio Bolsonaro também prepara mudanças para o último debate antes da votação, com a intenção de apresentar seus argumentos de maneira mais técnica e reduzir o tom confrontador observado no encontro da Band. Segundo as informações publicadas pelo UOL, a equipe do senador ampliou a preparação e incorporou a participação de aliados com experiência em áreas específicas da administração pública. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, passou a contribuir com a preparação do candidato, enquanto o deputado e ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite auxilia na elaboração de respostas relacionadas à segurança.

Na área econômica, Daniella Marques participa da preparação de Flávio para questões que possam surgir durante o confronto televisionado. A campanha busca apresentar suas propostas econômicas de maneira organizada e explicar as medidas defendidas para um eventual governo, ao mesmo tempo que mantém críticas à administração petista. O candidato também pretende dialogar com eleitores que procuram informações sobre segurança pública, custo de vida e perspectivas econômicas, assuntos que aparecem com frequência nas manifestações das duas campanhas durante a reta final eleitoral.

A mudança de abordagem ocorre depois de o debate da Band reunir discussões intensas e pouco tempo dedicado à apresentação detalhada de determinadas propostas, conforme avaliações divulgadas pela imprensa. A campanha de Flávio procura equilibrar as críticas ao governo federal com a exposição de suas ideias, enquanto seus aliados participam da preparação para temas que exigem respostas específicas. A estratégia anunciada pela equipe não elimina a possibilidade de confrontos diretos, mas estabelece uma orientação para que o candidato utilize o encontro também para explicar suas propostas e responder às perguntas do adversário.

Regras da Globo organizam o confronto final antes da votação

A TV Globo estabeleceu quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais, para organizar o debate entre Lula e Flávio. Nos três primeiros blocos, o candidato que estiver com a palavra poderá circular pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer em seu púlpito até chegar a sua vez de falar. No quarto bloco, dedicado a tema livre, cada concorrente terá oito minutos de fala e poderá se movimentar apenas pelo seu lado do cenário, conforme as regras anunciadas pela emissora.

A organização do espaço foi modificada depois do confronto na Band, quando a movimentação de Flávio atrás de Lula durante as falas do presidente provocou reclamações da campanha petista. A emissora também informou que haverá verificação de declarações durante a transmissão por meio do serviço Fato ou Fake, publicado pelo g1, com participação de jornalistas do grupo. As checagens serão disponibilizadas pela internet, permitindo que o público consulte verificações das afirmações feitas pelos candidatos durante o programa.

O debate desta sexta-feira ocorre dois dias antes do segundo turno e representa o último confronto presidencial televisionado previsto antes da votação de 25 de outubro. Lula e Flávio deverão apresentar seus argumentos, responder às perguntas e procurar alcançar eleitores que ainda não definiram o voto, dentro do formato estabelecido pela emissora. A votação de domingo encerrará a disputa eleitoral, e os resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral indicarão a quantidade de votos recebida por cada candidato e quem ocupará a Presidência da República no próximo mandato.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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